Gosto de ajudar toda a gente. Semear amorizade nos corações das pessoas costuma gerar afectos momentâneos ou até amizades que resistem ao tempo. Desde que sou adolescente, que gosto de ajudar crianças necessitadas a fazer os deveres para poderem quebrar o ciclo da miséria e da solidão, para poderem mais tarde ajudar outras pessoas, numa corrente de solidariedade.
Durante o 1º ciclo, ajudei 2 ou 3 meninos da turma do meu filho a fazer os deveres e fi-lo sempre sem ser remunerada pois o meu objectivo não era ganhar dinheiro. Um dos meninos que se juntou a nós mais tarde era bastante conflituoso, mas mesmo assim decidi ajudar a mãe dele pois tinha sido mãe de novo há pouco tempo e precisava de trabalhar. O menino quando eu não estava a ver, batia nas meninas se elas não fizessem o que ele queria e pior ainda, virava o meu filho contra mim, incitando-o a desobedecer-me. Tentei resolver o problema falando com o menino mas não consegui. Passados uns meses, decidi então falar com os pais para lhes explicar a situação pois era impossível trabalhar assim naquele ambiente, pois sempre que saía da sala ou atendia ao telefone, tudo voltava ao mesmo. Os pais embora não ficassem contentes, disseram que iam falar com o filho, que não podia ser assim e que não iria mais durante uns tempos de castigo.
Passadas umas semanas, comecei a reparar que as pessoas me olhavam de lado à porta da escola e acabei por descobrir que a mãe do menino andava a difamar-me a todos os que a quisessem ouvir e passara a ignorar-me em vez de me cumprimentar. Dizia mal de mim por todo e qualquer motivo. Como não sou de conflitos, nem de andar em contos e ditos, ignorei a situação e mantive a minha postura de quem não deve não teme, embora um pouco triste pela falta de gratidão da senhora pelos meses que passei a ensinar o filho dela. A difamação continuou até ao fim do 4º ano.
Quando este ano, passaram para o 5º ano, fiquei aliviada por ficarem em escolas diferentes. Achei que a difamação acabaria ali. Enganei-me. Ontem, descobri que continua a dizer mal de mim à mãe de uma menina que também era da turma do 1º ciclo e que ficou na mesma escola do meu filho. Arranjaram uma história escabrosa que ele andava a chamar nomes à menina. Como já começava a ser demais, liguei à mãe da menina para tentar esclarecer a situação. A senhora simplesmente começou a gritar comigo, a dizer que a educação que eu dava ao meu filho era insultar meninas e que estava ocupada e que lhe ligasse depois e desligou-me o telefone.
Que mal lhe fiz eu para me falar assim? Eu bem sei que é a mãe do menino que conversa com ela frequentemente que lhes esteve a encher a cabeça. Também sei que, agora, deve haver imensos pais lá na escola que vão começar a olhar de lado para mim, pois devem saber coisas a meu respeito que, por mais imaginação que eu tenha, possa descobrir. E agora pergunto-me: o que é que as pessoas ganham em difamar outras? São assim tão mesquinhas que a única forma de sobressairem das outras é enxovalhar outras que nada de mal lhes fizeram? Quando é que isto vai acabar? É que estou a cansar-me de tudo isto e hoje elas conseguiram deprimir-me…
COMENTÁRIOS