
Se alguém souber propiciar-me alguma informação sobre este fantástico coiso-zen, ficar-vos-ia eternamente grata…

Se alguém souber propiciar-me alguma informação sobre este fantástico coiso-zen, ficar-vos-ia eternamente grata…
Estava a aspirar quando descobri que havia ainda uma prenda por abrir debaixo da árvore de Natal.
Tinha um saco da Natura e não estava identificado, embora me lembrasse que era para mim mas já não sabia de quem. Abri e surpresa! Um tabuleiro quadrado dividido em 9 quadrados, tipo jogo do galo, com um pote e 8 budas, uns paus cor-de-rosa e um saco de areia.
hmmm?
Estou perplexa. O que será? Um jogo do galo original? Quem perde terá de levar com o pote cheio de areia? Um tabuleiro zen de budas de incenso? Uma indirecta para que me dedique a ler o futuro aos amigos nos fins de semana? Acho que esta deve ser a mais provável. Bem… errr. Pessoal vou desaparecer por uns tempos, pintar o cabelo de preto e arranjar um modelo de vassoura novo cá para casa que de metro não ando mais… Até pró ano… E Tenham medo, muito medo com o meu regresso…

Este fim de semana, fui a Lisboa para ver o Assobio da Cobra mas nem sei como. Desde sexta-feira que tenho estado a viver a louca aventura dos transportes em Portugal, juntamente com a Ponto Azul.
Por volta das 15h30, saí de casa, com o temporal a desabar, para apanhar o metro que me levaria à estação de Campanhã. Quando nas 7 bicas o metro passa a velocidade de caracol, tive a maravilhosa sensação de estar a viajar num transporte novo: o metrarco (metro+barco), pois a água era tanta no túnel que até levantámos os pés do chão para não os molharmos. Continuou então a viagem a velocidade reduzida e compreendemos logo que já não dava para apanhar o comboio à hora desejada… Antes da estação campo 24 de Agosto, ouvimos uma mensagem incompreensível do condutor do metro. Percebemos depois que o metro não parava nessa estação subterrânea (recente) porque chovia a cântaros lá dentro
Chegámos a Campanhã passavam alguns minutos das 16h. Perguntámos na bilheteira:
- Ainda dá para apanhar o pendular das 16h?
Resposta: – Querem tentar?
Eu: – E se nao esperar por nós?
Resposta: – Pois…
Eu: – Então é melhor não, queria 2 bilhetes para o das 17h.
Fomos então tomar qualquer coisa ao café da estação e coscuvilhar as últimas novidades das estrelas nas revistas da tabacaria (a mulher do Tom Cruise gastou 3000€ em lingerie para a lua de mel. Há gente tão pobre, valha-me deus…). E o pendular das 16h continuava no mesmo lugar. Ouvia-se uma voz a informar que devido a falha de corrente em Valadares, os comboios não partiam mas que logo que possível informariam quando voltariam a circular. Às 17h, o das 16h ainda lá estava… A voz dizia então que não havia corrente na zona de Esmoriz. Às 17h15 fui perguntar se havia notícias da hora de partida dos comboios. Não sabiam. Pedi a devolução dos bilhetes.
Toca então a correr para apanhar uma camioneta para Lisboa. De preferência a das 18h. De volta ao metro. Na estação em que chovia passámos lentamente às escuras como naqueles carrinhos das casas fantasmas da Feira Popular. É que chovia cada vez mais e electricidade + água não costuma funcionar muito bem. Mais uma molha na Batalha até ao terminal rodoviário. Chegámos às 18h02. Na Bilheteira, a bufar:
- Ainda dá para apanhar o autocarro das 18h para Lisboa?
Resposta: – Claro que dá.
