Amorizade

Amor + Amizade - Termo de Luandino Vieira

melancolia 6 de Setembro de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 2:41 pm


Judy Theo

Entrou Setembro e, com ele, uma certa melancolia.
É mais um final de Verão que deixa saudade. Regressar às coisas sérias e aguardar pelo próximo ano e os próximos dias de calor.

É colocar de lado as músicas de rabear e os vestidinhos floridos de alças. Esperar de novo pelo tempo dos damascos e das cerejas. Saborear os últimos gelados. Arrumar no armário a roupa fresca e leve. Comprar alguma roupa nova, umas camisolas bem macias.

Preparar o corpo e a alma para os dias curtos, com pouca luz. Brincar com as formas das nuvens que passam velozes no céu. Deixar entrar de novo a humidade e o frio nas casas. Aproveitar para passear no parque e apreciar a quentura dos tons outonais nas folhas caídas. Sentir o perfume das castanhas assadas nas ruas do Porto. Fazer compota de abóbora com amêndoa. Voltar aos chás de menta e às fatias quentinhas, acabadinhas de sair do forno, do bolo do amor. Voltar a ouvir Rodrigo Leão, Michael Nyman e Gabriel Yared.

Comprazer-me nesta doce melancolia. Ficar a ver o pôr-do-sol todos os finais de tarde, da janela do meu quarto. Fecha depois os olhos e aquecer a alma com os meus próprios sonhos, todos eles ligados à quentura dos afectos…

 

aparências 19 de Agosto de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 1:03 pm


Bill Stephens

Não sou o que pareço.
Não te deixes enganar pela aparente fragilidade, pelo meu ar perdido na neve, pela cinzento da minha pele. Posso ser apenas um coelho, mas sou mais resistente do que pareço e por baixo deste meu casaco, arde a paixão que me permite viver cada dia que passa, sem pensar no dia de amanhã e se continuarás a julgar-me pelas aparências…

E a ti, o que te sugere esta imagem?

 

esferas 26 de Julho de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 3:50 pm

Onde vai dar o caminho das esferas?

 

Fazes-me falta 2 de Junho de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 2:14 pm

Sinto na alma e sinto na pele a falta que me fazes.
Na alma, há como uma incompletude que persiste, uma compreensão das coisas através do teu olhar invisível por agora. Na alma, há um vazio que vai crescendo sempre que não posso partilhar contigo um sorriso, uma lágrima, um beijo.
Na pele, há como uma agrura que vai aumentando sem a macieza das tuas mãos, um dessensibilizar sem o contacto com a tua pele. Na pele, há uma saudade de um entrelaçar, de um enroscar, de um abraçar, só possível contigo.
E assim vou vivendo os dias, vazia de ti, ansiando pela tua vinda e, ao mesmo tempo, receando que chegues para apenas voltar a partir…

 

amorizade 15 de Maio de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 1:10 am


Heather Perry

Sou semente de amorizade
Nasço na tua terra
Desabrocho na tua atmosfera

Sou rebento de amorizade
Viro-me para o teu sol
Sacio-me com a tua chuva

Sou flor de amorizade
Danço ao teu vento
Adormeço em tua lua

Sou árvore de amorizade
Cresço com o teu afecto
Fortaleço com o teu amor

 

cama de rede 13 de Maio de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 3:25 pm

Vem ter comigo,
meu querido,
pendurei uma cama de rede
entre a rvore da amenidade
e a rvore da quietude.

Vem deitar-te,
meu querido,
mistura teu sabor salgado
ao meu gosto silvestre.

Vem e fecha os olhos,
meu querido,
quero beijar tua tristeza e
florir teu pensar ferido.

