Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

Considerandos sobre o amor (83) 01/12/2009

Filed under: considerandos sobre o amor — jacky @ 10:45 pm

Desordem

A desordem insinua-se sorrateiramente… Um objecto deixado aqui, um casaco pousado ali, uma caneta na casa de banho, uma coisa por acolá. São como rastos de ti, dele, dela, de mim; rastos que já ninguém reconhece como seus . O tempo arrasta-se, o acumular de coisas que estão fora do sítio desanima. Já não apetece arrumar. Tudo deixa de ter lugar certo e passa a morar nenhures. A desordem instalou-se. Não que se queira ter a casa primorosamente organizada, pois o lugar mais ordenado do mundo é sem dúvida o cemitério. A desordem faz parte de se estar vivo. O ser humano não se comporta como uma máquina. Mas quando é em exagero, não será sinónimo de uma certa agitação interior? Uma espécie de sinal exterior do que se passa no interior? Às vezes, chegamos à conclusão que precisamos de virar a página, de encerrar assuntos difíceis, de completar o que está inacabado e de simplesmente desistir de outras coisas, fazer uma triagem e deitar fora o que não necessitamos…
Como fazer? O melhor é começar pela casa: uma divisão de cada vez, coração ao alto e deitar fora, não transferir as coisas de uma divisão para a outra, sem arrumos nem sótãos tão jeitosinhos para se esconder segredos e adiar decisões… Acabar com a desordem é simplificar o que é complicado. No fundo, é dar espaço, um bem-estar minimalista que nos deixa então tempo para apreciar os pequenos prazeres da vida.
Que tal começar hoje com o acabar da desordem externa? Numa casa arrumada, medita-se melhor, há mais tempo para amorizar…

Jacky (01.12.2009)

 

3 Responses to “Considerandos sobre o amor (83)”

  1. Alexandre Says:

    Adorei a sorrateirice da desordem😀

    No meu caso, só reconheço esse tipo de desordem como sendo exagerado quando não consigo mais encontrar algo que procuro. Até lá, vejo na desordem um ambiente mais acolhedor e em que facilmente me sinto melhor, que numa divisão minimalista ou meticulosamente organizada que pode ficar muito bem na fotografia ou como montra, mas facilmente reflecte um ambiente “frio” onde só faltam os sinais “não tocar”.

    Concordo que nos devemos libertar de coisas acumuladas e que se tornaram inúteis. Se falta motivação para o fazer, que seja apenas porque custe desfazer delas (pela afeição) e não por outro motivo qualquer, afinal de contas o lar é o nosso espaço particular e importante é que nos sintamos bem dentro dele. Mas se tem que ser, pois mãos à obra! Um dia também será a minha vez… de novo😉 Depois chamo o bombeiros..😆

  2. Ana Says:

    Leio-te há muito mas nunca te escrevi. Parabéns pelo aniversário, mas foi hoje especialmente este post que me levou a escrever por partilhar contigo esta sensação na “desordem”. Logo hoje que tinha decidido fazer “greve de mãe (e de mulher)” quando entrei na cozinha de manhã e vi a tal da desordem que ficou de ontem á noite já depois de eu a ter arrumado e ido dormir. Nem sei que faça! Arrumo-a ou deixo-a estar para que eles sintam também que ela se instalou? Sabes, nós mulheres somos parvas e não a suportamos mas eles os “amigos da desordem” até gostam de a ter por perto, não será?
    Bjs e continua
    Ana

  3. jacky Says:

    Os bombeiros são uma excelente ideia Alexandre😆

    Ana, obrigada por comentares, e eu compreendo perfeitamente o que queres dizer, há uma carga estupidamente pesada sobre os nossos ombros acerca dessa mesma desordem, um dia temos que ter se calhar a coragem de deixar instalá-la durante vários dias a ver se começam a dar o valor do que nós fazemos todos os dias…


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