Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

Manual para pais – 4ª regra: Estarem juntos. 07/11/2006

Filed under: educação — jacky @ 9:05 am

Norbert Rosing

Estas regras funcionam eficazmente com crianças e adolescentes entre os 8 e os 15 anos, mas na verdade penso que a maioria destas regras podem ser aplicadas a outras idades e até à comunicação em geral com outras pessoas.

(inspirado em sugestões de Isabelle Filliozat)

Quando começam a fazer muitas asneiras, a terem más notas e que a relação entre pais e filhos se começa a degradar, é importante parar com as reprimendas, os castigos, as irritações e ter tempo para estarem juntos. É importante acima de tudo compreender o motivo desta confusão, deste mudar de atitude. Às vezes, é apenas o mascarar de ansiedades e angústias, de problemas com a auto-estima, uma depressão nascente. Principalmente os rapazes, costumam transformar tristeza em agressividade. É óbvio que não se vai também premiar os maus comportamentos. É preciso ter tempo para se conversar, dar-lhes a entender que podem confiar porque só assim poderão cooperar.

4ª regra: estarem juntos.

Quando uma criança é ouvida com atenção, quando a olhamos nos olhos quando nos fala, quando paramos as múltiplas tarefas que estamos a fazer para ter tempo, para estar realmente disponível, a comunicação passa. Devem então conversar sobre os motivos e as razões que levam aos maus comportamentos e depois, sim, tomar as medidas necessárias para a alteração desse comportamento.

 

Manual para pais – 3ª regra: Ser breve. 06/11/2006

Filed under: educação — jacky @ 2:03 pm

chaos and order

Estas regras funcionam eficazmente com crianças e adolescentes entre os 8 e os 15 anos, mas na verdade penso que a maioria destas regras podem ser aplicadas a outras idades e até à comunicação em geral com outras pessoas.

(inspirado em sugestões de Isabelle Filliozat)

Deixou de novo as coisas espalhadas pelo chão e pela casa. Ficamos irritados. Começamos a barafustar, enervados, agressivos. Está habituado(a) a isso e já nem liga. Certos dias, em que estamos mais cansados, arrumamos nós.

3. Ser breve.

O objectivo é que comecem a tomar conta das próprias coisas. O vendaval de palavras não funciona. O melhor é algo breve como: sapatilhas! ou mochila e olhá-lo(a) nos olhos, sem reprimendas nem irritação. É óbvio que a brevidade vai ter de se repetir por vários dias até que se habitue a arrumar as próprias coisas.

 

Manual para pais – 2ª regra: Propôr uma escolha. 02/11/2006

Filed under: educação — jacky @ 9:53 am

spoilt for choice

Estas regras funcionam eficazmente com crianças e adolescentes entre os 8 e os 15 anos, mas na verdade penso que a maioria destas regras podem ser aplicadas a outras idades e até à comunicação em geral com outras pessoas.

(inspirado em sugestões de Isabelle Filliozat)

 

O normal é darmos ordens aos filhos do género:

– Faz a cama!

– Faz os TPC!

– Vai pôr a mesa!

Ora, isto faz com que os filhos, ao obedecerem, perdem a sua identidade como pessoa porque se limitam a obedecer a ordens. São um instrumento do prolongamento das nossas vontades. Assim, não desenvolvem a capacidade de fazer escolhas, de estabelecer prioridades e de dirigirem a própria vida. É necessário que deixem de ser objecto e que passem a sujeito.

2. propôr uma escolha para os responsabilizar.

– Preferes fazer os TPC ou fazer a tua cama?

Dando a escolher entre duas actividades que teriam de fazer de qualquer maneira, dá-lhes a possibilidade de serem sujeito e não objecto, de terem iniciativa para fazer as coisas. Ficam com liberdade de escolha. Este tipo de escolhas desenvolve neles a auto-estima e a autonomia.

 

Manual para pais – 1ª regra: Ouvir. 01/11/2006

Filed under: educação — jacky @ 11:11 am

Estas regras funcionam eficazmente com crianças e adolescentes entre os 8 e os 15 anos, mas na verdade penso que a maioria destas regras podem ser aplicadas a outras idades e até à comunicação em geral com outras pessoas.

(inspirado em sugestões de Isabelle Filliozat)

 A criança chega a casa e diz:

– Não gosto da minha prof de X, ela deu-me zero porque me esqueci do caderno!

