
Foi com uma certa nostalgia instalada no canto do olho que vi ontem o programa comemorativo dos 50 anos da RTP. Adoro ter a idade que tenho porque só na década dos trinta, atingi a maturidade necessária para gostar de mim e estar em harmonia com o mundo. Contudo, não é segredo para ninguém que sou uma saudosista incurável e que adoro recordar momentos da infância e da adolescência. Portanto, o programa de ontem foi a minha cara!
Adorei rever o Engº Sousa Veloso, porque sim vi muitas vezes o Boletim Agrário. Vi com emoção os corpos (imagens actuais e antigas) daquelas vozes que fazem parte de muito da cultura que aprendi com documentários como a Ana Zanati e o Eládio Clímaco. Foi giro ver algumas misses Portugal mais idosas. Adorei ouvir a medley com os genéricos dos desenhos animados que vi e revi como a heidi e a abelha maia. Fiquei toda melosa quando ouvi as canções que davam todos os dias para as crianças irem dormir, com especial preferência pelas do Vitinho. Fartei-me de rir a ver as publicidade da laca, da pasta medicinal couto e do restaurador olex. Cantei todos os jingles publicitários da bic laranja bic cristal, mokambo e outras que tais. Também cantarolei todas as canções do Festival da Canção e recordei com saudade o Carlos Paião. E acima de tudo, fiquei quase a chorar quando vi a Rosa Mota e o Carlos Lopes a cortar a meta e dar-nos a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos; assim como a presença dos nossos paraolímpicos. Não há dúvida que o futebol é lindo mas foi sempre o Atletismo que me deu as maiores alegrias por Portugal!
E quando, finalmente, julgava que já tinha visto tudo o que havia para ver, o João Baião foi entrevistar pessoas da rua sobre a RTP e não é que uma das que falou foi a minha mãe!!! Querem melhor? Alguém sabe se o programa vai repetir? É que este eu vou mesmo gravar! Alguém sabe como posso gravar em formato digital?
O meu filhote perguntou-me: – Daqui a 50 anos, quando a RTP fizer 100 anos, achas que és viva? – Não sei. – respondi-lhe. Esperemos que sim, mas com saúde. E é o que desejo a todos nós, que daqui a 50 anos, havendo ou não televisão generalista, sejamos todos uns velhinhos amorosos, ajuizados e saudáveis… com muita nostalgia instalada no canto do olho…