Compro dois bilhetes e de novo a correr para o autocarro não se pirar sem nós. Procurámos em todo o lado. Nada. Pois… No stress. Chegou às 18h40. Partimos às 18h45. Depois, a viagem nem correu muito mal. A meio do caminho, soube através de um telefonema que os comboios estavam parados em Fátima. Pensei cá para mim: – Olha se tivéssemos esperado pelo comboio, agora estávamos lá. As pessoas que estão lá estacionadas, podem pensar positivo e dizerem que é hoje que finalmente podiam sair na estação e ir a pé a Fátima!
Passámos o resto da viagem a perguntar uma à outra:
- Já chegámos a Fátima?
Já quase em Lisboa, a senhora que ia na cozinha (para quem não sabe, cozinha num autocarro é a última fila) à nossa beira, pergunta:
- Desculpe, meninas, esta camioneta pára em Fátima?
E nós, rindo:
- Não, minha senhora, estávamos a brincar, estamos quase a chegar!
E pronto, chegámos a Lisboa às 22h15. Nada mau: 7h depois de ter saído de casa. O espanto foi mesmo não estar no Algarve… Pensei que depois desse dia, nada poderia correr mal no fim de semana, mas enganei-me. O próximo episódio fica para amanhã. Prometido! Isso e responder aos vossos simpáticos comentários. Muitos beijinhos e bons sonhos
Há espaço para o que te escrevo
e para o que deixo nas entrelinhas.
Há espaço para o cair das folhas
e para o regresso das andorinhas.
Há espaço para a quentura do sol
e para a frieza da indiferença.
Há espaço para o canto do rouxinol
e para a dureza da sentença.
Há espaço para a fluidez do dia
e para as estrelas do crepúsculo.
Há espaço para o despir da folia
e para o Homem maiúsculo.
Há espaço para a felicidade
e para o tempo de inquietude.
Há espaço, sem ti, de saudade
e também, de ti, em plenitude.
Há espaço para a terra-de-ninguém
e para a densidade da multidão.
Há espaço para o vazio do além
e para os afectos do coração.
Há espaço para o ali,
o agora e o aqui.
Todo o espaço
de mim para ti.
Jacky (08.11.2006)
Há um tempo para a amizade,
para a partilha de gostos e ideias,
de identidades siamesas,
de se querer ser igual a,
de se identificar com…
Há um tempo para o amor,
para a empatia, para os afectos
que desabrocham como flores silvestres,
flores que dão frutos e frutos
que geram sabores e sensações…
Há um tempo para a ruptura,
para o quebrar das tradições,
para o desmoronar dos preconceitos,
para os pensamentos enrodilhados
que não se querem novelo mas tecido…
Há um tempo para a paranóia,
para a desconfiança, para se julgar
que todos estão do contra,
que todos conspiram para o mal,
que há espiões à escuta e à espreita…
Há um tempo para recordar,
guardar fotografias e papeis
de momentos felizes e fluidos,
roupas que dão sorte, memórias
que se querem preservar para a posteridade…
Há um tempo para esquecer,
queimar cartas e diários,
rasgar o livro porque
virar a página já não chega,
deitar o passado para o lixo,
ficar-se sem nada e aí sim
recomeçar com um livro
novinho em folha…
Há um tempo de cansaço,
de desistência em manter-se
as pontas que se afastaram há muito,
de esforços que não levam a lado nenhum…
Há um tempo para se dizer basta,
para negar, para afirmar um Não!..
