Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

Considerandos sobre o amor (63) 19/03/2007

Filed under: considerandos sobre o amor — jacky @ 11:03 pm

Os pequenos gestos

Charles-Schulz

Quantas pessoas se podem dar ao luxo de dizerem que são íntimos de heróis? De pessoas destinadas a grandes feitos? De pessoas que ganharam prémios valiosos? De pessoas que são famosos em todo o mundo? Muito poucos! E seremos menos felizes por isso? O que nos liga aos outros afinal? Não serão os pequenos gestos? Aquelas pequenas coisas que as pessoas fazem todos os dias e que mostram que estão presentes na nossa vida?

No meu prédio, mora muita gente, mas quase todos os dias me lembro de um vizinho que faleceu de repente de um ataque do coração. Não falava com ele mais do que falava com outros. Não era especialmente bonito nem era um orador nato. Não se destacava dos outros pelo tamanho nem pela força. Porém, todos os dias, recolhia as publicidades que as pessoas não levavam para casa, que simplesmente remetiam por cima das caixas do correio por comodismo, e levava-as para o papelão. Quase todos os dias, lembro-me do meu vizinho quando vejo as publicidades caídas das caixas do correio. Lembro-me dele, por causa dum pequeno gesto, embora não tenha dado os sentimentos à família quando faleceu nem de ter ido ao velório, porque não estava no Porto naqueles dias.

Benditos os pequenos gestos que não deixam cair no esquecimento aqueles que estimamos… E tu, que pequenos gestos recordas com saudade?

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12 Responses to “Considerandos sobre o amor (63)”

  1. Paulo Says:

    Só os pequenos gestos contam, são esses que lembramos, são esses que nos obcecam.

    São os pequenos jestos que decidem que par se mantêm e qual se desfaz. Não são as grandes questões que nos fazem ser grandes amigos ou inimigos.

    São coisas simples como a forma como tratamos a escova de dentes, ou como se deixam as meias.

    São coisas simples como ” a mãe que faz a trança a filha…”

  2. fairyGi Says:

    Um pequeno gesto que recordo com muita saudade, também é dum vizinho, melhor de uma vizinha! Quando morava no bairro a vizinha da frente, era uma senhhora já com alguma idade, que no dia da criança, todos os anos, fazia pipocas, metia em saquinhos e oferecia às crianças do bairro!! Eu achava as pipocas uma coisa especial, que só os mais entendidos sabiam fazer!!! E a verdade, é que mesmo agora, que as pipocas já perderam o mistério, nenhumas me souberam tão especiais como aquelas!!!

    mil beijinhos

  3. wind Says:

    No ano passado, na passagem do ano de 2005 para 2006, o casal de vizinhos que mora ao meu lado batei à minha porta e ela deu-me fatias douradas e ele uma garrafa de champanha.
    Fiquei de boca aberta, emocionada, sem saber o que dizer.
    Foi um pequeno Grande gesto! 🙂

  4. Noite Says:

    Eu recordo com saudade o tempo em que vivia num prédio pequeno e sabia o nome de todos os meus vizinhos e dos seus filhos e andávamos sempre em casa uns dos outros, ou no pátio a brincar. Hoje em dia não é assim, vivo num prédio enorme, altamente despersonalizado, em que as pessoas entram no elevador e nem os bons dias dão e os meus filhos só vão brincar para casa dos vizinhos do lado, que são os únicos miúdos que conhecem. A vida na cidade perdeu todo o sentido, todo o calor.
    Isto não vem muito a propósito do teu post… ou até virá… será que dar os bons dias aos vizinhos hoje em dia não se tornou infelizmente num grande feito?

  5. cc Says:

    Em relação aos vizinhos há coisas que pensamos que são de grande modernidade como se fossem evoluções, mas na realidade são retrocessos, aqui ao pé de Benfica em Lisboa mais propriamente em Telheiras nasceu um condominio da EPUL : ‘Aldeia de Telheiras’ sao casas baixas geminadas que tentam simular uma aldeia no meio de Lisboa… quem diria que a ideia de aldeia fosse coisa retrogada ou mesmo o comercio tradicional verso comercio dos hipermercados… o que conta no fim de tudo é se as pessoas sao felizes e a felicidade precisa para além de muitas coisas da proximidade de pessoas & afectos coisa que mais facilmente se conseguia com uma aldeia ou na lojinha do bairro

  6. fábula Says:

    olha…. ocorre-me dizer-te que os nossos animais de estimação, têm por vezes gestos para connosco que muitos seres humanos seriam capazes de ter! pode parecer parvoíce, mas foi o que me ocorreu e… enfim… vou-me com um sorriso que o teu texto me deixou! 😉

  7. fábula Says:

    olha…. ocorre-me dizer-te que os nossos animais de estimação têm, por vezes, gestos para connosco que muitos seres humanos NÃO seriam capazes de ter! pode parecer parvoíce, mas foi o que me ocorreu e… enfim… vou-me com um sorriso que o teu texto me deixou! 😉

  8. Olha amiga por serem pequenos não me recordo de nenhum em particular.
    Um beijinho do Raul

  9. mari Says:

    Ouvir alguém de quem gostas dizer-te um bom dia com um sorriso daqui até o fim do mundo e o teu dia ser melhor por causa desse “pequeno” grande gesto.

  10. Heróis… pelo menos figuras modelares: um professor de Português no 9º ano sem as duas mãos devido a um acidente, que o mito dizia ter sido para salvar alguém de morrer.
    Uma turma complicadíssima na segunda metade dos anos 70 na Margem Sul – imensos processos disciplinares, insucesso de quase 90% no fim do ano – mas todos com um imenso respeito por aquele homem que nunca, mas por nunca ser se valeu do seu problema para deixar de se impôr.
    E para me dizer que por muitos 5’s que eu tivesse a Matemática, a minha vida deveria passar pelas Letras.
    Nos tempos que correm se calhar não chegava a titular.

  11. alex do blog Says:

    Pequenos gestos?

    Será q dar uma massagem inocente a uma amiga conta? A satisfação e a confiança dela contam? A inocência, apesar da nudez. Tenho imensas saudades desses pequenos gestos.

    Naquele tempo, julgava q jamais iria passar daqueles pequenos gestos. E se nao fosse a net, nao passaria mesmo.

    Na minha casa antiga no Porto era eu q tinha de por no local certo as cartas q o carteiro punha no sitio errado e na casa errada! Enfim… as pessoas sao muito comodistas.
    Mas eu sempre considerei isso o meu dever. Acho q as pessoas nao fazem é o q lhes competem. Enfim… quem faz o q deve acaba por ser estranho por isso… mas esta conversa levava-nos longe…

  12. jacky Says:

    Adorei ler os pequenos gestos que vos marcaram, mesmo se nem sempre são os mais vistosos…

    Beijinhos Paulo, fairigy, wind, noite, cc, fábula, congeminações, mari, Paulo Guinote e alex do blog 🙂

    Fábula, porque será? 😉


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