Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

Carta 05/02/2007

Filed under: contos da jacky — jacky @ 9:00 pm

Ele voltava a casa depois de mais um dia de trabalho. Casa… Não sabia bem se podia chamar a esse apartamento quase vazio de casa. Era apenas um lugar de chegada e partida como um aeroporto mas sem a confusão. Costumava sentar-se no sofá e ver televisão até embrutecer, para não pensar, não sentir a ausência de tudo. Vivera muitos anos atormentados com presenças invasoras da sua liberdade e agora que era livre, sentia-se profundamente só.

Entrou no prédio e foi à caixa do correio, só para ver qual era a conta que era para pagar desta vez. Um envelope branco sem remetente nem destinatário chamou-lhe a atenção. Pegou nele, enfiou-o na pasta e esqueceu-se dele. Entrou em casa. Silêncio… Acendeu a televisão. Notícias, sempre as mesmas. Foi ao frigorifíco e fez uma sandes. Não lhe apetecia cozinhar. Comeu-as em frente ao caleidoscópio de imagens do noticiário para aparvalhar a populaça. Mais uma vez, adormeceu sem convicção.

Quando acordou, já passava das 2h. A caminho da cama, tropeçou na pasta e o envelope caiu ao chão. Pousou-o ao lado do colchão que lhe servia de cama. O sono espalhou-se. Deu voltas e mais voltas. Acendeu a luz. Bebeu água. Pegou então no envelope já que não tinha mais nada que fazer…

Era uma carta e dizia assim:

Basta uma palavra tua para acabares com essa solidão. Basta ligares-me hoje até à 1h e amanhã, quando chegares do trabalho, estarei eu à tua espera, com aquela mini-saia que só uso para ti e de que tanto gostas. Estarei com as meias de ligas e aquela camisola decotada que torna o meu peito cativante. Dou-te um beijo, bem quente e tu enrolas os braços no meu corpo como uma cobra à volta da sua presa. Passas-me a mão pelo corpo, na parte da coxa que fica descoberta. Surpreendes-te. Estou sem cuecas e sentes-me…
E mais não digo, deixo a tua imaginação voar pelo meu corpo. Fico à espera até à 1h. Se não ligares, minha vida seguirá outro rumo. Adeus ou até sempre.

Levantou-se de repente e pegou no telemóvel. Já não entrou sequer na caixa do correio. Aquele número era inexistente.

Jacky (03.01.2006)

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7 Responses to “Carta”

  1. jodoas Says:

    Talvez não se tenha lembrado daquela vizinha provocante
    que nunca o conseguira seduzir. Imaginação não te falta cara amiga. Um beijinho do Raul

  2. Yuki Says:

    Talvez e apenas fosse um achocolhar da sua inércia com a vida.
    O fazer-lhe lembrar que ha mais que fiar inerte frente ao televisor… mesmo que não passem de sonhos.

  3. cc Says:

    deixa estar novas cuecas virão lol, o mundo está cheio de cuecas …

  4. wind Says:

    lol, história muito bem contada, adorei aquela parte “o sono espalhou-se”, e com um final muito mauzinho.lolol.

  5. fairyGi Says:

    Excelente!!!! Adorei o final!!! è mesmo para nos lembrar que às vezes as oportunidades estão ao alcance da nossa mão… se não estivermos colados na televisão!!!!!

    BJ

  6. eeeemaaaaaa Says:

    pois parece que ele espera a vida deitado…e de preferencia servida num tabuleiro…a vida para ser vivida tem de se agarrar com ambas as maos

  7. jacky Says:

    É, pois, imaginação não me falta 😛
    Escrevi estas histórias há cerca de 1 ou 2 anos e lembrei-me de republicar

    Obrigada por comentarem jodoas, yuki, cc, wind, fairygi e eeemaaaaa. Bijufas 🙂 ****


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