A tendência é dizer:

– Não é grave… (minimizando o que sente)

– Claro, esqueces sempre as tuas coisas (culpabilizando-a)

– Não digas isso dos teus professores (proibindo-a de falar)

Estes comentários impedem a criança de se exprimir. Às vezes, certas frases que as crianças dizem estão apenas a camuflar algo que as perturba como por exemplo:

– Estou cansada deste prof que não gosta de mim.

– O meu namorado deixou-me.

1. Ouvir.

Ela precisa de ter espaço para ser ouvida. Os pais não têm que resolver todos os problemas dos filhos dando sempre sugestões e conselhos. Os pais precisam é de ter disponibilidade para ouvir. Quando chega com queixas, o melhor é perguntar:

– O que é que se passou?

É natural que responda:

– Não sei.

O melhor é fazer mais perguntas sobre o caso de forma a que pense sobre o assunto e possa confiar as emoções sentidas e analisar a situação. O importante portanto é parar, olhá-la nos olhos e simplesmente ouvir.

 

Manual para pais 31/10/2006

Filed under: educação — jacky @ 2:05 pm

Como pais, temos tendência a repetir sempre as mesmas coisas e parece que as crianças e os adolescentes ficam simplesmente surdos às nossas palavras. A comunicação não passa. Instala-se uma rotina de reclamações ligadas ao quotidiano. Se não obedecem em dias de mais cansaço, perde-se a paciência e grita-se. Às vezes, desiste-se e eles sabem como manobrar-nos. Ou queremos que gostem de nós e fazemos-lhes todas as vontadinhas ou queremos discipliná-los à força e logo que viramos as costas, fazem asneiras. É necessário equilibrar autoritarismo e permissividade.

 

Como pais, também temos que fazer entender aos nossos filhos que temos sentimentos como a revolta e a decepção e eles também precisam de se auto-disciplinar dando-lhes tarefas co-responsabilizando-os. Aqui vou publicar algumas estratégias que tirei dum livro da Isabelle Fillozat, psicóloga francesa especializada em inteligência emocional.

 

Scoubidou II

Filed under: educação — jacky @ 9:13 am

Afinal, também se chama scoubidou em Portugal e no resto do mundo. Sabiam que dá para fazer verdadeiras obras de arte com este fios em plástico? A ver estas páginas de scoubidous

scoubidou world

boondoggle man

scoubidous strings

scoubidou folies 2

 

Perpetuar o erro II 30/10/2006

Filed under: educação — jacky @ 2:18 pm

Lembram-se desta posta sobre o ditar-se grandes textos nas aulas a miúdos que ainda fazem muitos erros?

Pois é. Fui falar à Directora de Turma do meu filho sobre o assunto. Disse-lhe que tinha deixado a folha corrigida como estava para que pudesse ver as consequências do ditado da matéria no caderno do meu filho. Concordou comigo e disse que ia falar com as colegas. Na aula seguinte, pediu o caderno ao filhote e falou com as colegas. Consequência: as professoras que tinham ditado a matéria como castigo e medida para controlar a indisciplina dos alunos, pediram a todos os alunos os cadernos para serem avaliados e imaginem só! O caderno do filhote teve avaliação negativa!!! Enfim… Isto realmente há professores que deviam tomar umas doses de humildade a ver se aperfeiçoam o trabalho.

Quando reclamei foi para o bem dos miúdos, não era para voltarem a ser prejudicados. Como é óbvio, os miúdos que não dão erros ortográficos foram novamente beneficiados e os que dão, ainda mais prejudicados. Tomada de atitude muito inteligente!

Sei que foi uma retaliação por eu ter reclamado, mas não me interessa nada. Quando voltar a achar que devo reclamar, voltarei a fazê-lo porque não sou do estilo de dizer mal das pessoas pelas costas e depois fazer sorrisinhos pela frente. Não reclamo para as prejudicar, reclamo para beneficiar os miúdos e se for preciso voltarei a fazê-lo. Pronto!

 

Estudante nos anos 80 27/10/2006

Filed under: educação,saudosismos — jacky @ 10:52 am

Estudei do 7º ao 12º nos anos 80, numa escola secundária do Porto. Ficava longe de casa porque a escola perto estava sobrelotada. Todos os dias, andava 15 a 30 mn de autocarro e ainda andava a pé uns 5 mn. Nunca me foram levar ou buscar de carro à escola. Tive sempre aulas de tarde, enquadrada em turmas de meninos menos bons (talvez socialmente), e obviamente, ficámos sempre com os professores menos influentes na escolha dos horários ou com professores estagiários. Éramos raparigas na maioria por ser uma escola dirigida antigamente a meninas. Em geral, tive óptimos professores, exceptuando um ou outro que tinha ido para o ensino como segunda escolha.

