Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

O mundo é mesmo pequeno… 08/04/2007

Filed under: saudosismos — jacky @ 6:40 pm

Ontem, fui à fnac. Queria comprar um livro para ler no comboio. esta semana vou trabalhar para Lisboa e a viagem costuma demorar a passar se não for acompanhada por um bom livro. Ultimamente ando vidrada em livros de literatura fantástica e tenho gostado bastante da colecção da presença de jovens autores.

Dois livros chamaram-me a atenção pelo título, pela capa e pelo resumo: O mar dos trolls da Nancy Farmer e O grito de Icemark de Stuart Hill. Fiquei indecisa entre os dois e então comecei a ler as primeiras páginas para ver o que me atraía mais. Nos agradecimentos do mar dos trolls, um nome pareceu-me familiar. A autora agradecia à professora Kristin Johannsdottir pela ajuda nos diálogos em Islandês e eu pensei cá para os meus botões: Era capaz de jurar que esta Kristin foi minha correspondente quando era adolescente.

Comprei o livro e vim para casa rapidamente. Pus-me à procura nas minhas recordações de há 20 anos, quando eu me correspondia com cerca de 100 pessoas de todo o mundo. Ainda troco postais de Natal e de férias com o meu correspondente austríaco Werner e troco uns emails com a minha correspondente francesa Sophie… E era mesmo ela, a minha amiga Kristin da Islândia! Fiquei bastante contente por saber dela passados tantos anos! Fiquei a pensar no que se teriam tornado essas pessoas de quem não tenho notícias há tanto tempo. Será que são felizes? Será que conseguiram concretizar os seus sonhos? Então, decidi criar um blogue à procura deles… Quem gosta de se corresponder gosta de escrever e criar laços. Tenho a certeza que algures no planeta eles escrevem por aí, talvez na blogosfera e talvez os consiga encontrar… Está escrito em Inglês: mau, devido aos 3 anos que tive na escola, mas pronto, dá para se compreender.

Este mundo é mesmo pequeno… quem diria?

Looking for my old penpals 

 

Publicidades parvas 21/03/2007

Filed under: família,saudosismos — jacky @ 3:57 pm

O meu filhote anda completamente aparvalhado com a publicidade nova da Twix. Anda sempre aos berros pela casa:

– Carameeeeeeeeeelo! Carameeeeeeelo!

E sinceramente, não há pachorra! Só passo uma esponja porque também já fui de andar a imitar publicidades quando era mais nova. Uma das que estava sempre a dizer era:

– Eu dou-me bem com melhoral!

E depois fazia um sorriso como na publicidade. Já lá vão tantos anos… 😆

E tu, que publicidades parvas andas(te) a imitar?

 

Que série mítica da TV és tu? 31/01/2007

Filed under: saudosismos,televisão,testes — jacky @ 2:18 pm

Você é Duarte e Companhia: Quem olha para si e se guia só pelas aparências não dá grande coisa por si. Grande erro! Trapalhão mas muito desenrascado, você lá consegue sempre resolver as coisas à sua maneira. É certo que não tem grande estilo ou técnica, mas é impossível não sentir carinho por si.

Chinês: Eu não sêle chinês, eu sêle japonês!

😆 eu adorava ver esta série!!! Estava a ver que me dava o Mac Gyver carago… 😛

Visto na casinha da Atlantys Maria

 

Aline, Christophe 08/11/2006

Filed under: canções de amor,saudosismos — jacky @ 10:24 am

Viva o You Tube! Ainda não era nascida quando esta canção foi um sucesso no Verão de 1965. Nunca tinha visto o videoclip a preto e branco e adorei! Ainda assim, esta sonoridade faz completamente parte da minha infância.

J’avais dessiné sur le sable
Son doux visage qui me souriait
Puis il a plu sur cette plage
Dans cet orage, elle a disparu

Et j’ai crié, crié, Aline, pour qu’elle revienne
Et j’ai pleuré, pleuré, oh! j’avais trop de peine

Je me suis assis près de son âme
Mais la belle dame s’était enfuie
Je l’ai cherchée sans plus y croire
Et sans un espoir, pour me guider

Et j’ai crié, crié, Aline, pour qu’elle revienne
Et j’ai pleuré, pleuré, oh! j’avais trop de peine

Je n’ai gardé que ce doux visage
Comme une épave sur le sable mouillé

Et j’ai crié, crié, Aline, pour qu’elle revienne
Et j’ai pleuré, pleuré, oh! j’avais trop de peine

Et j’ai crié, crié, Aline, pour qu’elle revienne
Et j’ai pleuré, pleuré, oh! j’avais trop de peine…

(Algum cota saudosista quer tradução?)

