Há um tempo para a amizade,
para a partilha de gostos e ideias,
de identidades siamesas,
de se querer ser igual a,
de se identificar com…
Há um tempo para o amor,
para a empatia, para os afectos
que desabrocham como flores silvestres,
flores que dão frutos e frutos
que geram sabores e sensações…
Há um tempo para a ruptura,
para o quebrar das tradições,
para o desmoronar dos preconceitos,
para os pensamentos enrodilhados
que não se querem novelo mas tecido…
Há um tempo para a paranóia,
para a desconfiança, para se julgar
que todos estão do contra,
que todos conspiram para o mal,
que há espiões à escuta e à espreita…
Há um tempo para recordar,
guardar fotografias e papeis
de momentos felizes e fluidos,
roupas que dão sorte, memórias
que se querem preservar para a posteridade…
Há um tempo para esquecer,
queimar cartas e diários,
rasgar o livro porque
virar a página já não chega,
deitar o passado para o lixo,
ficar-se sem nada e aí sim
recomeçar com um livro
novinho em folha…
Há um tempo de cansaço,
de desistência em manter-se
as pontas que se afastaram há muito,
de esforços que não levam a lado nenhum…
Há um tempo para se dizer basta,
para negar, para afirmar um Não!..
Há um tempo para os outros,
para ouvir, para escutar,
para reconfortar, para abraçar…
Há um tempo para o silêncio,
a casa vazia, um tempo para o «eu»…
Há um tempo para tudo
até para não se fazer
nada do tempo…
Jacky (07.11.2006)









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