Andava sempre carregada de livros às costas porque não tínhamos sempre sala fixa e as mochilas não tinham rodinhas. Passavam-se horas na reprografia da escola (minicubículo com uma fotocopiadora trabalhadora) para se tirar umas míseras cópias, porque a máquina não era industrial, nem separava as coisas por vários molhos, nem agrafava nem chamava os alunos e os professores pelo nome. Para se tirar apontamentos, ia-se para a biblioteca que tinha os livros fechados em armários (com grades e a chaves) e tinha de se contar com o bom ou o mau humor da funcionária para nos abrir um dos livros do seu esconderijo. Não havia sofás para se estar sentado a ouvir música com auscultadores pois nem isso havia na biblioteca. Quanto a computadores, hein? Que é isso?

Como a comida na cantina, era intragável, nos dias em que precisava de ficar na escola a almoçar, comíamos qualquer coisa no bufete. Uma de nós, encarregava-se de comprar a Maria para ser lida durante esse período de tempo e nos rirmos um bocado. Na altura, não havia Mac Donalds nem Burger King nem Pizza Hut. Os gordos faziam-se à custa de enfardar pães com manteiga ou pães com açúcar. Os mais afortunados compravam pastéis no intervalo grande de 15mn. Obesidade era uma palavra que ainda não se usava.

Vestíamos roupas de todas as cores e misturavam-se padrões com outros padrões. O resultado dava algo pior que uma árvore de Natal mal decorada. Usavam-se os cabelos volumosos para os lados. As senhoras faziam permanente para ripar o cabelo para cima. Os jovens usavam gel no cabelo com purpurinas (que se chamavam simplesmente brilhantes) que ficava todo pastoso. Os brilhantes iam-se descolando e ficava-se com a cara cheia deles caídos tipo semáforo escangalhado.

Nas aulas, aprendia-se embora também houvesse indisciplina. Os alunos que extrapolassem simplesmente eram chumbados à base de faltas a vermelho e acabavam por desamparar a loja. Nas línguas estrangeiras, os professores só falavam na mesma língua e era proibido traduzir as palavras em Português, o que fazia com que, em certas aulas, ninguém percebesse um boi. Os dicionários eram proibidos. No 10º e no 11º, tive Alemão e como não pescava nada dos textos, fiz batota e tinha no estojo dois dicionários de Português/Alemão e Alemão/Português tamanho lilliput (que ainda guardo) e que jeito me fizeram! Nessas mesmas aulas, como a professora era estagiária, só falava em alemão para as alunas do Goethe e nós, os restantes socialmente desfavorecidos que não tinham massa para frequentar esses coisos, ficávamos a jogar batalha naval nas aulas ou a passar papéis uns aos outros até que as outras nos dissessem o que era para fazer nas aulas.

No início dos anos 80, houve um boom do rock português e cantava-se músicas malucas como Chico fininho e Ela controla dos Rock & Varius. Ao mesmo tempo, era-se obrigado a comer as rádios nacionais e também se cantarolava os útimos êxitos do Marco Paulo e das Doce, embora não ficasse bem dizer-se que se gostava. Dentro do chunga, adorei na altura cantarolar o Passear contigo dos Broa de mel (ó meu deus, hoje até choro de rir com a má qualidade daquilo) ou o Anel de noivado dos Trio Odemira, que ainda hoje me apetece cantar em casamentos. Ouvia-se o TNT na rádio comercial apresentado pelo Rui Pego e grupos que usavam cabelos às cores como os Kajagoogoo. Dançava-se ao som dos Communards, Banarama e dos Erasure numa altura em que já havia rádios em FM. As adolescentes babavam-se em cima dos Duran Duran e dos Spandau Ballet. Sim, sim, anda cá rapaz tocar-me sexofone, quer dizer, saxofone…

Aos Domingos, vestia uma roupa especial e ia com os meus amigos ao cinema. Não havia shoppings e por isso corríamos a baixa à procura de bilhetes em grandes salas como no cinema Batalha onde vi o Ghostbusters com toda a gente a dar ao pé, quando passava a banda sonora, no Olympia, no Passos Manuel e até no São João onde as cadeiras eram duras como cornos. Não havia metro nem os autocarros tinham ar condicionado. Ou estava um calor do caraças lá dentro, misturado com suor e às vezes com hálito a vinhaça, ou estava um frio de rachar porque as janelas iam abertas.