Há um tempo para os outros,
para ouvir, para escutar,
para reconfortar, para abraçar…
Há um tempo para o silêncio,
a casa vazia, um tempo para o «eu»…
Há um tempo para tudo
até para não se fazer
nada do tempo…
Jacky (07.11.2006)
Os dias já encurtaram e, daqui a poucos dias, entra-se no horário de Inverno . A luz fica reduzida a algumas horas, enquanto a noite nos engole. O frio entranha-se dentro das casas, na pele e na alma. Das folhas caídas, absorvo a quentura dos vermelhos e dos castanhos e cubro o corpo com camisolas macias e edredões coloridos. Perco-me no tempo dos dias idos. Fico assim parada, sem vontade, envolta em nostalgia…


Rodopio inspirado nesta fotografia da wind
Sou inquietude em rodopio. Choco contra as paredes dos meus pensamentos. Vou de encontro às minhas emoções endiabradas, desordenadas, incontroláveis. Esbarro em ti. Resvalam as palavras irritadas, amargas, desnorteadas. Agarras as frases. Ficam presas na tua mão fechada. Abraças-me. Nas minhas costas, a tua serenidade molda as minhas palavras. Transforma-as. Ping… Ping… Ping… Evaporam-se no tempo. Tempo teu de amorizade…
Jacky (17.08.2006)
Voz em fuga:
Momentos de silêncio
Tumultos emocionais
Pensamentos caóticos
Vazios abismais…
Voz em fuga:
Sons incompreensíveis
Palavras desordenadas
Frases desconexas
Textículos dispersos…
Voz em fuga:
Olhares expressivos
Sentires incandescentes
Sensações concomitantes
Espasmos em ágape…
Voz reencontrada…
Jacky (17.08.2006)
Em resposta ao desafio da Hipatia
… já que não posso mudar os móveis, alterei a ordem dos livros nas estantes…
A cada um a sua pancada!
Semeei
em lençóis imaculados
os frutos do meu desejo
numa cama sem ti…
Jacky (03.08.2006)
Fala dos teus gostos e do que não aprecias usando os sentidos. Em segundo: audição.
GOSTOS AUDITIVOS
Gosto da imensidão do silêncio na minha casa, depois dum dia recheado de barulho. Gosto das ondas-carneirinho que rebolam na areia em dias de calmaria e das ondas violentas de tempestade que chocam contra as rochas. Apraz-me ouvir os passarinhos a cantarem em manhãs de nevoeiro e de ouvir a chuva cair na persiana, quentinha na minha cama. Encantam-me o riso das crianças no parque da cidade e os gritinhos de excitação nos primeiros dias de praia.
Em dias alegres, gosto do cantarolar das palavras que saltitam de boca em boca, das gargalhadas sonoras que contagiam e dos sons tolos dos desenhos animados. Em dias tristes, fico enrolada em concha ouvindo músicas melancólicas condizentes com a minha alma, com vozes quentes para aquecer a frieza interior…
Gosto de ler histórias imitando personagens, de adormecer os meninos pequenos e grandes embalando-os com a minha voz, de murmurar baixinho ao ouvido, dos meus amores, o quanto gosto deles. Não gosto de gritar em dias de irritação nem de choramingar em dias de mágoa…
Agora é a tua vez!
Não será chover no molhado quando a publicidade às bandas de cêra ou fantásticos sprays depilatórios são sempre exemplificados em pernas sem pêlos? É como publicar cremes para as borbulhas em peles imaculadas ou cremes anti-celulite em corpos perfeitos! A mim, não convencem…
De vez em quando a wind desafia-me a escrever textos a partir de imagens. Continuo a achar que não tenho grande jeito para a poesia, mas gosto de fazer os outros felizes… Se quiseres ler, chama-se nudez.
Fala dos teus gostos e do que não aprecias usando os sentidos. Para começar: o olfacto.
GOSTOS OLFACTIVOS
Gosto do cheiro de certos dias especiais, como no São João. Respiram-se ares de alfazema, mangerico e alho-pôrro para afastar os maus espíritos da Invicta. No Natal, por entre frinchas de ar frio, paira o doce do pão de ló e o aroma de canela da aletria. No Carnaval, cheira a malícia e a carnes de porco variadas. Hmmm aquele presunto está a levar-me pelo nariz, como resistir-lhe? Na Páscoa, depois da abstinência da Quaresma, o ar engrossa de chocolate.
