Escrevo por egoísmo, por pura necessidade, porque simplesmente preciso. Escrevo desde que me lembro de ser gente. Aos 10 anos, já escrevia cartas para os meus amigos de férias e escrevia para comunicar. Escrevo em todo o lado, em papelinhos, no word, em blogues, em cadernos, nas toalhas de papel dos restaurante, sempre caoticamente e por impulso.
Escrever dá-me prazer. Escrever serve para canalizar a criatividade em estado selvagem que existe excessivamente em mim. Escrevo coisas reais mas escrevo sobretudo coisas fantasiadas e inventadas. Muitas vezes, quando me lêem, pensam que escrevo o que sinto e talvez assim seja. O problema é que sinto muito o que imagino e nem sempre o que vivo. O que escrevo pode ser um espelho do meu mundo interior mas raramente das minhas vivências do dia a dia.
Só para dar um exemplo, escrevo muitas vezes sobre o amor, um amor ideal. Gosto de sonhar com ele, de criar cenários, fantasiar sobre pessoas e locais, desejos e carícias, não necessariamente reais. Inclusive, estou a atravessar um período da minha vida muito estável emocionalmente e não estou apaixonada por ninguém. Não escrevo sobre o que me é muito íntimo. Quando me apaixonar, o mais certo é que não vou escrever sobre os meus sentimentos. Prefiro partilhá-los com quem vier a amar.
Escrevo porque sou criatividade, escrevo para converter tanta energia criadora em palavras, palavras que podem tocar quem as ler. Escrevo para comunicar contigo mesmo se nem sempre falo de mim. Escrevo para ti, é verdade. Gosto desta interacção da escrita que me liga a ti. Escrevo à espera da tua reacção porque me dá prazer dar-te prazer. Sempre gostei mais de dar do que de receber. Gosto de saber que o que te dou te agrada.
O meu blogue sou eu e dou a cara por ele, mas o meu blogue não é a minha vida, a minha história pessoal. O meu blogue é como a Autopsicografia de Fernando Pessoa:
O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
O que eu escrevo pode ser sentido, pode ser imaginado e o que é lido, é sentido e imaginado de forma diferente, filtrado pelas grelhas de leitura de cada um, as suas experiências e os seus valores. Entre o que se escreve e o que se lê, há um mundo que varia infinitamente.
Escrevo por prazer, por necessidade, por diversão, por mim, por ti.
E tu, porque escreves?














COMENTÁRIOS