Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

Considerandos sobre o amor (83) 01/12/2009

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 10:45 pm

Desordem

A desordem insinua-se sorrateiramente… Um objecto deixado aqui, um casaco pousado ali, uma caneta na casa de banho, uma coisa por acolá. São como rastos de ti, dele, dela, de mim; rastos que já ninguém reconhece como seus . O tempo arrasta-se, o acumular de coisas que estão fora do sítio desanima. Já não apetece arrumar. Tudo deixa de ter lugar certo e passa a morar nenhures. A desordem instalou-se. Não que se queira ter a casa primorosamente organizada, pois o lugar mais ordenado do mundo é sem dúvida o cemitério. A desordem faz parte de se estar vivo. O ser humano não se comporta como uma máquina. Mas quando é em exagero, não será sinónimo de uma certa agitação interior? Uma espécie de sinal exterior do que se passa no interior? Às vezes, chegamos à conclusão que precisamos de virar a página, de encerrar assuntos difíceis, de completar o que está inacabado e de simplesmente desistir de outras coisas, fazer uma triagem e deitar fora o que não necessitamos…
Como fazer? O melhor é começar pela casa: uma divisão de cada vez, coração ao alto e deitar fora, não transferir as coisas de uma divisão para a outra, sem arrumos nem sótãos tão jeitosinhos para se esconder segredos e adiar decisões… Acabar com a desordem é simplificar o que é complicado. No fundo, é dar espaço, um bem-estar minimalista que nos deixa então tempo para apreciar os pequenos prazeres da vida.
Que tal começar hoje com o acabar da desordem externa? Numa casa arrumada, medita-se melhor, há mais tempo para amorizar…

Jacky (01.12.2009)

 

Considerandos sobre o amor (82) 23/10/2009

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 4:58 pm

A amorizade entre mulheres

amorizade entre mulheres

Dizem que as mulheres são ciumentas, invejosas e traiçoeiras entre si. Nos locais de trabalho onde há muitas mulheres, principalmente, o ambiente é pesado, parece que têm prazer em contos e ditos, em confusões e em discussões. Será que a amizade entre as mulheres é algo impossível? Será que só os homens sabem ser solidários entre si?
Andei numa faculdade quase só de mulheres e detestei. Eram competitivas, coscuvilheiras, intriguistas, interesseiras e chegavam ao cúmulo de fazer queixas umas das outras aos professores. Antes das frequências, falavam tanto que ninguém conseguia pensar quanto mais se concentrar em escrever. A maioria dos dias ficava cansada só de lá estar e sentia falta do silêncio.
Porém, fiz lá duas amigas excepcionais, porque no meio do deserto também há o oásis. A Carla, além de ser prestável, tem o sentido de humor mais corrosivo que eu já conheci e sinto falta dele todos os dias! A Zulmira é a pessoa mais genuína e generosa que havia naquela faculdade! Ainda mantenho o contacto com elas, embora não fale com elas durante meses; quando nos revemos, é como se tivesse sido ontem!
Sempre gostei mais de trabalhar com homens, são mais simples e pragmáticos, mas quando preciso de apoio moral, de alguém que me compreenda, recorro às minhas amigas mulheres. Sim, amigas no plural, porque são muitas. Tenho amigas do mais diferente que há, desde extrovertidas a tímidas, de simpáticas a bichos do mato, algumas inseguras outras donas do mundo, mas todas fazem parte da minha vida. E porquê? Porque me ouvem quando desabafo, sentam-se ao meu lado quando estou calada e esperam, riem e choram comigo, compreendem certos estados de alma hormonais que só mulheres sabem entender, ajudam a minha auto-estima, telefonam quando há preocupações ou só porque lhes apetece partilhar algo, criam uma espécie de rede que impedem a solidão e a tristeza. Elas ralham, dão raspanetes, oferecem presentes, puxam as orelhas, abraçam, estão sempre lá, se não for uma, é outra!
Sim, a amorizade entre mulheres é possível, eu e as minhas amigas somos a prova disso e quando nos unirmos também na escola, no emprego, na sociedade e na política, ninguém poderá parar-nos!

Bom fim de semana, minhas amigas MULHERES!

