Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

Há um tempo 07/11/2006

Filed under: devaneios da jacky — jacky @ 7:08 pm

Há um tempo para a amizade,
para a partilha de gostos e ideias,
de identidades siamesas,
de se querer ser igual a,
de se identificar com…

Há um tempo para o amor,
para a empatia, para os afectos
que desabrocham como flores silvestres,
flores que dão frutos e frutos
que geram sabores e sensações…

Há um tempo para a ruptura,
para o quebrar das tradições,
para o desmoronar dos preconceitos,
para os pensamentos enrodilhados
que não se querem novelo mas tecido…

Há um tempo para a paranóia,
para a desconfiança, para se julgar
que todos estão do contra,
que todos conspiram para o mal,
que há espiões à escuta e à espreita…

Há um tempo para recordar,
guardar fotografias e papeis
de momentos felizes e fluidos,
roupas que dão sorte, memórias
que se querem preservar para a posteridade…

Há um tempo para esquecer,
queimar cartas e diários,
rasgar o livro porque
virar a página já não chega,
deitar o passado para o lixo,
ficar-se sem nada e aí sim
recomeçar com um livro
novinho em folha…

Há um tempo de cansaço,
de desistência em manter-se
as pontas que se afastaram há muito,
de esforços que não levam a lado nenhum…

Há um tempo para se dizer basta,
para negar, para afirmar um Não!..

Há um tempo para os outros,
para ouvir, para escutar,
para reconfortar, para abraçar…

Há um tempo para o silêncio,
a casa vazia, um tempo para o «eu»…

Há um tempo para tudo
até para não se fazer
nada do tempo…

Jacky (07.11.2006)

 

Histórias do absurdo

Filed under: escrita — jacky @ 3:11 pm

Escreve uma história onde deverás incluir pelo menos 3 destes tópicos:

  • uma banheira com asas de libelinha
  • um coelho em forma de pardal
  • um automóvel em biquini
  • um professor a fugir duma gaivota
  • um camelo a tocar flauta transversal
  • um bebé a cavalo num bacalhau
  • uma sanita a comer um pastel de belém
  • um elefante abraçado a uma borboleta
  • um telemóvel em forma de banana descascada

E pronto tens aqui os ingredientes necessários para escrever algo minimamente original 🙂

 

Intermusicalidade

Filed under: educação,escrita,música — jacky @ 9:27 am

Da mesma forma que na intertextualidade, há cruzamento de textos variados, palavras que estão ligadas a palavras de outros textos, ideias que fazem lembrar outras ideias, a intermusicalidade é música que faz relembrar outras músicas, videoclips que fazem lembrar outras imagens. Hoje em dia, é difícil criar coisas completamente inovadoras e privilegia-se a ligação em cadeia.

Quando o filhote me pediu para ver este videoclip Rock this party, do Bob Sinclair, expliquei-lhe que havia várias imagens que remetiam para outras imagens de outros videoclips antigos, muitos deles do meu tempo de juventude. Tentei então identificar todas as imagens mas tive alguma dificuldade com algumas.

A primeira deve ser uma banda de heavy metal que não identifiquei. A segunda tem a ver com the school of rock. A terceira é um grupo qualquer de rap. A quarta está relacionada com o Bob Marley. A quinta é outra banda de heavy metal. Depois, aparece uma imagem ligada a um velho carro americano (já agora se alguém souber a marca, o filhote ficaria encantado em saber. Bem andei a ver os Corvettes mas não era esse). Depois, aparecem os Beatles retratados. Depois deles, talvez seja o Eminem em cima da mesa que bate a porta no nariz a um fulano, que vai lá dizer para baixar a música, e que se parece estranhamente com o Juanes da famosa camisa negra. A seguir, sem dúvida nenhuma, remete-nos para o Saturday Night Fever com o John Travolta. O último videoclip famoso retratado é o Thriller do Michael Jackson (há muito que não consigo tolerá-lo, mas não há dúvidas que isto é um clássico de quase 15 minutos). Mostrei-o ao filhote. Disse-lhe que na altura era assustador embora depois ver os zombies a dançar me fizesse mais rir do que assustar. Logo no início, ele pergunta:

– Onde está o Michael Jackson?

– É este aqui a falar com aquela rapariga. – O filhote fica pasmo e diz:

– Mas então não são duas raparigas que estão a falar!? 😯 – Pois, também a mim, me pareceu sempre estranha aquela fixação que ele tinha em parecer-se com a Diana Ross. Oxalá tivesse sido essa a sua única pancada…

E pronto, tudo o que meta o prefixo inter- ao barulho é complicado, porque temos de partir do pressuposto que as pessoas conhecem as outras coisas com que se relacionam. Em Português, está cada vez mais difícil relacionar textos. Os miúdos lêem pouco, estão interessados noutras coisas. Há dois anos por exemplo descobri que a maioria nem sabia a história do cavalo de Tróia e é grave. Já ninguém lhes conta histórias e as narrativas fazem parte de nós. O ser humano sem narrativas pessoal vive desestruturado. Por isso, peço-vos contem histórias às crianças sempre que puderem…

 

Manual para pais – 4ª regra: Estarem juntos.

Filed under: educação — jacky @ 9:05 am

Norbert Rosing

Estas regras funcionam eficazmente com crianças e adolescentes entre os 8 e os 15 anos, mas na verdade penso que a maioria destas regras podem ser aplicadas a outras idades e até à comunicação em geral com outras pessoas.

(inspirado em sugestões de Isabelle Filliozat)

Quando começam a fazer muitas asneiras, a terem más notas e que a relação entre pais e filhos se começa a degradar, é importante parar com as reprimendas, os castigos, as irritações e ter tempo para estarem juntos. É importante acima de tudo compreender o motivo desta confusão, deste mudar de atitude. Às vezes, é apenas o mascarar de ansiedades e angústias, de problemas com a auto-estima, uma depressão nascente. Principalmente os rapazes, costumam transformar tristeza em agressividade. É óbvio que não se vai também premiar os maus comportamentos. É preciso ter tempo para se conversar, dar-lhes a entender que podem confiar porque só assim poderão cooperar.

4ª regra: estarem juntos.

Quando uma criança é ouvida com atenção, quando a olhamos nos olhos quando nos fala, quando paramos as múltiplas tarefas que estamos a fazer para ter tempo, para estar realmente disponível, a comunicação passa. Devem então conversar sobre os motivos e as razões que levam aos maus comportamentos e depois, sim, tomar as medidas necessárias para a alteração desse comportamento.