Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

Carta à minha Dina 09/07/2009

Filed under: amizade,cartas da jacky — jacky @ 1:02 pm

A minha Dina é um fenómeno da natureza. Se tivesse de encarnar um elemento da natureza seria o fogo: perpétuo vulcão. Se fosse um sentimento, seria a alegria contagiante.

A minha Dina, quando ri, dá gargalhadas que entusiasmam a pessoa mais depressiva do mundo. Quando reconforta alguém, usa palavras divertidas que bem-humoram qualquer um.

A minha Dina é amiga dos animais e os animais sabem-no bem. Tem alma generosa e fiel como os cães, tem temperamente alegre como os pássaros, é independente como os gatos e é luminosa e colorida como um papagaio.

A minha Dina não se deixa influenciar pelas limitações do corpo nem pelas tristezas da alma.

A minha Dina é um fenómeno da Natureza e eu fico feliz por tê-la presente na minha vida!

Obrigada, Dina.

Beijinhos

Jacky

(09.07.2009)

 

Carta à minha Katita 03/06/2009

Filed under: cartas da jacky — jacky @ 10:03 am

Querida Rita

Escrevo-te esta carta para te dizer o quanto gosto de ti. Sabes que gosto de ti como tu és?

Gosto de ti porque és muito competente e profissional em tudo o que fazes, seja em ser dona de casa, seja em atender o público onde trabalhas, seja em administrar grupos no flickr. Gosto de ti quando estás com o tau e pões toda a gente a mexer. Gosto de ti quando cedes ao teu lado infantil e tirar fotos às tuas Blythe onde quer que te apeteça. Gosto de ti quando não me ligas. Gosto de ti quando me contas as histórias incríveis da tua vida (um dia, ainda dá um livro). Gosto de ti e dos teus caracóis. Gosto de ti e da tua franqueza espantosa. Gosto de ti quando ficas aflita por teres atropleado uma ovelha que saltou dum muro para cima do teu carro. Gosto de ti e da tua forma carinhosa de ser. Gosto de ti como amiga e acho que também gostaria de ti como inimiga. Gosto de ti por tudo isto e muito mais.

Gosto tanto de gostar de ti…

Jacky (03.06.2009)

rita katita

 

Carta aos meus filhos 12/05/2009

Filed under: cartas da jacky — jacky @ 9:27 am
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mario & sara

Mário e Sara,

Todos os dias, deveria dizer-vos o quanto vos adoro e nem sempre o digo.

Todos os meus gestos, coincidem nesse sentido. Sempre que lavo e passo a vossa roupa, penso em como estas calças te ficam bem, Mário, ou como esse babygrow tornam os teus olhos mais claros, Sara.

Quando, oiço todas essas palavras que inventas e os nomes que crias para os teus amigos, fazes-me rir, Mário. Quando olhas com uma atenção maravilhada, o mundo que te rodeia, Sara, tento limpar a minha mente de preconceitos e ver o mundo com um novo olhar.

Penso no que estarás agora a fazer, Mário. Estás nas aulas e será que estás com atenção à matéria ou às palhaçadas dos teus colegas? E tu, Sara, quando estás a dormir, penso de como serão os teus sonhos, minha filha, suaves como a tua pele de bebé.

Quando te ris, os olhos iluminam-se  e as covinhas do teu rosto dão-te um ar matreiro, Mário. E a Sara, quando se ri, adoro ver as suas gengivas sem dentes, sem vergonhas nem preconceitos.

Quando consigo dar-te algo que desejavas, Mário, e vejo a tua cara iluminada de felicidade, fico toda derretida. E tu, Sara, sinto como carícias os teus dedos nos brinquedos que crio para ti e com os quais tu gostas de brincar.

Mesmo quando criticas a comida que cozinhei para ti, sei que comes com gosto, Mário. E tu, Sara, ainda estás a aprender a comer as tuas papas e sopas, enches-nos de papa na cara, nas mãos e na roupa. Agarras a colher como se fosse o maior desafio da tua vida e eu gosto de fazer parte dele.

Amo-vos mesmo quando não olham para mim, não me sorriem, não me dão sossego, nem me deixam dormir.

Para mim, serão sempre os mais lindos, os mais inteligentes, os mais divertidos e os mais brilhantes porque são meus e parte de mim.

