A propósito dum post da Cat:
O filho da minha vizinha, em geral, porta-se mal.
Se formos ao shopping, anda lá nas corridas e ninguém o segura. Ri-se demais por qualquer coisinha. Mexe em tudo e deita coisas ao chão e depois pede desculpa.
Se estivermos cá fora, faz palhaçadas para que olhem para ele. Desenha pilas nos carros poeirentos e ri-se se alguém disser: – Olha o que ele fez. Quando se ralha com ele, entristece e pede desculpa.
Quem manda bitaites, diz que é demasiado mimado e que devia era levar uns castigos ou uns tabefes.
O filho da minha vizinha é muito magrinho.
Anda sempre a correr, a mexer-se ou a manipular coisas. Para comer tudo, é preciso quase dar-lhe a comida à boca.
Quem manda bitaites, diz que a minha vizinha podia alimentá-lo melhor, coitadinho que até se lhe vêem os ossos.
O filho da minha vizinha comporta-se como se tivesse idade mental de 4 anos, faz as coisas e só depois é que percebe que não as devia ter feito. Não é capaz de antecipar as consequências das suas acções.
Quem manda bitaites, diz que só tem manha e que precisava era dumas boas sapatadas.
O filho da minha vizinha tem um pai ausente por isso é sempre a mãe que toma conta dele. Por isso, a mãe perde a paciência muitas vezes devido ao cansaço e à sobrecarga.
Quem manda bitaites, diz que ela só grita ao filho e que podia ser mais paciente.
O filho da minha vizinha tem 11 anos e só agora vai fazer a 4ª classe. É hiperactivo com défice de atenção. Só se consegue concentrar na escola se tomar medicação própria. A medicação tira-lhe o apetite e não come. É incapaz de visualizar o futuro e de antecipar consequências.
Toda a gente manda bitaites mas ninguém quer ficar com ele. Só eu é que sei o que é um hiperactivo é que fico com ele às 3ªs e 6ªs à noite para a mãe poder ter um tempo para ela e ir à piscina.
É fácil mandar bitaites porque sempre foi mais fácil JULGAR do que COMPREENDER, IGNORAR do que APOIAR!
Para a próxima, quando virem um menino assim, lembrem-se que pode ter um problema não de educação mas real…








O que contas, Jacky, fez-me lembrar um caso que conheci de um rapazito distraído na escola, a brincar nas aulas em lugar de trabalhar, não malcriado mas sempre de disparate pronto na língua, muito pior aluno do que se percebia que podia ser. Só quase no fim do ano é que a maioria dos professores dele vieram a saber (aí a directora de turma, que sabia da situação há muito, falhou, porque devia ter dado conhecimento do caso aos outros professores) que ele era assim na escola porque, em casa, fazia tudo para ajudar a mãe. Com doze anos, assumia as responsabilidades que o irmão mais velho, com dezasseis, não assumia; lavava, limpava, cozinhava para aliviar a carga da mãe, se bem me lembro sozinha, e a aceitar dois empregos para sustentar os filhos. O mau comportamento do garoto era apenas o reverso da medalha do esforço que fazia por, em casa, ser adulto. O menino merecia que todos os professores soubessem o que se passava para o compreenderem, em lugar de o julgarem e castigarem, e assim o poderem de facto ajudar.
Não mando bitaites. Só um beijinho para a tua vizinha, para ele e para ti.
Interessantíssimo o teu depoimento. O perigoso, penso eu, é no que a sociedade está a transformar casos como este.. Como professora já assisti a inúmeros casos de miúdos que se escondem na sombra da hiperactividade para fazerem apenas o que lhes convém. É certo que há casos extremos, mas para quem conhece a realidade das escolas, sabe que em todas as reuniões se fala de alunos hiperactivos.. Será assim tão elevada a percentagem?
Sim, também há casos desses, 1pouco+ que passam por nós todos os dias e nem sabemos… Obrigada pelo teu comentário. 🙂
Obrigada Du 🙂
Pecola, também é verdade. Mas eu nao estava a generalizar, estava a falar num caso concreto de um miúdo que me é chegado e do qual posso falar. Claro que há imensos miúdos mal educados mas isso já são outros casos… Beijinhos 🙂
É sempre muito fácil mandar bitaites sobre a vida dos outros! E principalmente quando não se sabe o que se passa. É a deprimente mania de julgar os outros!
Julgar, sem tentar entender, é fácil. Apoiar, como tu fazes, seria bem melhor.
Um beijo.
Será que a nossa sociedade não usa a etiqueta de “hiperactivo” a “tordo e a direito”? Por outro lado, a medicação está a ser posta em causa nos US.
Quando o meu filho tinha 1 ano, já certas pessoas diziam que ele era hiperactivo (pessoas da família que não criaram os deles)! Ora, tal definição só é válida a partir dos 6 anos, antes a criança não é capaz de concentração. O que as pessoas querem são caezinhos amestrados. O meu filho tem 20 meses e é uma criança como qualquer outra da sua idade: mexe-se, ri, brinca (até sozinho!). É uma criança muito sociável e muito risonha, está sempre bem diposto! Enfim, é fácil falar e dar palpites quando se está por fora do “problema”…
Não te conheço nem á tua vizinha nem ao menino, queria-te “agradecer” por ficares com o miudo para a rapariga poder descontrair um pouco na piscina!
O miudo desenha pilas nos carros? AH!AH!AH! Então e ralham á criança por causa disso…???
Agora a sério tenho um sobrinho que também era (é) assim, agora tem 14 aninhos e está muito melhor, embora a gente ainda tenha que o obrigar a tomar banho. Chumbou duas vezes no 1º. ano do ciclo…
Mas aqui é diferente, a principal deficitária é a minha cunhada, porque é uma pessoa totalmente desocupada, não faz a ponta… Ainda tem uma empregada que lhe faz o trabalho em casa, não toma conta dos filhos, e apenas se preocupa em discutir com as amigas que são como ela, os artigos das revistas do coração e do “jet 7”.
Enfim são casos, e é sempre bom quando aparece alguém que se disponha a dar uma ajudinha…
😉
Vasco
comento quando voltar das aulas. beijinhos (ai caramba que já me atrasei)
Pois é, Carlota, julgar é fácil e é o que mais se faz por aqui…
Pois seria Ana, mas dá trabalho…
Estrelinha, basta uma criança correr muito e já dizem que é hiperactiva o que é falso. Um hiperactivo tem um problema a nivel cerebral, acho que na actividade eléctrica (nao sou especialista na matéria) e afecta o lobo frontal que tem a ver com exactamente a previsão de coisas. Crianças activas são normais. O que é mais preocupante são crianças muito paradas…
Bem, Vasco, não é só as pilas nos carros 😉 era só um exemplo 🙂 O teu sobrinho teve duplamente azar em ser assim e em não ter uma mãe que o podia apoiar muito mais! Lamento… Beijinhos e bem-vindo 🙂