As salas de aula não tinham aquecimento e as carteiras eram umas velhas secretárias ainda com o buraco para o tinteiro. Várias turmas tinham educação física ao mesmo tempo e se fosse a nossa vez de ficarmos nos campos exteriores, tínhamos de dar a aula à chuva. Quanto a tomar banho, só para os mais corajosos que toleravam água fria. Nem todos tinham dinheiro para sapatilhas e a malta emprestava as sapatilhas uns aos outros para não se ter falta de material.

Foram uns anos que gosto de recordar com alguma saudade porque, embora tivesse sido uma adolescente bastante revoltada e problemática, fui feliz e fiz grandes amizades que ainda hoje perduram. Se me esqueci de alguma coisa, é favor completar…

 

Tédio em aulas? 25/10/2006

Filed under: educação — jacky @ 11:51 pm

Hoje, os putos não se calam nas aulas. Ou então, ficam quietos a mandar e a receber sms, a dar toques ao pessoal da turma, a jogar gameboy ou playstation portátil, ou a tirar fotos e a filmar os professores às escondidas com os telemóveis. Ah e já me esquecia a ouvir música nos isqueiros (vulgo leitores de mp3) e nos ai-podes…

No meu tempo (imaginem-me agora tipo velhinha caquética), nas aulas chatas, ficávamos caladinhos a jogar batalha naval (na wikipédia não há porta-aviões...) ou ao stop (ver esta definição na wikipédia que me fez rir imenso) ou cochichava-se bem baixinho.

No tempo dos meus pais, nem se piava, senão levava-se logo com a ….. (zzzz é do sono não me lembro do termo, mas era uma régua com furos para doer mais).

No tempo dos meus avós e bisavós, só os ricos iam à escola, porque os pobres iam logo trabalhar no campo ou como criados onde fosse. Se aprendessem a assinar o nome, já era um fartote!

Como se livrarão os miúdos do tédio nas aulas, no futuro? Computadores enfiados em brincos? óculos com TV integrada? Alguém com imaginação para criar ficção científica neste post? 🙂

 

light a million candles 16/10/2006

Filed under: educação,família — jacky @ 12:42 am

É assustador ser-se confrontado com estes números e mantermo-nos passivos. Acende tu também uma vela pelas crianças que são abusadas sexualmente de forma a apelarmos às consciências e ganharmos força para, por exemplo, lutarmos contra a pornografia infantil na Internet…

Eu acendi a vela nº 669.609. E tu?

lightacandle.JPG

(visto na blogotinha)

 

Perpetuar o erro… 12/10/2006

Filed under: educação — jacky @ 12:25 pm

Sei que parece mal, sou professora de Português/Francês e o meu filho escreve com muitos erros ortográficos (um dos motivos, é por ouvir mal há anos). Parece que sai ao pai, que dava muitos erros, mas que conseguiu corrigir-se ao longo dos anos. Nunca dei muitos erros, nem em Francês (minha língua materna) nem em Português!

Quando estudava em França, fazia-se muitos exercícios de ortografia em todos os graus de ensino. Em Portugal, não. Parece que só por ser língua materna toda a gente tem obrigação de saber escrever. Fazer exercícios de ortografia deve ser muito traumatizante para as criancinhas e os adolescentes, não é? Em Português, praticamente, só se lêem e analisam textos e decoram-se listas de palavras. Na Faculdade, não tive nenhuma cadeira sobre gramática ou ortografia, mas tive imensas sobre teorias esotéricas sobre isto e aquilo, que pouca utilidade tiveram para a prática do ensino do Português.

Hoje, estive imenso tempo a fazer vistoria aos apontamentos do Mário, porque descobri que os professores do 5º ano ditam a matéria, em vez de a escrever no quadro, principalmente porque a turma é barulhenta e irrequieta e usam essa metodologia como castigo e controlo da sala de aula. Até pode ser que os professores atinjam os seus objectivos de reduzir a indisciplina, quanto ao resto, lamento informar que estão a perpetuar as dificuldades de aprendizagem e as desigualdades sociais. Porquê? Porque quem não sabe bem escrever, vai escrever pior e interiorizar os erros e quem não tem ajuda em casa, vai ficar ainda mais atrasado!

E pronto, aqui fica a lista de palavras ditadas de uma só disciplina* (amanhã há mais) que obriguei o Mário a escrever 5 vezes: funcionamento, documentação, correcção, material, faço, correctamente, assinado, comunicado, educação, organizado, conversar, cumprir, ausência, essencial, informado, através, surgindo, lectivo, proposta, necessário, seja… Se tiver tempo, hei-de digitalizar uma dessas páginas só para verem!