Adoro-vos, Mário & Sara…

Escrito pela mamã jacky a 12/05/2009

 

Carta à minha amiga das linhas e dos bolinhos 05/02/2009

Filed under: cartas da jacky — jacky @ 5:11 pm

Querida Linhas & Bolinhos

A vida tem-me ensinado que nada acontece por acaso. Certos desgostos acontecem para darmos valor ao amor. Certos fracassos fazem-nos saborear cada conquista nova. Isso para quem pensa apenas em grandes feitos, quando queremos grandes cenas de filmes épicos na nossa existência…

E depois, há aqueles gestos quase invisíveis, os sorrisos que passam despercebidos, aquelas palavras que parecem perder-se nos burburinhos, uma série de pequenos pormenores que julgamos sem importância mas que não o são.

A nossa amizade começou assim. A tua cara laroca encantou-me. Saiu-nos na rifa uma troca no flickr. Adorei a tua habilidade para a costura e tu a minha letra. Foi atracção mútua, penso eu. Trocámos emails e telefones. E um laço saído da internet tornou-se capital para mim. Quando fiquei grávida, mandaste-me fazer as ecografias a um determinado lugar e segui o teu conselho. Quando finalmente, fui ao obstetra ele disse-me que só me aceitaria se tivesse feito as ecos naquele lugar… E assim passei a ser sua paciente. Fiz um parto excelente no hospital com o Dr Rui Viana. Se não nos tivéssemos conhecido, ter-se-iam as coisas desenrolado dessa forma?

Nada acontece por acaso. Pequenos gestos são tão influentes como grandes feitos na vida de alguém. Tu fazes parte das pessoas que hei-de guardar para sempre juntinho do meu coração, porque foste determinante para que a vinda da minha filha Sara ao mundo corresse da melhor forma. E o mais giro é que nem sequer nos encontramos ao vivo e a cores…

Eu acredito nos pequenos gestos, nos sorrisos e nas palavras de todos os dias, por isso tento sempre dar o meu melhor todos os dias, mesmo a quem não conheço. Quem sabe de estes meus pequenos gestos serão, um dia, geradores de grandes feitos?

Obrigada, Claudia, por existires.

Beijinhos

Jacky (05.02.2009)

 

Carta à minha amiga Rosita 13/01/2009

Filed under: amizade,cartas da jacky — jacky @ 11:59 am

Rosita,

Sem te conhecer pessoalmente, chamei-te Rosita, como a mana mais nova do Ruca. Achei que te ficava bem. O pouco que conhecia de ti fazia-me lembrar as rositas de Santa Teresinha, que além de serem muito mimosas, têm o perfume que mais me encanta. Muitas vezes, ando a passear na rua e de repente algo me faz levantar o nariz e parar, trazendo-me boas recordações, e quando olho para cima, vejo as rositas de Santa Teresinha a acenarem-me com o seu perfume.

Podias ser uma rosa rara, de coleccionador, porque tens raça. Não fazes nada de especial para isso, nasceu contigo. Há muita gente que anda pelo jet set a tentar por todos os meios ter essa elegância natural que emana de ti, nem sei porque se esforçam, a raça vem de dentro, não é um adorno que se veste por fora.

Por qualquer acaso, foste tu que me descobriste e me mimaste sem me conhecer, assim como as rositas de Santa Teresinha quando ando na rua. O acaso foi feliz. Ficámos amigas…

Hoje é um dia especial, fazes anos. Que sejas mimada por todos aqueles que reconhecem o valor das rositas quando passam por elas na rua. Que o aroma da amorizade perfume todos os teus dias!

Com amorizade

Jacky (13.01.2009)

 

Carta aos meus leitores 03/01/2009

Filed under: cartas da jacky — jacky @ 10:27 am

Caros leitores

Se eu quisesse escrever apenas para mim, poderia alinhavar umas palavras num bloco ou até modernamente num ficheiro word do meu pc. Mas não, gosto de escrever e de ser lida, por toda a gente mesmo por aqueles que interpretam mal as minhas palavras e até por aqueles que copiam os meus escritos e dizem depois serem seus. É um risco que se corre quando textos são publicados na Internet e não me importo.

Depois há àquelas pessoas que vão criando laços com as minhas palavras porque se revêm nelas, porque as fazem sentir felizes, com esperança, porque simplesmente se ligaram a mim e gostam de cá vir espreitar-me como se visita uma amiga. A Amorizade é um sentimento bom que oscila entre a Amizade e o Amor, que cativa pela sua doçura e amenidade. Penso ter feito muitos «amoramigos» por aqui.

Há também pessoas que ajudei com as minhas palavras, apenas através destes textos, mas também através de troca de emails e de palavras no messenger. Muitas pessoas sentem-se sós neste mundo, incompreendidas, abandonadas por todas e fico feliz quando as minhas palavras as fazem sentir menos tristes e mais acarinhadas.