 

Estudante nos anos 80 27/10/2006

Filed under: educação,saudosismos — jacky @ 10:52 am

Estudei do 7º ao 12º nos anos 80, numa escola secundária do Porto. Ficava longe de casa porque a escola perto estava sobrelotada. Todos os dias, andava 15 a 30 mn de autocarro e ainda andava a pé uns 5 mn. Nunca me foram levar ou buscar de carro à escola. Tive sempre aulas de tarde, enquadrada em turmas de meninos menos bons (talvez socialmente), e obviamente, ficámos sempre com os professores menos influentes na escolha dos horários ou com professores estagiários. Éramos raparigas na maioria por ser uma escola dirigida antigamente a meninas. Em geral, tive óptimos professores, exceptuando um ou outro que tinha ido para o ensino como segunda escolha.

Andava sempre carregada de livros às costas porque não tínhamos sempre sala fixa e as mochilas não tinham rodinhas. Passavam-se horas na reprografia da escola (minicubículo com uma fotocopiadora trabalhadora) para se tirar umas míseras cópias, porque a máquina não era industrial, nem separava as coisas por vários molhos, nem agrafava nem chamava os alunos e os professores pelo nome. Para se tirar apontamentos, ia-se para a biblioteca que tinha os livros fechados em armários (com grades e a chaves) e tinha de se contar com o bom ou o mau humor da funcionária para nos abrir um dos livros do seu esconderijo. Não havia sofás para se estar sentado a ouvir música com auscultadores pois nem isso havia na biblioteca. Quanto a computadores, hein? Que é isso?

Como a comida na cantina, era intragável, nos dias em que precisava de ficar na escola a almoçar, comíamos qualquer coisa no bufete. Uma de nós, encarregava-se de comprar a Maria para ser lida durante esse período de tempo e nos rirmos um bocado. Na altura, não havia Mac Donalds nem Burger King nem Pizza Hut. Os gordos faziam-se à custa de enfardar pães com manteiga ou pães com açúcar. Os mais afortunados compravam pastéis no intervalo grande de 15mn. Obesidade era uma palavra que ainda não se usava.

Vestíamos roupas de todas as cores e misturavam-se padrões com outros padrões. O resultado dava algo pior que uma árvore de Natal mal decorada. Usavam-se os cabelos volumosos para os lados. As senhoras faziam permanente para ripar o cabelo para cima. Os jovens usavam gel no cabelo com purpurinas (que se chamavam simplesmente brilhantes) que ficava todo pastoso. Os brilhantes iam-se descolando e ficava-se com a cara cheia deles caídos tipo semáforo escangalhado.

Nas aulas, aprendia-se embora também houvesse indisciplina. Os alunos que extrapolassem simplesmente eram chumbados à base de faltas a vermelho e acabavam por desamparar a loja. Nas línguas estrangeiras, os professores só falavam na mesma língua e era proibido traduzir as palavras em Português, o que fazia com que, em certas aulas, ninguém percebesse um boi. Os dicionários eram proibidos. No 10º e no 11º, tive Alemão e como não pescava nada dos textos, fiz batota e tinha no estojo dois dicionários de Português/Alemão e Alemão/Português tamanho lilliput (que ainda guardo) e que jeito me fizeram! Nessas mesmas aulas, como a professora era estagiária, só falava em alemão para as alunas do Goethe e nós, os restantes socialmente desfavorecidos que não tinham massa para frequentar esses coisos, ficávamos a jogar batalha naval nas aulas ou a passar papéis uns aos outros até que as outras nos dissessem o que era para fazer nas aulas.