Em dias alegres, o ar perfuma-se com as flores silvestres que nasceram na Primavera. Os risos das crianças cheiram a gelado de morango. Em dias tristes, fecho-me numa redoma com cheiro quente, para recriar a segurança do ventre materno. Todos os dias são dias de maresia, revigorar-me com o aroma salgado sobre a pele. O cheiro da minha gula é de damascos, limão, framboesas com crème fraîche, bolo do amor acabadinho de sair do forno, pão branquinho com nutella, o perfume das nossas peles nuas….
Dormimos numa cama de rede ao relento. As noites são amenas, o sono repousante. Vivemos assim os dias à procura da amenidade dos pequenos nadas e da harmonia do universo. Acordamos em dias de primavera onde as flores embalsamam o ar e pequenos rebentos surgem das árvores renovadas.Vivemos numa redoma de vidro onde esse mundo violento em que pais fazem mal aos seus filhos e crianças morrem de fome e de frio não existe.
Neste deambular, o outono colora os nosso dias com folhas esvoaçantes em tons dourados e castanhos. O aroma das castanhas assadas na rua acaricia as narinas dos passantes.
O mar enrola os ódios e as invejas nas suas ondas gigantescas e transforma-os em tolerância e partilha. O vento leva as ansiedades a passear até às estrelas e elas voltam recicladas em serenidades.
Adormecemos na cama de rede num mundo reinventado por nós.
Avec le mot "si" on peut faire tout ce qu'on ne peut pas faire.
Pierre Dac
Se eu ganhasse o euromilhões…
Se eu fosse mais bonita e mais sensual…
Se eu fosse um modelo de elegância e charme…
Se eu tivesse um corpo perfeito…
Se eu desse corpo a todas as tuas fantasias…
… gostarias mais de mim?
… apaixonar-te-ias loucamente por mim?
E se eu assim fosse, algum dia, apaixonar-me-ia por ti?
Não gosto da palavra insónia. Tem uma carga grande de negação. Prefiro dizer espalhar o sono. Faz-me lembrar uma praia com um imenso areal onde andam a passear os meus sonhos…
Insónia versão babel fish:
Not taste of the insónia word. It has a great load of negation. I prefer to say to spread sleep. It makes to remember me a beach with an immense areal where they walk to walk mine sonhos…
Texto escrito a pedido da wind!
Sou olhos. Sou nariz.
Sou fundo sem matiz.
Sou rosto. Sou cabelo.
Tornei-me num pesadelo.
Sou azul. Sou cinzento.
Sou apenas fragmento.
Sou nome presente num arquivo,
porque simplesmente já não vivo.
Sou lágrima que já não corre
por um ditador que nunca mais morre…
Jacky (17.04.2006)
Imagem de Bush feita com retratos de soldados americanos mortos no Iraque.
Change is the essence of life. Be willing to surrender what you are, for what you could become.
A rotina mata-me. Ficar sempre nos mesmos lugares e fazer as mesmas coisas todos os dias acaba comigo. Preciso de mudança. Isso não quer dizer que seja nómada e que precise de andar sempre em trânsito, significa que preciso de criar e de aprender coisas novas todos os dias, de interagir para me enriquecer mais um bocadinho.
Adoro viajar e, por razões diversas, tenho tido poucas possibilidades de o fazer. Resolvi de uma forma um pouco tola a necessidade de mudança, fazendo algo em casa que é mudar os móveis de lugar, mudo os quartos duns para os outros, arrumo e desarrumo. Mudo os livros dumas estantes para as outras e, em vez de ter as coisas em ordem, parece que o caos aumenta.
Esta semana, resolvi limpar os copos de cristal e as loiças do serviço que nunca uso e arrependi-me. Está tudo a reluzir e noutro lugar mas cansei-me estupidamente! Agora tenho montes de coisas fora do sítio, coisas que parecem sobrar…
Se calhar, nasci para ser minimalista, para apenas possuir aquilo que posso carregar comigo dum lado para o outro, se calhar nasci na família errada, no tempo errado, mas que se há-de fazer? Enfim, pancadas minhas…E tu, tens desejos de mudança?