Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

dúvida existencial… 26/04/2005

Filed under: emoções — jacky @ 6:26 pm

Dirigida aos homens: vocês gostam mesmo de mulheres assim vestidas? É que nunca percebi muito bem se fantasiam com este tipo de lingerie ou não? Hum? Quem tem a coragem de responder?

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desejo IV

Filed under: contos da jacky — jacky @ 4:53 pm


Reinhard Simon

Estava deitada na cama a rever o seu velho álbum de fotografias. Ela era o que os franceses chamam de allumeuse, ou seja, uma incendiária de homens. À primeira vista, ninguém diria. Vestia clássico e só quando saía é que se produzia toda. Começava por depilar-se: depilava as pernas, depois as axilas, o buço e deixava sempre para o fim, os que ficavam junto ao sexo, que teimavam em sair da cueca tanga e ela odiava pilosidade. De seguida, ía para o banho, um longo banho com sais suavizantes. Depois secava-se num turco aquecido previamente e passava creme hidratante pelo corpo todo. Queria ter a pele bem macia para a noite que se avizinhava. Maquilhava-se, secava o longo cabelo negro e perfumava-se.
A roupa era escolhida a dedo. Não usava minisaias porque preferia ser discretamente sensual. Usava e abusava de vestidos negros decotados e saias travadas com rachas onde se distinguia ligeiramente meias de ligas pretas. Ela sabia que as ligas deixavam os homens loucos. Finalmente, os sapatos de tacão bem bicudos e altos, para poder dominá-los mais facilmente. Estava pronta. Só faltava o casaco, comprido, para resguardar-se na rua.

Entrou na discoteca que estava na moda naquele momento. Não havia porteiro que não a deixasse entrar depois de um longo e prometedor olhar. Deixava casaco e carteira no vestiário e ía para o centro da pista. Fechava os olhos e entregava-se à música em total abandono como se fosse um corpo de homem, o corpo de homem por que ansiava há muito. Sabia que mais tarde ou mais cedo, aquele corpo que tinha reparado ao longe haveria de se aproximar.
Aquela noite era especial. Era a nº 100. Gostava de números redondos porque lhe davam sorte. O corpo número cem já estava à sua frente. Não falaram, nem era preciso. Os corpos sabem quando se desejam e ela desejava-o. Saíram, disse-lhe o hotel para onde queria ir, um diferente cada noite.
Entraram. Despiram-se com sofreguidão e ele acariciou-a, beijou-a, tomou-a, gritou de prazer e tudo acabou como começou. Mais uma noite de fingimento. Logo que o seduziu, deixou de o desejar. Afinal, o número cem não tinha nada de extraordinário. Deixou que ele adormecesse, tirou-lhe uma fotografia com o seu telemóvel sofisticado. Levantou-se e vestiu-se. Saiu. Quando chegou a casa, imprimiu a fotografia. Deitada na cama, colou-a no seu velho álbum de fotografias, no lugar do nº 100.

 

escrever…

Filed under: jacky — jacky @ 2:41 pm

Lamento muito estar a escrever de forma caótica e amontoada. Tenho dias assim, em que as ideias saltam dentro do cérebro e tenho de as colocar no papel e há dias em que nada sai direito, um tédio intelectual doentio.
Estou numa das minhas fases caóticas de criatividade, há que aproveitar enquanto dura. No entretanto, posso patrociniar-te um curso de leitura rápida para conseguires acompanhar o meu blogue!!! ;D
Obrigada por me leres. Sabes bem que gosto de te ter aí do outro lado do ecran, já que não podes estar a meu lado…

 

o que será feito de…

Filed under: cinema — jacky @ 2:17 pm

Jennifer Grey?

Este fim de semana comprei o DVD do Dirty Dancing e diverti-me imenso com o filhote a (rerererererere)ver o filme. Estive a ensinar-lhe a dançar rock e até ensaiámos uns saltos artísticos e tudo!
De repente, pensei: que será feito da Jennifer Grey? E lá vim pesquisar… Tive um choque. Eu sei que o tempo não actua só no meu corpo, mas há certas personagens de filmes que cristalizam na nossa memória e permanecem intemporais.
Claro que não tem nada a ver com a menina do filme mas mesmo assim, depois do choque inicial, gostei de a ver. Mantém o mesmo sorriso meigo e doce que é característico da Babe…
E tu, às vezes, também te perguntas de que será feito de alguém?

