Dizem que as palavras são cristalinas como um rio acabadinho de sair da nascente. Descem pela encosta, saltitantes e risonhas, piscando o olhos aos salmões que as tentam comer. Aqui e ali, chocam contra os ursos pardos que não as querem.
Dizem que as palavras são charmosas como as flores que embalsamam o ar na Primavera, vestidas com as suas pétalas mais luminosas. Ondulam suavemente ao vento, sobem às árvores e avistam as nuvens velozes ao longe.
Dizem que as palavras são pesadas como a torrente que engrossou em dia de tempestade. Ferem quem as ouve e quem as diz, palavras que saem sem controlo, selvagens.
Dizem que as palavras não são fáceis quando toca a emoções, que não correspondem ao que é sentido. Ficam paradas na mente sem quererem revelar-se no exterior, secretas e escondidas.
Dizem que as palavras são fáceis para mim e são. Saltam dos meus dedos para o papel, para o teclado, inspiradas, fáceis, mas quando olho nos teus olhos ficam presas pela trela e nada digo…
01/06/2015
(Devaneio inspirado nesta canção de FR David – Words)








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