Por isso, senhores encarregados de educação, vigiem os cadernos dos vossos educandos e senhores professores, evitem ditar, principalmente palavras complicadas a crianças. Obrigada!

* palavras ditadas e ainda por cima, como era um debate de ideias, mandavam os miúdos escrever e quando havia ideias melhor formuladas, mandavam riscar e reescrever. Das palavras complicadas que ditaram apenas reincidência escreveram no quadro…

 

Reportagem “até ao coma alcoólico”

Filed under: educação — jacky @ 12:32 am

Não costumo comentar muito assuntos sobre actualidade, mas hoje não podia deixar de falar sobre a excelente reportagem que passou hoje na RTP sobre adolescentes na noite lisboeta e o seu consumo de álcool.

 

Fiquei bastante chocada de saber que já não são «jovens que frequentam os bares à procura das sensações fortes dos shots mas crianças!!! Havia lá miudos de 11 anos! Como é que pode ser possível? Quem é que anda a vigiar a idade desses miudos nos bares? Quem é que respeita a lei de não se vender álcool aos menores de 16 anos? Onde andam os pais destas crianças? Será que acham normal que miudos entre os 11 e os 16 anos andem na noite até às 5 da manhã, a embebedarem-se em bando? Se calhar, sou eu que estou muito cota… e ainda bem que o sou, porque não vou permitir que o meu filho, aos 11 anos, ande praí, com ou sem telemóvel, com ou sem amigos!!!… Todos os miudos têm pressa em crescer, também me lembro de ter tido 13 anos e de querer ter 18, isso não quer dizer que possam fazer tudo porque agora os outros pais deixam e há telemóveis! É importante incutir valores aos nossos filhos e também regras, explicar os motivos porque não podem sair à noite aos 11 anos e porque não se devem meter nas drogas, no alcoolismo e no tabaco. As regras de condutas ensinam os miudos a serem responsáveis, se lhes for explicado quais os motivos de os proibir de certas práticas. Fico chocada com o rumo que os nossos miudos estão a seguir… Que futuro pode ter um miúdo que aos 15 anos diz ser uma seca sair à noite se ninguém beber? Devo ser uma aberração da natureza, então, porque nunca bebi até cair, nunca me embebedei e sempre me diverti muito com os meus amigos quando saíamos. Espero que esta reportagem tenha aberto os olhos a muitos pais e que, de hoje em diante, não se demitem mais das suas funções… Ah e já agora, para que servem as leis se ninguém as cumpre e não há ninguém para fiscalizar a sua aplicação?

 

 

Uma reportagem de investigação sobre o consumo de álcool entre menores de 16 anos, ou seja à margem da lei.

 

Durante três meses a jornalista Mafalda Gameiro e o repórter de imagem Pedro Mateus percorreram vários bares e discotecas de Lisboa e descobriram muitas casas nocturnas repletas de crianças a consumir bebidas alcoólicas.

 

A equipa também se deparou com uma discoteca com o sistema de bar aberto, onde os menores de 16 anos têm entrada garantida; outra onde não deixam entrar clientes aparentemente mais velhos e ainda outras situações ilegais e chocantes.

 

O testemunho de vários menores confirma as imagens e as autoridades dizem que, muitas vezes, não conseguem fazer cumprir a lei.

 

Os jovens bebem, muitas vezes, até ao coma por que dizem que só bebendo conseguem divertir-se.

 

Mafalda Gameiro/jornalista
Pedro Mateus/ repórter de imagem
Guilherme Brizído/edição de imagem

 

A origem de certos termos… I 10/10/2006

Filed under: educação — jacky @ 2:35 am

ct1.JPG

Encher chouriços: quando se quer ocupar tempos mortos, usando professores em termos de quantidade e não de qualidade, aplica-se esta expressão.

Um professor para outro:

– Que aula tens a seguir?

– Vou encher chouriços*

*actividade não remunerada, é claro, se estiver de sentinela para aulas de substituição e, de facto, não haver naquele tempo nenhum professor para substituir. Vejamos as coisas como elas são: nas cantinas das escolas, vai haver sempre enchidos nas ementas!!!

