Amorizade

Impávido…

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Quando estava no 12º ano, tinha uma turma muito diversificada, desde grandes crânios a poetas, responsáveis e amalucados. Havia um rapaz que se chamava João Pedro que estava sempre com aquela cara que agora está na moda referir-se como «impávido e sereno». Ele estava sentado perto de mim mas passava despercebido. Talvez fosse tímido, talvez não gostasse de ser o centro das atenções, talvez estivesse habituado a ter essa cara por qualquer motivo que desconheço.

Os dias foram passando, fomos estudando e o ano lectivo estava quase a acabar. Um dia, a professora de Francês em vez de nos atazanar com o «imparfait du subjonctif» decidiu pôr-nos a cantar «Ne me quitte pas» de Jacques Brel. No início, estávamos pouco à vontade mas depois ganhámos o gosto e foi então que vi o João Pedro pela primeira vez, com olhos de ver (desculpa a redundância). Ele cantava muito bem. Mais! Ele sabia a canção de cor e cantava-a com alma. Aquele rapaz afinal também sentia e eu estava a gostar tanto de o ver assim. Parecia vivo, parecia outro! A partir daí, deixou de ser o João Pedro impávido e guardei na memória esse momento dele.

E este bláblá para quê, perguntas tu? Porque queria dizer-te que não vale a pena mascarar as tuas emoções e os teus sentimentos. As pessoas não gostam de histéricos, mas também não apreciam pessoas impávidas que passam despercebidas. Fala! Ouve! Sorri! Ri alto! Chora! Bate palmas! Dança! Rodopia! Dorme! Pára! Acorda e vive!

Jacky (20.06.2010)

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