Vem amar-me,
meu querido,
embalar-te na minha doura,
adormecer sereno finalmente…

 

Regressos… 12 de Maio de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 6:37 pm

Regressar ao Outono:

Sorver tons quentes com o olhar.
Estalar folhas já secas.
Trincar castanhas assadas na brasa.
Ouvir salpicos de chuva lá fora.
Adormecer, enroscada a ti…

Regressar ao Inverno:

Desligar o aquecimento.
Enfiar-me na cama.
Sentir a doçura da flanela.
Encostar-me a ti.
Despertar o Verão de nós…

Regressar à Primavera:

Tirar camisolas e meias.
Passear na rua.
Rodopiar a saia nas pernas
Colher um malmequer.
Desfolhar-me para ti…

Regressar ao Verão:

Fechar os olhos.
Sentir o sol no rosto.
Humedecer os lábios.
Desnudar a tua pele.
Incendiar-me em ti…

 

quadra fernandina 11 de Maio de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 11:16 pm

(tentativa de análise, depois dum comentário neste post)

Quando me mostras o trema
enfraqueces-me o ditongo,
mas aumentas-me o fonema
e dou-te um vocábulo longo.

Nesta quadra fernandina, o sujeito da enunciação - o eu da 1ª pessoa do singular - dirige-se a um tu com uma certa intimidade fonética por causa da 2ª pessoa do singular. Estabelece-se uma relação de força entre um tu, que retira força a uma vogal ou semivogal, pois deixa de ser assinalada, devido à anulação do trema, que agora só se usa no português variante Brasil.
O eu poético não se pode defender pois fica com o ditongo enfraquecido, passando a ser uma sequência ininterrupta de dois fonemas vogal ou semivogal.
Em consequência, o sujeito poético enfatiza o fonema, já que passa a ser diferenciador da própria palavra e o vocábulo, representação formal e sonora, alonga. À falta de trema, aglutinam-se as vogais…

Agora a sério!
Esta quadra revela uma enorme fixação por mamas tremelicantes recheada de ansiedade (a fixação, não as mamas) e o que se pretende é passar à acção com gemidos e outras coisas anatomicamente longas. Na verdade, só pensas é nisso, Fernando! ;D

 

Era uma vez, um poema 6 de Maio de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 11:39 pm

Era uma vez,
um poema
feito de palavras
ardentes e idealizadas,
que queria ser gente,
um poema
feito de caminhos
a percorrer.
O poema corporizou-se
em realidades diversas:
pele,
cheiros,
murmúrios
e sensações.
Era uma vez,
um poema
feito de palavras
ardentes e idealizadas
que se fez gente,
um poema que ficou
perdido no caminho,
um poema que não sabe
se voltará a ser gente…

 

as cores do (des)amor 3 de Maio de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 9:40 pm

O amor é da cor
da transparência
das asas da libélula
que sobrevoa o lago.
O desamor é
cinzento como o balde
de água fria do lago
que afogou a libélula…

O amor é da cor
da luminosidade solar
sobre a minha pele.
O desamor é da cor
do nevoeiro
que encobre esse sol.

O amor é da cor
da chuva
fertilizando a terra.
O desamor é da cor
da secura
que a desertifica.

O amor é da cor
da pulsação
do inebriamento.
O desamor é da cor
do sangue
que deixou de correr.

 

margens… 3 de Maio de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 5:34 pm


Foto de Luís Duarte

Às vezes, são precisas pontes para que, entre sonho e realidade, se possa alcançar a outra margem…

 

mapeamento de ti II 30 de Abril de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 3:20 pm

Retroceder.
Duvidar de mim.
Disparatar intensamente.
Acelerar o tempo.
Complicar tudo.
Pensar demasiado.
Deixar de ver.
Perder-me na negritude do medo.
Deixar-me envolver pela ansiedade.
Corporizar a nossa música na solidão.
Sentir a perda de ti.
Afagar caracóis virtuais.
Aninhar-me nos lençóis de flanela.
Absorver a quentura da cama.
Embriagar-me com a memória da tua voz grave.
Ter sede de ti ainda.
Ceder à tentação do holograma da tua nudez.
Despir-me lentamente.
Vestir-me de ti.
Imaginar o mapeamento de ti.
Submeter-me ao prazer.
Tactear.
Percorrer as pernas.
Deslizar os dedos.
Roçar-me.
Incendiar-me.
Sentir o enlevo.
Acelerar pulsações.
Demarcar sensações.
Embriagar-me de ti.
Libertar ondas solitárias.
Abarcar o sonho de ti.
Apaziguar.
Traçar na minha mente contornos esbatidos.
Memorizar a fantasia de ti.
Parar o tempo.
Libertar o medo e a ansiedade.

