Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

espaço msn 19/06/2005

Filed under: jacky — jacky @ 12:18 pm

amorizade msn com fotos de Londres…

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abandono

Filed under: jogos de palavras — jacky @ 11:30 am


(escrever uma estória a partir duma imagem)
Para o Pedro, estória de Jacky, Wind, Menina, Eduardo, RC, Marian, Yardbird, Luis Ene, João Norte……

Ele estava sempre sob controlo. Um orgulhoso que se preze nunca mostra as suas fraquezas. De vez em quando, quando se sentia particularmente relaxado ou contente, deixava-se ir, abandonava-se às sensações.
Naquela tarde amena de Primavera, estava na sua praia preferida, no Portinho, sentado numa esplanada. Fechou os olhos e abandonou-se ao embalar das ondas. Estava cansado, por isso, era-lhe mais fácil abrir a porta às sensações. O sol acariciava-lhe a pele onde a camisa estava entreaberta, quase junto ao coração. Inclinou a cabeça. Um raio de sol acariciou-lhe o pescoço. Não estava nem calor a mais nem a menos. A brisa fazia esvoaçar ligeiramente os guarda-sóis. Era simplesmente uma tarde perfeita.
Quando abriu os olhos, quase nem se espantou com aquele rosto meigo que sorria para ele, de alguém que desconhecia.

Esse alguém pediu-lhe lume para o cigarro. Ele convidou-a para sentar e ela aceitou. Olhou-a nos olhos e viu que eram de um azul igual ao mar. Ficou com calor e desapertou mais a camisa. Não conseguia falar. Só a via fumar. Ela então levantou-se e saiu dali…

Sempre na esperança que ele a seguisse, ela dirigiu-se até à casa de banho do café onde se haviam encontrado e esperou que ele adivinhasse o que lhe ia no pensamento…

Mas vacilou. Naquele instante, o torpor que o sol e o mar lhe provocava impediam-no de segui-la. Mas ainda olhou o rasto que a desconhecida tinha vincado naquela areia fina com os seus pés. Leves e pequenos, como os pensamentos que o inundavam sob a ligeira brisa que o refrescava.

Fechou os olhos por um instante. Deixou o sol acariciar de novo o seu corpo e deixou o vento embalar-lhe os sentidos. Estava cansado. Nem sabia bem de quê. Pensou na estranha lá atrás no bar e optou por fazer algo diferente. Despiu toda a roupa e caminhou até às ondas, onde desapareceu num mergulho prolongado.

Ela caminhou até à beira mar e semicerrou os olhos ponderando entrar também na água… depois, um sorriso inesperadamente maroto instalou-se-lhe na face bronzeada. Sentou-se de pernas cruzadas à beira do oceano e mergulhou o olhar lá à frente, onde esperava vê-lo emergir…

E o olhar foi-se perdendo, parecia fixar-se no horizonte, mas nada vendo, pensando naquele estranho cujo rosto sofrido tanto a impressionara. Foi assim que não se apercebeu até ele já estar mesmo na sua frente, pingando, tremendo ligeiramente, não sabendo se da mudança brusca de temperatura que sentira, se da sua presença.
Era a primeira vez que se sentia inseguro na presença de uma mulher, mas a esta insistência dela, resolvera não resistir e corresponder àquele convite mudo, mas implícito…

Nu, os braços pendendo ao longo do corpo, olhou-a numa espera sem propósito. Ela levantou-se, amarrou os seus olhos nos dele, e envolveu-o num abraço apertado. O sol apagou-se então, o vento aquietou-se e o mar deixou de se fazer ouvir.

Já estava arrependida de lhe ter feito as negaças. Era uma coisa que lhe estava no temperamento, fazer de parva, fazer que não entendia a intenção dos homens. Por vezes pensava, porque reagia assim? Seria uma coisa hereditária? Apeteceu-lhe perguntar à mãe se todas as mulheres reagiam da mesma maneira como ela, que deitava sempre tudo a perder, que afastava aqueles que a amavam.
Enquanto esperava vê-lo emergir, o coração começava a bater mais forte, parecia-lhe agora que ia mais uma vez recusar o amor, e temia mais uma crise de solidão.

Mas esqueceu a solidão no momento em que se abraçaram. Ele molhado da água deu-lhe um beijo nos lábios, primeiro suavemente e depois com mais intensidade. Ela arrepiou-se toda e pensou que aquilo não lhe estava a acontecer…

O mundo fez silêncio e curiosamente parecia ouvir com nitidez assombrosa ecos encantados de algum mundo paralelo que só para eles se manifestava quando os corpos se encontravam e as almas se tocavam. Fez um esforço por breves instantes para o que restava da sua parte analítica poder dissecar como tanto gostava o que lhe estava acontecendo: era só com aquele? sempre tinha sido assim… desde que se tinham conhecido e passado a primeira noite juntos há anos atrás, havia descoberto algo de único e poderoso não só para os sentidos mas para a alma também, que nunca tinha experienciado com mais ninguém e ela nem sequer era uma menina inexperiente…

Nem precisava ser experiente. A linguagem dos sentidos não engana e o que ela sentia por ele era diferente do sentira por qualquer outro. Experimentava uma sensação nova, um misto de dor e prazer que fazia ser corpo vibrar só de sentir a presença dele. Talvez fosse paixão, esse força arrebatadora que lera nos livros da sua infância, que julgava ser apenas posssível na literatura. Quantos vezes tinha chamado exagerados aos escritores que falavam dessa paixão?! Agora sentia aquilo que era tão natural e tão difícil de descrever.

Jacky leu mais uma vez a estória e continuou a não lhe encontrar muito sentido, mas isso não era o mais importante, o importante é que a estória tinha sido continuada. Olhou a fotografia, lembrou-lhe a maciez da pele, a calidez do toque, e não conseguiu evitar uma já conhecida sensação de abandono. Fechou os olhos e adormeceu.

(Quem quer continuar? Podem ser as mesmas pessoas desde que não sejam duas vezes seguidas!)