
Claudia, foto do Nikonman, tirada durante o jantar da Pandora.
Quase já nem me lembro do tempo em que não éramos amigas. Já somos amigas há 20 anos. Digamos que somos mais irmãs que amigas. Há famílias que não aguentam as agruras da vida como nós já aguentamos.
A nossa amizade tem resistido a tudo: aos outros, aos amores que chegaram e já se apagaram, às discussões, às lágrimas, às compras, aos amuos e até ao próprio tempo.
Conhecemo-nos em 1984, na Escola Secundária Carolina Michaelis, quando ficámos ambas no 10º ano área D. Ela ficava sempre absorta na primeira fila encostada à janela. Tinha longos cabelos como qualquer menina bem comportada e era-o de facto.
É como um pilar forte e resistente que sustenta toda uma estrutura. Está sempre presente, é confiável e responsável. É organizada, perfeccionista e faz sempre tudo direito, segundo planos que elabora previamente, i.e., quando eu deixo…
Somos realmente muito diferentes as duas e por isso nos damos tão bem. Acho que nos completamos perfeitamente. Entre as duas há um equilíbrio quase perfeito. Ela obriga-me a ter o IRS direitinho e a fazer bem as coisas e eu obrigo-a a embarcar em 1001 aventuras, cada qual a mais louca.
Já discutimos inúmeras vezes e às vezes ficamos dias e dias sem nos falarmos. Quando me salta a tampa, fico insuportável e ela sabe-o bem. Quando fica ela absorta nos seus pensamentos negros, tiro-a de casa nem que seja em pijama e quando dá por si, só lhe falta mesmo andar com vestidos às florzinhas
É a minha carregadora oficial de sacos quando nos damos ao luxo de estarmos uma tarde toda no entra e sai das lojas. Já tivemos ataques de riso com as figurinhas tristes que fizemos com certos modelitos nos vestuários das lojas.
Há anos que falámos quase todos os dias e mesmo assim há sempre assunto para mais umas horas.
É a única que tem paciência para ir comigo ao cinema, porque como é sabido, fico tão envolvida nos filmes que, nas cenas de suspense, apanho grandes sustos e salto para cima de quem estiver ao meu lado. Ninguém também está para aturar as minhas gargalhadas nas comédias ou quando adivinho o fim dos filmes ao fim de 10 minutos!
Ela é a minha memória. É capaz de se recordar de coisas que fizemos há milhões de dias com pormenores e eu nem sei o que comemos ontem. É uma excelente pre-leitora dos meus livros e um bom garfo dos meus pratos caseiros. Mesmo que fique uma porcaria, diz sempre que está óptimo!
Também é uma óptima guarda-costas porque se souber que alguém me faz mal, mostra logo as garras. Acima de tudo, foi aquela que nunca me abandonou no período mais negro da minha vida, que esteve ao meu lado quando tive de engolir sapos, que nunca virou as costas ao meu mau feitio e que sei que será minha amiga leal para sempre, aconteça o que acontecer.
Às vezes, como tenho sempre muitas pessoas à minha volta, ela pensa que me posso esquecer dela. É um autêntico disparate. Ela é um dos pilares da minha vida e não consigo concebê-la sem ela. A Claudia é a irmã que sempre sonhei ter, muito mais que uma simples amiga! Obrigada por estares sempre aí e desculpa-me todas as más palavras, mesmo aqueles de que nunca pedi desculpa por orgulho. Perdoa-me os silêncios e as explosões. Obrigada por tudo, amiga!