Acordar dum sonho de ti, irreal ou talvez não.
Esperar pacientemente…

 

perdidos 30 de Abril de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 12:58 am

Algures, a caminho de Espanha, pensamentos perdidos…

 

Faz(es)-me falta 29 de Abril de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 9:03 pm

fazesmefalta.jpg

Faz-me falta
a quentura da tua voz
que aquecia as noites brancas.

Faz-me falta
a força do teu desejo
tuas pernas nas minhas ancas.

Faz-me falta
o cheiro da tua pele
que acordava minha paixão.

Faz-me falta
a visão da tua nudez
que acelerava meu coração.

Fazes-me falta,
muita falta…

 

escrever com outro sexo 29 de Abril de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 3:06 pm

O Nikonman desafia-nos a escrevermos um texto erótico mas trocando de sexo, depois de ter lido este poema do meu passarinho preferido.
Vou tentar mas não prometo que vá sair alguma coisa de jeito! Quem mais se atreve e colocar-se numa perspectiva diferente da sua?

Actualização:
Ler textos da Pandora, do Clark59, do PmA, da Mad, do Fernando, do Luis Ene, da Maria! E finalmente o meu… Quem mais se atreve?

 

amizade I 28 de Abril de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 7:05 pm


Claudia, foto do Nikonman, tirada durante o jantar da Pandora.

Quase já nem me lembro do tempo em que não éramos amigas. Já somos amigas há 20 anos. Digamos que somos mais irmãs que amigas. Há famílias que não aguentam as agruras da vida como nós já aguentamos.
A nossa amizade tem resistido a tudo: aos outros, aos amores que chegaram e já se apagaram, às discussões, às lágrimas, às compras, aos amuos e até ao próprio tempo.
Conhecemo-nos em 1984, na Escola Secundária Carolina Michaelis, quando ficámos ambas no 10º ano área D. Ela ficava sempre absorta na primeira fila encostada à janela. Tinha longos cabelos como qualquer menina bem comportada e era-o de facto.
É como um pilar forte e resistente que sustenta toda uma estrutura. Está sempre presente, é confiável e responsável. É organizada, perfeccionista e faz sempre tudo direito, segundo planos que elabora previamente, i.e., quando eu deixo… :D Somos realmente muito diferentes as duas e por isso nos damos tão bem. Acho que nos completamos perfeitamente. Entre as duas há um equilíbrio quase perfeito. Ela obriga-me a ter o IRS direitinho e a fazer bem as coisas e eu obrigo-a a embarcar em 1001 aventuras, cada qual a mais louca.
Já discutimos inúmeras vezes e às vezes ficamos dias e dias sem nos falarmos. Quando me salta a tampa, fico insuportável e ela sabe-o bem. Quando fica ela absorta nos seus pensamentos negros, tiro-a de casa nem que seja em pijama e quando dá por si, só lhe falta mesmo andar com vestidos às florzinhas :) É a minha carregadora oficial de sacos quando nos damos ao luxo de estarmos uma tarde toda no entra e sai das lojas. Já tivemos ataques de riso com as figurinhas tristes que fizemos com certos modelitos nos vestuários das lojas.
Há anos que falámos quase todos os dias e mesmo assim há sempre assunto para mais umas horas.
É a única que tem paciência para ir comigo ao cinema, porque como é sabido, fico tão envolvida nos filmes que, nas cenas de suspense, apanho grandes sustos e salto para cima de quem estiver ao meu lado. Ninguém também está para aturar as minhas gargalhadas nas comédias ou quando adivinho o fim dos filmes ao fim de 10 minutos!
Ela é a minha memória. É capaz de se recordar de coisas que fizemos há milhões de dias com pormenores e eu nem sei o que comemos ontem. É uma excelente pre-leitora dos meus livros e um bom garfo dos meus pratos caseiros. Mesmo que fique uma porcaria, diz sempre que está óptimo!
Também é uma óptima guarda-costas porque se souber que alguém me faz mal, mostra logo as garras. Acima de tudo, foi aquela que nunca me abandonou no período mais negro da minha vida, que esteve ao meu lado quando tive de engolir sapos, que nunca virou as costas ao meu mau feitio e que sei que será minha amiga leal para sempre, aconteça o que acontecer.
Às vezes, como tenho sempre muitas pessoas à minha volta, ela pensa que me posso esquecer dela. É um autêntico disparate. Ela é um dos pilares da minha vida e não consigo concebê-la sem ela. A Claudia é a irmã que sempre sonhei ter, muito mais que uma simples amiga! Obrigada por estares sempre aí e desculpa-me todas as más palavras, mesmo aqueles de que nunca pedi desculpa por orgulho. Perdoa-me os silêncios e as explosões. Obrigada por tudo, amiga!