Algumas pessoas acham que tudo o que escrevo é autobiográfico ou que se refere sempre a pessoas em particular. Outras acham que tenho muita imaginação e que é tudo inventado. Na verdade, as minhas palavras tanto são reais como imaginadas. Já dizia Fernando Pessoa no seu poema: «Autopsicografia», que o poeta é um fingidor porque ao escrever a dor que sente já não é exactamente a mesma coisa o escrever e o sentir e depois o leitor também não sente a dor sentida nem escrita do poeta mas aquela que já sentiu ou pensa ter sentido.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Muitos textos que escrevi falam das minhas experiências, das minhas emoções e dos meus sentimentos, mas outros tantos referem-se a pessoas que crio na minha mente e a quem invento experiências, emoções e sentimentos. Não se deixem enganar quando lêem um blogue, nem tudo o que se escreve é autobiográfico ou está ligado a pessoas que conhecemos. Se assim fosse, todos os policiais teriam de ser escritos por detectives e todos os livros de terror teriam de ser criados por psicopatas…

E agora que falei da escrita em si, quero agradecer-vos estes dias, meses e anos de partilha, todas as vezes que os vossos dedos carregaram no teclado para chegar até a um ecrã de amorizade. É por vocês que arrisco escrever mesmo sabendo que se é copiado, distorcido e até incompreendido, porque vale sempre a pena, nem que seja por uma pessoa apenas a quem a amorizade tornou feliz por uns momentos.

Muito obrigada e que 2009 vos traga muitos momentos felizes de Amorizade minha e vossa!

jacky (03.01.2009)

 

Carta a uma amiga perfeita 02/01/2009

Filed under: cartas da jacky — jacky @ 1:41 pm

Amiga (pelo menos da minha parte)

Ficámos amigas há algum tempo, talvez por termos gostado da personalidade uma da outra. Gosto de todo o estilo de pessoas, simples e complexas, simpáticas ou tímidas, amáveis ou distantes, e de vez em quando, há pessoas que se destacam das outras por parecerem muito melhores que a maioria.

És sem dúvida uma dessas pessoas que se destaca pela inteligência, pela cultura muito acima da média, pelo civismo e tantas outras qualidades que seria inútil referir agora. Não há nada que não saibas, não há nada que te escape, tens opinião sobre absolutamente tudo. Não há dúvidas que admiro todas estas tuas qualidades.

A verdade é que não há pessoas perfeitas. O teu reverso da medalha é que tanta informação e tanta inteligência também não te tornam mais feliz. O mundo e as pessoas fazem-te infeliz porque não obedecem a uma realidade que esculpiste a régua e a esquadro, milimetricamente perfeita. Crias expectativas acerca das pessoas que não correspondem porque não são simplesmente como tu. Ficas à espera que reajam como tu queres e quando não o fazem, esfrias até arranjar maneira de cortar com elas. Chegas inclusive a criar confusões e conflitos por onde passas porque exiges aos outros que encaixem na tua realidade perfeita e, evidentemente, a maioria não cabe dentro.

Connosco foi assim. Criaste muitas expectativas comigo, quiseste que eu fosse como um alter-ego, mas não deu. Sou muito diferente de ti, muito menos informada, menos culta, menos controlada. Não duvido que sejas muito melhor que eu na maioria das coisas. Sou o que sou e venho de onde venho. Sou uma filha de emigrantes que viveu num bairro social muitos anos e que teve uma educação pública generalista e não tenho vergonha nenhuma de o assumir. Ver como as pessoas carenciadas vivem tornou-me muito mais tolerante relativamente ao mundo e às pessoas. Tive amigos que se meteram na droga, amigas que engravidaram aos 16 anos, amigos da minha idade que já morreram há anos por se meterem em rixas ou por doenças graves, convivi com pessoas que dizem palavrões palavra sim palavra não e todas essas pessoas contribuíram a mulher que sou hoje.

O mundo não é perfeito. As pessoas sentem-se cada vez mais infelizes e sós. As pessoas têm os seus imensos defeitos devido a infâncias complicadas e por causa de todos os problemas por que passam. Se tivesses convivido com essas pessoas, talvez fosses mais tolerante com as imperfeições de todos nós. E mais ainda, talvez fosses mais feliz se fosses capaz de viver cada dia que passa sem regra nem esquadro, sem rede nem expectativas. Viver acreditando na esperança de cada novo dia…

Sei que não vais ler esta carta porque cortaste comigo ainda hoje não sei bem porquê. Fiquei com pena, pois sei que tu és quem mais sofre. Um dia, talvez te lembres de mim e se quiseres voltar a conviver comigo, é só dizeres…

Que o próximo ano te dê muitos dias novos de esperança…

jacky (02.01.2009)

Foto daqui