No início dos anos 80, houve um boom do rock português e cantava-se músicas malucas como Chico fininho e Ela controla dos Rock & Varius. Ao mesmo tempo, era-se obrigado a comer as rádios nacionais e também se cantarolava os útimos êxitos do Marco Paulo e das Doce, embora não ficasse bem dizer-se que se gostava. Dentro do chunga, adorei na altura cantarolar o Passear contigo dos Broa de mel (ó meu deus, hoje até choro de rir com a má qualidade daquilo) ou o Anel de noivado dos Trio Odemira, que ainda hoje me apetece cantar em casamentos. Ouvia-se o TNT na rádio comercial apresentado pelo Rui Pego e grupos que usavam cabelos às cores como os Kajagoogoo. Dançava-se ao som dos Communards, Banarama e dos Erasure numa altura em que já havia rádios em FM. As adolescentes babavam-se em cima dos Duran Duran e dos Spandau Ballet. Sim, sim, anda cá rapaz tocar-me sexofone, quer dizer, saxofone…

Aos Domingos, vestia uma roupa especial e ia com os meus amigos ao cinema. Não havia shoppings e por isso corríamos a baixa à procura de bilhetes em grandes salas como no cinema Batalha onde vi o Ghostbusters com toda a gente a dar ao pé, quando passava a banda sonora, no Olympia, no Passos Manuel e até no São João onde as cadeiras eram duras como cornos. Não havia metro nem os autocarros tinham ar condicionado. Ou estava um calor do caraças lá dentro, misturado com suor e às vezes com hálito a vinhaça, ou estava um frio de rachar porque as janelas iam abertas.

As salas de aula não tinham aquecimento e as carteiras eram umas velhas secretárias ainda com o buraco para o tinteiro. Várias turmas tinham educação física ao mesmo tempo e se fosse a nossa vez de ficarmos nos campos exteriores, tínhamos de dar a aula à chuva. Quanto a tomar banho, só para os mais corajosos que toleravam água fria. Nem todos tinham dinheiro para sapatilhas e a malta emprestava as sapatilhas uns aos outros para não se ter falta de material.

Foram uns anos que gosto de recordar com alguma saudade porque, embora tivesse sido uma adolescente bastante revoltada e problemática, fui feliz e fiz grandes amizades que ainda hoje perduram. Se me esqueci de alguma coisa, é favor completar…

 

Hong Kong Phooey 17/10/2006

Filed under: saudosismos — jacky @ 10:22 pm

Quem se lembra destes desenhos animados?

 

Letras de canções 24/08/2006

Filed under: música,saudosismos — jacky @ 11:41 am

Fui adolescente durante os anos 80.

Não havia internet nem cds (só mesmo lá para o fim dos oitentas) nem mp3. Não se faziam downloads para ai-podes nem se buscavam videoclips no you tube nem se buscavam letras no google.

Havia discos em vinil em 45 rotações, os chamados singles, e em 33 rotações, os LPs. Às vezes, na brincadeira, punha um single a tocar em 33 rotações e pareciam que tinham acabado de vomitar ou então um LP em 45 e pareciam ratinhos hiperactivos.

Quando se queria uma letra duma canção, comprava-se a bravo se tívessemos dinheiro ou então tirava-se a letra de ouvido. Não há dúvidas que nem sempre ficavam a 100%, principalmente as canções em inglês. Muitas vezes, abandalhámos letras, ponto azul, lembras-te? Depois, escreviam-se as letras num caderninho que encontrei há dias junto às velhas cadernetas de cromos.

Só havia um programa de música com videoclips na TV que se chamava Top+ por isso os adolescentes portugueses entraram em delírio quando começou a haver um programa diário musical apresentado pelo Adam Curry numa experiência de um canal Europeu. Havia poucas rádios a não ser as nacionais, mas por volta dos meados dos oitentas, surgiram as rádios locais, muitas ilegais, das quais tenho saudades.

A música era cara. Ainda hoje é cara. Por isso, tínhamos poucos discos que fruíamos até ao máximo. Não consumíamos músicas atrás de músicas em downloads desenfreados como agora. Sabíamos dar mais valor ao que tínhamos e talvez por isso, fôssemos mais felizes do que os adolescentes de hoje…

Gosto de ser trintona e de viver na era da Internet, dos mp3 e da informação sempre à mão. Gosto de evoluir e não de fossilizar no tempo. Só tenho pena duma coisa que se perdeu: é das coisas serem cada vez mais descartáveis e cada vez menos valiosas… Vivam os anos 80 e a vanguarda do século XXI!

publicado em simultâneo nos oitentas!