Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

Amizade, Carlos Queirós 22/08/2005

Filed under: poemas de amizade — jacky @ 12:58 pm

De mais ninguém, senão de ti, preciso:
Do teu sereno olhar, do teu sorriso,
Da tua mão pousada no meu ombro.
Ouvir-te murmurar: “Espera e confia!”
E sentir converter-se em harmonia,
O que era, dantes, confusão e assombro.

Obrigada aos amigos que me acolheram em Setúbal e na capital! :)
É sempre bom rever-te ou ver-te pela primeira vez, pessoalmente!
E a ti, que não pôde estar presente, outras oportunidades surgirão brevemente, de certeza!

 

Procura-se um amigo, Vinicius de Moraes 16/03/2005

Filed under: poemas de amizade — jacky @ 2:22 pm

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Agora é a tua vez, escreve um anúncio ao teu amigo!

 

Sem Tempo, Angela Carneiro 22/02/2005

Filed under: poemas de amizade — jacky @ 10:08 am


Sam Butcher

Me falta tempo
para ler todos os livros que quero
Me falta tempo para passeios e praias
e as locadoras com seus filmes
Felinis que não vi
e os museus que me esperam
me falta tempo.

Me falta tempo para amar os flertes
e aprofundar as amizades de coquetéis
me falta tempo para arrumar o armário
jogar coisas fora
passar a limpo a caderneta de telefone
redecorar o quarto
Me falta tempo para o orfanato
e ajudar o meu vizinho a pendurar o quadro na parede.

Me falta tempo para aprender japonês
pintar em tecido
tocar piano
tecer meus planos
Me falta tempo para as aquarelas que sonho
preciso anotar meus sonhos
Mas
me falta tempo.

Tempo para os amigos antigos que já me esqueceram
tempo para as músicas e cds
tempo para o estrangeiro, ilhas e cantões a conhecer
Me falta tempo para os poemas que a poesia me exige
e gravar os programas de TV
no entanto,
quantas vezes não tenho nada, absolutamente nada
para fazer.

Gosto muito de poesia, mas é raro haver um poema em que me reveja completamente! Este é um deles. É assim que me sinto a maior parte dos dias. Sinto que os dias correm e que não consigo fazer nada dele, que me disperso em tarefas mesquinhas e que não faço o que realmente é importante. Talvez não saiba gerir o meu tempo…

 

Amizade, Adriana Sampaio 21/02/2005

Filed under: poemas de amizade — jacky @ 8:46 am


Sam Butcher

Ver além dos laços, além da posse
Pela insegurança, inerente,
Nunca pensei que pudesse…
Mas as flechas que lançamos
Nos levam adiante de nós
E nos faz grandes, humanas
Na pura essência do incomum.

Dizem que os laços que amarram os homens
São mais fortes.
Sempre duvidei…
Meus laços femininos permaneceram fortes,
Todos bem amarrados
Por admiração e lealdade.
Sobreviveram ao tempo,
Aos erros e acertos,
À beleza que nos une.

Assim, futura amiga,
Te espero
Logo, de braços e coração
Abertos…
E se isso vier a ser amizade
Das mais esplêndidas e verdadeiras
Podes estar certa
Que sou com quem podes contar,
Onde podes amarrar teus sonhos,
E viajar descansada.

in As Tormentas, poemas compilados por Luis Rodrigues, que recomendo a todos os que apreciam poesia portuguesa!

 

Manta de retalhos da amizade, de Heidi Satteberg 10/12/2004

Filed under: poemas de amizade — jacky @ 12:46 am

 

Milagre da amizade, de Chiu 09/12/2004

Filed under: poemas de amizade — jacky @ 8:45 am

 

Lapa da Bandeira, Vinicius de Moraes 25/11/2004

Filed under: poemas de amizade — jacky @ 8:55 am

A Manuel Bandeira

Existia, e ainda existe
Um certo beco na Lapa
Onde assistia, não assiste
Um poeta no fundo triste
No alto de um apartamento
Como no alto de uma escarpa.

Em dias de minha vida
Em que me levava o vento
Como uma nave ferida
No cimo da escarpa erguida
Eu via uma luz discreta
Acender serenamente.

Era a ilha da amizade
Era o espírito do poeta
A buscar pela cidade
Minha louca mocidade.
Como uma nave ferida
Perambulando patética.

E eu ia e ascensionava
A grande espiral erguida
Onde o poeta me aguardava
E onde tudo me guardava
Contra a angústia do vazio
Que embaixo me consumia.

Um simples apartamento
Num pobre beco sombrio
Na Lapa, junto ao convento…
Porém, no meu pensamento
Era o farol da poesia
Brilhando serenamente.

Também tens um farol que brilha na tua vida?

 

 
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