 

considerandos sobre o amor (80) 21/09/2009

Arquivado em: amor, considerandos sobre o amor — jacky @ 2:17 pm

por-do-sol

Saborear os afectos

Hoje, em dia, qualquer pessoa que se preze anda com a cabeça cheia de coisas a fazer, projectos por concretizar, castelos no ar, sonhos inacabados e vivemos sempre a correr, nem sempre à velocidade da nossa mente. É como se a cabeça fosse um enorme flipper e uma bola de metal estivesse sempre a chocalhar contra as nossas listas de coisas por fazer e a tilintar. Tlim tlim! De vez em quando, lá conseguimos acabar algo e plim, pontuação máxima! Às vezes, dá direito a bolas extras e a mais listas…

O problema é nos viciamos nesse stresse permanente. Queremos sempre mais. Ainda não acabamos de fazer algo e já temos a mente coupada nas duas ou três coisas a seguir… Não somos capazes de parar… Entretanto, dois olhinhos fixam o nosso rosto, à espera de um sorriso, de uma palavra de encorajamento e nós nem os vemos. Vemos além do rosto dos nossos filhos, como se as letras das coisas por fazer se sobrepusessem tal ecran de computador em excel…

Porque nos esquecemos de saborear os afectos? É tão bom não fazer nada junto aos filhos, pois fazer nada e estar com eles a fazer o melhor que há no mundo que é fruir o tempo deles, que passa tão depressa… Gosto de estar sem fazer nada com a Sara: cantar-lhe uma canção tradicional, vê-la a brincar com os seus deditos nos seus objectos, de sentir a sua mãozinha apoiada na minha perna quando me sento no chão à beira dela, de a encorajar quando está de pé sem apoio, de a ver tentar agarrar a colher para comer sozinha. Gosto de me deitar na cama do Mário à noite e ficar assim abraçada até ouvir a sua respiração tranquila, de o ouvir falar quando dorme. Gosto de me sentar à beira dele e vê-lo jogar um jogo qualquer, de ver as suas proezas e ajudá-lo nas suas dificuldades em ultrapassar determinado nível. Gosto de lhe telefonar a meio do dia só para lhe dizer que gosto dele…

Saborear os afectos, afinal, é tão simples. Não é preciso comprar nada. Basta ter tempo para não se fazer nada e fruir a presença de quem se ama.

Jacky (21.09.2009)

 

Considerandos sobre o amor (79) 21/08/2009

Arquivado em: amor, considerandos sobre o amor — jacky @ 12:32 am

gordos
Amor e Preconceito

O preconceito, como o nome indica, é ter uma ideia sobre algo sem mesmo conhecer ou saber para formar uma ideia. Infelizmente, o preconceito é algo que faz o mundo abrandar e, muitas vezes, até regredir.

Um preconceito que anda muito em voga é aquele que se aplica aos gordos. Hoje em dia, os gordos são mal vistos (e nem sequer estou a falar dos obesos, estou a referir-me a pessoas perfeitamente normais mas com uns quilos a mais segundo os padrões de hoje). Sim, porque se forem a ver as pinturas da Idade Média, as mulheres que eram consideradas belas e eram retratadas pelos grandes pintores, eram GORDAS. Retrocedendo um pouco mais, as primeiras esculturas de mulheres são mulheres cheias, com grandes peitos e muitas vezes grávidas.

Entretanto, o conceito de beleza foi-se alterando e agora as mulheres belas são mulheres muito magras (porque sim, quem é que usa tamanho 30 ou 32?) quase sem formas. A televisão e as revistas vão impingindo ao pessoal estas imagens e vamos encaixando que, para sermos belas, temos de lutar contra a nossa própria natureza, passar fome e deixarmos de ter formas corporais para sermos paus de virar tripas.

Quanto aos homens, ou são musculosos como os actores de cinema, ou então devem ser magros, senão ninguém os quer. Um homem com gordura a mais, barriga proeminente, tem ar de desmazelado, de encher a cara de cerveja todos os dias ou de se babar para cima de bolos todos os dias. Têm de ser metrossexuais, depilar os pêlos do peito ou outras tretas que a moda vigente ditar…

Estou farta desse preconceito, de ver homens e mulheres deprimidos porque ninguém os quer devido aos quilos a mais. Assim sendo, os gordos nunca namoravam nem casavam! O problema para mim tem mais a ver com auto-estima e menos com formas corporais, balanças e dietas. Quem diz que um gordo solitário, se fizer dieta e ficar com um corpo «desejável» vai ser mais feliz por isso? E ter mais oportunidades de seduzir alguém?

Há tantos gordos famosos bem na sua pele! O José Carlos Malato, comunicador fantástico; Fernando Mendes, recordista de audiências; Lutadores de sumo, que no Japão são considerados os homens mais desejáveis do país; Jô Soares, um humorista excelente; Garfield, o gato mais amado da BD; o Pai Natal, a quem até se deixa leite com bolachinhas, o gordo mais amado do mundo; e muitos mais que agora não estou a recordar…

E esta prosa deve-se a quê? É que estive a ver o campeonato mundial de atletismo na eurosport e uma das disciplinas de hoje era lançamento do martelo. Se vissem as atletas… algumas eram bem gordas, até com banhas, mas atiravam o martelo a mais de 70 metros!!! E são as melhores do mundo com medalhas!!! Mas se víssemos uma dela na rua, vestida normalmente, sem o fato desportivo e a medalha, o que é que íamos pensar? – Ena pá, que gorda, aquela precisava de fazer dieta, deve ser só enfardar, que ganda lontra! E no fundo, os que enfardam preconceitos somos nós… Quem me dera estar no lugar de uma delas, ter uma medalha de ouro no peito e ouvir o hino do meu país em frente a milhares de pessoas num estádio….