 

confidência 26 de Abril de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 9:13 am

Nem tudo o que se escreve tem origens em experiências próprias, pode apenas existir numa zona sombria da imaginação…

 

1 pequena história 25 de Abril de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 5:04 pm

do Luis Ene, escrita para mim:

Ela queria-o a ele (ou não),
umas vezes sentia calor e outras frio,
mas sempre, sempre um arrepio.

É um bom mote de continuação à minha história de desejo, mas agora escrito no feminino :)

 

invólucro… 23 de Abril de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 5:35 pm

I
Corpo tão pequeno
para conter
minha imensidão…

II
Coração tão ténue
para albergar
tanta inflamação…

III
Ninguém tão gigante
para abarcar
tanta paixão…

Porque, muitas vezes, não consigo caber dentro do meu próprio corpo

Prometes que se me acontecer alguma coisa, contas histórias de mim ao filhote?

 

mapeamento de ti 19 de Abril de 2005

Arquivado como: experiências da jacky — jacky @ 5:00 pm

Arriscar.
Aceitar-te em mim.
Dedicar-me a ti um fim de semana.
Parar o tempo.
Abstrair-me de tudo.
Parar de pensar.
Olhar-te e reter a tua imagem.
Perder-me no castanho do teu olhar.
Deixar-me envolver no teu abraço.
Corporizar a nossa música numa dança.
Sentir o que foi ouvido indefinidamente.
Afagar teus caracóis rebeldes.
Aninhar-me no teu pescoço.
Absorver a quentura da tua pele.
Embriagar-me com os murmúrios da tua voz grave.
Ter sede da tua boca.
Ceder à tentação e beber-te.
Deixar-me despir lentamente.
Tirar-te a roupa.
Fazer o mapeamento de ti.
Submeter-me à exploração da tua boca.
Tactear-te o peito.
Percorrer as tuas pernas.
Deslizar os dedos pela tua cicatriz.
Roçar-me em ti.
Incendiar-me com a carícia das tuas mãos experientes.
Sentir a dureza doce do teu enlevo.
Combinar pulsações.
Demarcar o teu desejo que se sobrepõe ao meu.
Embriagar-te de prazer.
Libertar ondas de arrebatamento.
Abarcar todo o teu ser.
Apaziguar.
Traçar na minha mente a inefabilidade dos teus contornos.
Memorizar o mapeamento de ti.
Libertar o tempo.
Libertar-te.

Acordar dum sonho, imaginado ou talvez não.
Esperar…