O cartoon é daquele professor brilhante que continua com sentido de humor e que não quer ser identificado, pois não vá o diabo tecê-las…

 

Como educar os filhos… 29/06/2006

Filed under: educação — jacky @ 11:57 am

Recebi este texto por email (obrigada Alex) e realmente dá que pensar. Perdoem-me se já o conhecem, mas mesmo assim não custa reler…

O aumento da violência na escola e da violência juvenil em geral tem surpreendido muita gente. Contudo, há décadas que a Polícia de Houston supostamente distribuiu um folheto com as “Regras básicas para criar um filho delinquente” que são, mais ou menos, as seguintes:

1. Não deixe o seu filho fazer nada. Pelo contrário, arrumem as roupas, os sapatos e tudo o que ele atirar para o chão. Assim ele cresce a pensar nos outros como seus criados, a não trabalhar e a atirar para os outros todas as suas responsabilidades.
2. Comece na infância a dar ao seu filho tudo que ele quiser, incluindo roupas, comida e bebidas. Assim, quando crescer, ele acreditará que o Mundo tem obrigação de satisfazer todos os seus caprichos. Por que ele terá que passar pelas mesmas dificuldades que você passou? Deixe-o ser feliz enquanto é jovem.
3. Quando ele disser palavrões, ache graça. Isso o fará considerar-se espirituoso e refinar em linguagem ordinária.
4. Evite recriminá-lo, para que não desenvolva um complexo de culpa.
5. Discuta com frequência na presença dele. Assim nem ficará surpreendido quando o divórcio chegar, nem ficará com respeito aos pais, porque, afinal de contas, os próprios pais não se respeitavam um ao outro.
6. Em ocasiões onde ele estiver reunido com amiguinhos ou com seus irmãos use e abuse das comparações que incitem disputa. Compare o carácter, a inteligência, etc. Assim ele aprenderá a discriminar os outros em função de tudo (roupa, telemóveis, raça).
7. Defendam sempre o vosso filho. Dos seus amigos, vizinhos, professores e polícia. É tudo gente desprezível que apenas pretende embirrar com ele.
8. Nunca lhe dê qualquer orientação religiosa nem princípios morais. Espere até que ele chegue aos 18 anos e “decida por si mesmo”.

Infelizmente, a geração actual é uma geração criada sem fazer nada em casa, sem dar valor ao trabalho (ponto 1), na abundância dos bens materiais (ponto 2), sendo criada por famílias complicadas (ponto 5), na ausência do respeito pela autoridade (ponto 7) e de valores morais (pontos 3 e 8 ).
Podemos até, sem receio de qualquer exagero, afirmar que os pais agora não educam as crianças, mas apenas lhes dão comida e dormida. Aliás, muito pais pensam que educar é função da escola!
Com este panorama como pano de fundo, qual é o espanto desta geração ser bastante mais violenta e delinquente que a anterior?

 

Exercício de Matemática 24/03/2006

Filed under: educação,família — jacky @ 5:29 pm

Fazendo os deveres, há dias. Jacky lê o exercício com o Mário, a Daniela e a Inês:

A Carolina resolveu fazer papoilas. Para cada papoila precisa do seguinte material:
4 pétalas
1 pé
2 folhas
Quantas papoilas completas conseguirá a Carolina fazer se tiver 29 pétalas, 8 pés e 13 folhas?

Despertar (Matemática 4º ano) – Hortênsia Neto – Edições Livro Directo

Daniela responde: – Um ramo delas!
(risos)

 

Os meus alunos III (reflexão) 16/07/2005

Filed under: educação,jacky — jacky @ 2:01 pm

Quando escrevi o post os meus alunos, recebi muitos elogios e não me senti muito à vontade. Infelizmente, nem tudo é rosa. Então decidi escrever os meus alunos II, para que soubessem qual o reverso da medalha. Porém, não queria que pensassem que ensinar é um pesadelo. Daí este último post sobre os meus alunos, para recolocar as coisas nos seus lugares.

Na verdade, nem tudo é preto nem tudo é branco. No Ensino, os dias estão matizados por todas as cores. Certos dias, alegres, com cores vivas; outros dias, tristes, bem cinzentos e ainda, muitos dias, harmoniosos, em tons pastel.

Quis escrever o óptimo e o péssimo para que compreendessem que ser-se professor em Portugal é certamente uma tarefa difícil e complicada, mas quando se gosta do que se faz, pode tornar-se óptimo e agradável.

Não posso dizer que sempre corre bem por culpa dos alunos, às vezes, também não estou com paciência ou dói-me a cabeça e não me apetece sequer aturá-los. Não pensem que só os alunos são indisciplinados, os métodos, as matérias e as escolas nem sempre são os melhores. Há professores… bem que podiam ficar em casa a plantar batatas na banheira. É o que se tem e não havendo condições, tento sempre dar o meu melhor.

