Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

uau! 28/04/2005

Filed under: jogos de palavras — jacky @ 10:06 pm

Juro que para a próxima vou ter um caderninho para anotar estas pérolas que os nossos comentadores futebolísticos nos oferecem. Entre frases destas: «Reitero a minha posição» ou «Genialidade e garra duma equipa» ou «a serenidade em campo do A. está a causar ansiedade ao Sporting», adorei ouvir esta: E Pinilla celebra na bancada com a juve leo EU-FU-SI-VA-MEN-TE!!!
De qualquer maneira, parabéns Sporting!

Anúncios
 

amizade I

Filed under: experiências da jacky — jacky @ 7:05 pm


Claudia, foto do Nikonman, tirada durante o jantar da Pandora.

Quase já nem me lembro do tempo em que não éramos amigas. Já somos amigas há 20 anos. Digamos que somos mais irmãs que amigas. Há famílias que não aguentam as agruras da vida como nós já aguentamos.
A nossa amizade tem resistido a tudo: aos outros, aos amores que chegaram e já se apagaram, às discussões, às lágrimas, às compras, aos amuos e até ao próprio tempo.
Conhecemo-nos em 1984, na Escola Secundária Carolina Michaelis, quando ficámos ambas no 10º ano área D. Ela ficava sempre absorta na primeira fila encostada à janela. Tinha longos cabelos como qualquer menina bem comportada e era-o de facto.
É como um pilar forte e resistente que sustenta toda uma estrutura. Está sempre presente, é confiável e responsável. É organizada, perfeccionista e faz sempre tudo direito, segundo planos que elabora previamente, i.e., quando eu deixo… 😀
Somos realmente muito diferentes as duas e por isso nos damos tão bem. Acho que nos completamos perfeitamente. Entre as duas há um equilíbrio quase perfeito. Ela obriga-me a ter o IRS direitinho e a fazer bem as coisas e eu obrigo-a a embarcar em 1001 aventuras, cada qual a mais louca.
Já discutimos inúmeras vezes e às vezes ficamos dias e dias sem nos falarmos. Quando me salta a tampa, fico insuportável e ela sabe-o bem. Quando fica ela absorta nos seus pensamentos negros, tiro-a de casa nem que seja em pijama e quando dá por si, só lhe falta mesmo andar com vestidos às florzinhas 🙂
É a minha carregadora oficial de sacos quando nos damos ao luxo de estarmos uma tarde toda no entra e sai das lojas. Já tivemos ataques de riso com as figurinhas tristes que fizemos com certos modelitos nos vestuários das lojas.
Há anos que falámos quase todos os dias e mesmo assim há sempre assunto para mais umas horas.
É a única que tem paciência para ir comigo ao cinema, porque como é sabido, fico tão envolvida nos filmes que, nas cenas de suspense, apanho grandes sustos e salto para cima de quem estiver ao meu lado. Ninguém também está para aturar as minhas gargalhadas nas comédias ou quando adivinho o fim dos filmes ao fim de 10 minutos!
Ela é a minha memória. É capaz de se recordar de coisas que fizemos há milhões de dias com pormenores e eu nem sei o que comemos ontem. É uma excelente pre-leitora dos meus livros e um bom garfo dos meus pratos caseiros. Mesmo que fique uma porcaria, diz sempre que está óptimo!
Também é uma óptima guarda-costas porque se souber que alguém me faz mal, mostra logo as garras. Acima de tudo, foi aquela que nunca me abandonou no período mais negro da minha vida, que esteve ao meu lado quando tive de engolir sapos, que nunca virou as costas ao meu mau feitio e que sei que será minha amiga leal para sempre, aconteça o que acontecer.
Às vezes, como tenho sempre muitas pessoas à minha volta, ela pensa que me posso esquecer dela. É um autêntico disparate. Ela é um dos pilares da minha vida e não consigo concebê-la sem ela. A Claudia é a irmã que sempre sonhei ter, muito mais que uma simples amiga! Obrigada por estares sempre aí e desculpa-me todas as más palavras, mesmo aqueles de que nunca pedi desculpa por orgulho. Perdoa-me os silêncios e as explosões. Obrigada por tudo, amiga!

 

pano

Filed under: amizade — jacky @ 10:00 am

Vejo a amizade como um enorme pano que se vai criando no tear da vida e em que cada fio e/ou desenho representam um laço ou elos de amizade…

Queres fazer parte do meu pano de amizade? Se calhar, já lá estás. Qual é o teu padrão?