 

desejo III

Filed under: contos da jacky — jacky @ 9:46 am

Ele amava-a desde que se lembrava de ser gente. Tinha tudo começado na adolescência. Ele sempre fora tímido, mas muito estimado por todos, devido à sua permanente serenidade e inata sabedoria. Ela era a miúda mais popular do bairro. Todos os adolescentes da zona estavam apaixonados pela miúda-furacão. Tudo nela resplandecia, era a alegria de viver encarnada em gente. Ele, como todos os outros (e odiava-se por isso) desejava-a. Porém, sabia que não tinha hipóteses. Além de ser um pouco mais velho que ela (e nestas idades, 3 anos fazem muita diferença) era a sua antítese. Ele era melancólico, observador, calado, sonhador e passava o tempo perdido nos seus pensamentos. Ela era luminosa, colorida, faladora, divertida e muito comunicativa.
Começou a namorar com uma miúda muita gira para a esquecer e foram ambos a uma festa de anos de um vizinho. Apesar da sua introversão, havia uma coisa que ele gostava muito, que era de dançar. Dançou toda a festa. Ela estava lá. Ela, como sempre, animava a todos e ensinava passos de dança coreografados a que todos aderiam e ele também. Depois, foi a vez dele de ensinar e então ela olhou para ele, não como costumava, mas com olhos de ver. Foi aí que ela reparou nele.
Ele era loiro, de olhos castanhos meigos, tinha um sorriso lindo porque se ria com os olhos. Era gentil e carinhoso. A serenidade dele atraiu-a como se ela fosse um mero clip e ele um poderoso íman.
Não descansou enquanto não soube tudo dele, o que ele fazia, o que ele gostava, quem eram os amigos deles, o que fazia nos tempos livres até conhecê-lo em profundidade. Elaborou um plano: uma festa na sua casa. Entretanto, deu pulos de contente quando soube que ela já não namorava com a miúda gira e preparou tudo para que ele reparasse nela.
Ele ficou espantado: ela tinha-o convidado para uma festa na sua casa a ele? Devia ser por causa dos passos de dança. Bendita dança!
O dia da festa chegou e tudo correu sobre rodas, quando descobriram que ambos estavam apaixonados um pelo outro sem saberem. Amaram-se intensamente, como só os primeiros amores da adolescência sabem amar. Esse amor poderia ter sido eterno, se as contingências da vida não os tivessem separado. Demoraram anos a curarem-se um do outro. Namoraram inúmeras pessoas que procuravam ser à imagem e semelhança um do outro. Ela casou primeiro. Ele ficou à espera. Não podia acreditar que ela não tivesse esperado por ele. Só quando ele soube que tinha tido um filho, é que desistiu. Casou com aquela que o amava há muito e também teve o filho que sempre desejou ter da miúda-furacão.
Já não a vê há muito tempo, mas ainda a deseja. Ainda a sente nos passos de dança que dá cada vez menos. Ela foi o seu mais lindo sonho tornado realidade. Quando os dias se tornam demasiado tristes, sonha com ela e deseja voltar àquela festa em que ela reparou nele, no dia em que ele se tornou especial pelo objecto do seu desejo, ele, o escolhido no meio de todos os outros que a desejavam…

 

Out of Reach, by Gabrielle

Filed under: canções de amor — jacky @ 9:20 am


Creation of Adam, by Miguelangelo Buonarotti

Knew the signs
Wasn’t right
I was stupid for a while
Swept away by you
And now I feel like a fool
So confused,
My heart’s bruised
Was I ever loved by you?

Out of reach, so far
I never had your heart
Out of reach,
Couldn’t see
We were never
Meant to be

Catch myself
From despair
I could drown
If I stay here
Keeping busy everyday
I know I will be OK

But I was
So confused,
My heart’s bruised
Was I ever loved by you?

Out of reach, so far
I never had your heart
Out of reach,
Couldn’t see
We were never
Meant to be

So much hurt,
So much pain
Takes a while
To regain
What is lost inside
And I hope that in time,
You’ll be out of my mind
And I’ll be over you

But now I’m
So confused,
My heart’s bruised
Was I ever loved by you?

Out of reach,
So far
I never had your heart
Out of reach,
Couldn’t see
We were never
Meant to be

Out of reach,
So far
You never gave your heart
In my reach, I can see
There’s a life out there
For me

Esta canção faz parte da banda sonora do filme Bridget Jones. Gosto da canção e do filme, principalmente da personagem Bridget: arrebatada, desajeitada, adoravelmente ignorante, divertida e inconveniente, com grande tendência para os excessos (álcool, cigarros e peso) e para se apaixonar por homens que ela julgar estarem acima das suas «possibilidades». Ela tem tudo para ser a antítese da heroína duma comédia romântica, e contudo é encantadora.
Acho que já aconteceu a todos nós, estarmos apaixonados por alguém que fica fora do nosso alcance, pessoas que admiramos muito. A mim, por exemplo, acontece sempre sentir-me atraída por pessoas muito inteligentes e com sentido de humor. E tu, que tipo de pessoas te atraem? Quem está fora do teu alcance?

 

confidência

Filed under: experiências da jacky — jacky @ 9:13 am

Nem tudo o que se escreve tem origens em experiências próprias, pode apenas existir numa zona sombria da imaginação…