A maior parte das vezes ando carregada de livros.
Como posso falar de arte se nunca viram nenhuma pintura? Então levo todos os livros que andei a coleccionar da Taschen para que possam ver.
Como posso falar que há sempre um poema que eles possam vir a gostar, se na escola não há livros? Então levo todos os meus livros de poesia.
Se quero falar de Homero, e das suas Ilíada e Odisseia, levo o portátil para que possam ver o filme Helena de Tróia.
Sei que sou das poucas que se dá ao trabalho de partilhar as próprias coisas com os alunos, mas para se poder ensinar a paixão por algo, é preciso mostrar-se a própria paixão que está cá dentro.

Todos os anos, dizem-me que não gostam de ler.
Todos os anos, dizem que não sabem nem gostam de escrever.
Todos os anos, pegam nos meus livros e folheiam-nos primeiro, depois lêem. Às vezes, até os levam para casa e devolvem-nos sempre.
Todos os anos, escrevem muitas folhas A4 de textos, sem darem por ela e ficam sempre a escrever um pouco melhor.

Sei que não lhes ensino muitos conteúdos.
Sei que não ficam mestres em gramática e que vão continuar a dar erros.
Mas pelo menos, todos os anos, consigo transmitir um pouco de paixão pela língua portuguesa, pelos seus autores, pela beleza das suas paisagens e pelas particularidades das suas gentes.
Acabo sempre por ficar contente com os resultados, por isso, não se preocupem comigo, dou bem conta do recado! Assunto encerrado…

 

os meus alunos II (o reverso da medalha) 15/07/2005

Filed under: educação,jacky — jacky @ 3:43 pm

Os meus alunos
(agora já nem tanto, mas também já foi assim, quando dei aulas no ensino oficial e num colégio particular)

* fazem-me a vida negra nos dois primeiros meses de aulas porque, como pareço ter a idade deles, julgam que podem abusar.

* medem forças comigo, sendo por vezes mal-educados e agressivos, até cederem ou eu ter de os pôr na rua.

* faltam muito, chego a ter 4 alunos durante duas horas.

* alguns drogam-se e, à tarde, é simplesmente insuportável aturá-los, mas em geral tenho a sorte de ter aulas de manhã quando estão mais calmos.

* estão-se a borrifar para as matérias que estou a ensinar, entra-lhes a 100 e sai a 500.

* passam as aulas agarrados aos telemóveis, a mandar mensagens e não ligam nenhuma ao que estou a dizer.

* recusam-se a ler alto, a escrever ou a fazer os trabalhos que lhes peço.

* nunca estão satisfeitos com nada e protestam seja qual for a actividade, mesmo se for um jogo.

* insultam-me fora da escola, depois de os ter apanhado a copiar e de lhes ter anulado o teste.

* atiram-me com os livros ao chão, quando os mando mudar de lugar porque estão a fazer barulho, e é porque não me podem atirar os livros à cara.

* escrevem-me em composições, nos testes de avaliação, que daqui a 10 anos, querem ter uma casa de alterne porque isso é que dá dinheiro.

* têm o meu nº de telemóvel e, quando acabam o ano, ficam de dar notícias e nunca mais dizem nada. Quando sou eu a mandar sms a perguntar se estão bem, a maioria nem sequer se dá ao trabalho de responder…

* fazem queixa de mim aos coordenadores de turma, porque ficam com inveja de eu não marcar falta aos que chegam atrasados.

* atiraram-me com papéis nas costas, quando estava a escrever no quadro.

* ameaçaram apresentar queixa contra mim porque, merecidamente, lhes dei uma nota baixa por incumprimento de trabalhos, mas não o admitem.

* criticam as minhas roupas, quando pensam que eu não estou a ouvir.

* chegam a detestar-me sem qualquer motivo e olham para mim como se me fossem dar uma tareia lá fora.

* julgam-me por todos os motivos e mais alguns, apenas porque não me encaixo nos seus padrões de beleza, riqueza ou status.

* pedem-me satisfações pelas notas que dou, comparando-se com os colegas e inclusive contando-me coisas que possam vir a prejudicar os colegas.

* pedem por tudo o que tenho na vida para ir a um passeio com eles de 3 dias, deixando o filhote com o pai, e depois agradecem-me portando-se como uns anormais até ao fim do ano.

* engraxam-me o ano inteiro e depois, quando acabam as aulas, passam por mim e fazem de conta que não me conhecem.

* passam por mim, bêbados na rua, ao fim de semana, e tentam agarrar-me.