 

de cusquice em cusquice

Filed under: amizade — jacky @ 9:00 am

Nasci numa noite de Inverno, a 4 de Dezembro, em Paris, 20 dias antes do tempo. O meu pai tinha sido internado de urgência para ser operado e a minha mãe afligiu-se. Quando nasci, o meu pai não me foi ver à maternidade. Teve de assinar o termo de responsabilidade para sair mais cedo do hospital para me ir registar! 😀
Nasci num ano idealista, no ano em que debaixo dos paralelos, dormitavam praias 🙂

Agora só falta mesmo perguntar a tua data de nascimento e histórias caricatas ligadas a esse dia. Queres contar?

 

desejo VII*

Filed under: contos da jacky — jacky @ 8:48 am

Ele era como um catavento. Tinha os pés bem assentes no seu tecto, mas o que mais apreciava, era andar ao sabor dos ventos. Rodopiava sobre si mesmo, farejava todas as mudanças e partia em busca de renovadas aventuras.
Era um sedutor nato. Amava as mulheres. Nenhuma lhe era indiferente. Não que fosse promíscuo, contudo, não havia nenhuma mulher que o completasse. Em cada uma, encontrava algo a desejar: um olhar provocante, uma boca carnuda, uma cor de pele macia, um divertimento atrevido, umas unhas cuidadas, umas curvas apetitosas, um cabelo arranjado ou um cabelo selvagem, umas palavras amorosas. Coleccionava fotografias de todas elas: as reais e as inacessíveis, as encantadoras e as indiferentes, as musas e as tímidas.
Os cataventos não se prendem, giram sempre sem parar. Porém, há um dia, em que um vendaval há-de chegar, de repente, e atirar o catavento para a terra ou talvez não. Há cataventos que nunca se deixam desentectar…

* A fonte do desejo parou por aqui. Vou mudar de tema. Agora vou escrever histórias de amizade e desafio-te a fazer o mesmo, no teu blogue, ou aqui mesmo nos comentários, porque o desejo é gostoso, mas não há nada que substitua um verdadeiro amigo…

 

desejo VI

Filed under: contos da jacky — jacky @ 6:55 am


Albena Hirstova

Desejou-a no mesmo momento em que a viu pela primeira vez e desejou-a tão intensamente que não concebeu partilhá-la com mais ninguém. O destino parecia ajudá-lo, quando ela correspondeu ao seu desejo.
Amavam-se desalmadamente como se o mundo fosse acabar ali. Estavam sempre juntos e davam tudo um pelo outro. Todavia, chega uma certa altura, em que a paixão tem de se renovar, senão esgota. Ele não quis. Fechou-a numa gaiola doirada. Vivia obsessivamente à sua volta. Levava-a para todo o lado. Vigiava-a o tempo todo. Telefonava-lhe a todo o momento, seguindo-lhe todos os passos. Controlava-a no cabeleireiro, nas compras, nas amizades, nos diálogos, nos laços familiares. Tinha banido do seu guarda-roupa tudo o que a pudesse tornar desejável a outros homens: transparências, decotes e roupas justas. Tudo fez para a possuir totalmente.
Ela começou a definhar, pássaro ferido encarcerado numa gaiola. Já não ria, já não cantava. Perdera o brilho de outrora. Entristeceu. Deixou de o desejar. Sentia-se ainda mais triste por isso. Como poderia ela se queixar, se era idolatrada? Deixou de ter vontade de tudo. Começou a engordar. Sombrou numa profunda melancolia.
Ele não entendia a mudança. Que estaria a fazer de errado? Porque estava ela uma sombra de si mesma? Continuava a desejá-la profundamente mas a sua indiferença feria-o.
Um dia, reparou noutra mulher e desejou-a naquele mesmo momento. A obsessão fora transferida. Abriu a gaiola e libertou o pássaro ferido, precisava dela aberta para outra mulher. O pássaro quis voar, mas não conseguiu: as asas já não lhe obedeciam. Voltou para o seu ninho e lá permaneceu, até cicatrizar algumas feridas. Voltou a rir e a cantar, mas baixinho. Nunca mais quis ser desejada, fosse ela voltar para uma gaiola…

 

saudades de…

Filed under: saudosismos,turismo — jacky @ 12:40 am


Jean Noel Reichel

Tenho tantas saudades de Paris que até doem…
E tu, de que cidade tens mais saudades?