* falam para mim com altivez como se eu fosse uma inútil porque não faço parte da sua classe social nem tenho um telemóvel topo de gama.

* não gostam de mim e fazem com que o sinta em todas as aulas e eu acabo por deprimir porque deixo de gostar deles e não sei ensinar bem se não criar laços afectivos com eles…

Não esquecer também que o meu trabalho é desprezado neste país porque não há instabilidade nem os professores têm poder para se impor nas aulas, senão levam logo com uns processos em cima (não é, Gotinha e cap?). Então, como tenho um filho que anda na escola e nao posso estar a desenraizá-lo todos os anos lectivos porque posso ficar a dar aulas no cu de Judas, desisti do ensino oficial e ensino em escolas de formação profissional.

No ensino profissional, também não há segurança porque se trabalha a recibo, paga-se a própria segurança social mesmo que as escolas se atrasem a pagar ou não se ganhe nada em algum mês, nunca se sabe bem ao certo se as escolas nos voltam a convidar para as turmas novas ou se terão turmas novas porque parece que a formação profissional vai acabar,mas pelo menos estou perto de casa.

Os meus pais invariavelmente dizem-me que sou teimosa em continuar a ensinar neste país, que é capricho meu, que com as minhas capacidades e competências que podia ser o que quisesse e que devia, mas é desistir, porque daqui a pouco tenho é que pagar para ensinar…

Pronto, esse é o reverso da medalha. Daqui a uns meses vão acabar 2 turmas e vou ficar com pouquíssimas horas. Se calhar, vou ter mesmo de desistir e começar de novo noutra área qualquer, mas nem quero pensar nisso, em Outubro, depois vê-se…

 

Os meus alunos 14/07/2005

Filed under: educação,jacky — jacky @ 3:40 pm

Os meus alunos:

* dizem palavrões frase sim frase sim, mas hoje, fizeram questão de estarem em silêncio um minuto pelas 12h, em homenagem às vítimas do atentado de Londres.

* não sabem que a Venezuela não fica na Europa, mas sabem todas as potencialidades todas do meu carro.

* dão solhas uns nos outros, mas deixam-me sempre passar à frente.

* já viram os últimos videos a decapitarem pessoas e alguns pornos, mas não sabem o que quer dizer incesto nem libertinagem nem volúpia.

* comem atum com azeitonas nas aulas onde estão proibidos de comer, mas nas minhas em que podem, só comem bolachas e pedem sempre primeiro se podem.

* pensam que foi o Picasso que pintou a Mona Lisa, mas sabem todas as potencialidades dos telemóveis.

* dizem barbaridades do género: o macho da baleia é o tubarão, mas dão-me aulas sobre música techno e hiphop.

* ficam com os olhinhos a brilhar quando lhes levo smarties ou lhes gravo uns cds e retribuem com desenhos e brindes dos bolicaos e pacotes de batatas fritas para o meu filhote.

* ficam felizes quando lhes mando sms e reparam quando venho com uma roupa nova e/ou pinto as unhas dos pés.

* retribuem os meus sorrisos com beijinhos (as raparigas) e com um aperto de bacalhau (os rapazes).

* viram o Hércules versão Disney e quando ouviram poção mágica, perceberam porção mágica, mas como vêem que eu não os gozo por não saberem, perguntam-me tudo e adoram que lhes explique as coisas a contar histórias.

* não ligam nenhuma a gramática, mas adoram jogar ao stop, que, no sumário, fica registado como actividade lúdica de enriquecimento vocabular.

* chegam quase sempre atrasados mas aparecem e esperam muito tempo por mim, se for preciso, se eu me atrasar e nunca se recusam a ir às aulas.

Os meus alunos não são sobredotados, alguns têm dificuldades graves de aprendizagem como dislexia e QI muito baixos, vêm de famílias desconchavadas e de meios pobres. Alguns chegaram a não ter dinheiro para almoçar e a vir a pé de casa porque não tinham dinheiro para os transportes. Alguns ainda falam comigo no messenger e contam-me os seus desgostos de amor. Os meus alunos não são o aluno médio português. Os meus alunos vão ser os futuros mecânicos, técnicos informáticos, de electrónica e de qualidade, e cabeleireiros deste país. Os meus alunos não teriam bons resultados nos exames nacionais, mas tenho a certeza que, daqui a uns anos, quando me virem na rua, não mudarão de passeio e vão ficar contentes por me reverem e me contarem a vida deles.

Gosto muito dos meus alunos e eles retribuem-me bem 🙂