Jacky (21.08.2009)

 

considerandos sobre o amor (78) 26/05/2009

Arquivado em: animais, considerandos sobre o amor — jacky @ 2:01 pm

O amor e os cães…

sunday kikas

O cão é o melhor amigo do homem, dizem, e eu concordo. Tenho um cão há 9 anos e posso dizer que ele mudou a minha forma de estar na vida. Antes era capaz de estar fechada em casa todo o dia, com o cão, habituei-me a ir apanhar ar, ele é que me leva a passear. Melhorei da minha alergia ao pêlo pois o contacto com o cão reforçou a minha imunidade. O cão está sempre bem-disposto, gosta de mim esteja eu despenteada, com a cara mal lavada, mesmo que eu tire as sapatilhas e cheire a chulé. O meu cão deve ser o único ser que me aceita realmente como eu sou, sem querer mudar-me. É o único ser que quer estar sempre comigo, encostado a mim no sofá, que está atento ao meu mundo emocional, que nunca me deixa só. O meu cão ama-me acima de tudo, mesmo que por vezes, me pareça que me trocaria por um bife…

O cão ensina ao ser humano o toque, que está cada vez mais esquecido. As pessoas já não se tocam, já não se acariciam, já não se abraçam, mas o cão ensina-lhes a deixar cair essa carapaça defensiva e a voltar a confiar no toque. As pessoas que sofrem de tensão alta, principalmente as control freak, melhoram quando têm um cão em casa e o acariciam!

É verdade que é chato passear o cão, ter de o levar de férias ou arranjar quem fique com ele nesse período, é verdade que na altura em que larga pêlo é uma seca limpar e que se gasta dinheiro com as vacinas, e depois? Não podia ser só coisas boas pois não?

Sabiam que o cão ensina as crianças pequenas a comunicar e a desenvolver a gestualidade? Então porque é que há pessoas que acham que os cães só são prejudiciais às pessoas por causa do pêlo? os cães guiam os cegos, ajudam os deficientes a sentirem-se «pessoas normais» e mais uma série de coisas que não me lembro agora.

Talvez seja por todas essas razões que cada vez menos gosto de pessoas que não gostam de cães e os tratam mal. Faz-me pensar que têm um grave problema de relacionamento e são incapazes de receber afecto, quanto mais dar…

 

Considerandos sobre o amor (77) 04/03/2009

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 3:20 pm

Coração sentado

amigurumi heart

De vez em quando, devemos sentar o coração, libertá-lo do bombardeamento de pensamentos que o nosso cérebro lhe manda.

Há pensamentos que são agulhas de cactos que se espetam e não se conseguem tirar sem dor. Há pensamentos como parasitas que se agarram, absorvem a nossa energia e não conseguimos arrancar. Há pensamentos que são como panos negros que assombram os momentos felizes presentes. Há pensamentos invasores que nos desconcentram. Há pensamentos que nos rasgam e nos deixam a sangrar.

De vez em quando, devemos sentar o coração, esvaziá-lo de pensamentos e deixá-lo repousar… e depois, quando ele estiver mais descansado, voltar a colocá-lo no peito…

(texto inspirado neste coração que fiz ontem)

Jacky (04.03.2009)

 

considerandos sobre o amor (76) 07/02/2009

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 11:11 am

A elasticidade do amor

Todos sonhamos preencher a vida com amor. Vivemos na expectativa de encontrar a alma gémea e de a disfrutar como nos grandes romances e filmes de amor. No início, só pensamos no outro, ansiamos pelos momentos em que estaremos juntos, sofremos com as ausências, sentimo-nos uma borboleta acabada de sair do casulo da solidão, voando à volta do nosso amor.

Este estado de euforia não pode durar para sempre porque a paixão esgota as nossas energias. É necessário então converter esse entusiasmo em amor, em projectos para o futuro, investir numa relação a dois, numa família…

No início, há a fusão. Depois, com a convivência diária, as diferenças saltam à vista e é necessário fazer alguns ajustamentos para que o casal funcione. Ambos precisam de explorar a personalidade do outro e aproveitar o melhor que há em cada um e estar presente no pior também. Para que a relação perdure no tempo, é preciso cooperação.

O pior é que, passados alguns anos, às vezes, apenas alguns meses, instala-se a rotina. Uma das partes deixa que seja o outro a fazer todos os esforços. Geralmente, há um que se acomoda. Acha que o facto de trazer o ordenado para casa é suficiente para que as coisas continuem a correr. Muitas vezes, passa a ser a outra parte a fazer tudo: além de trabalhar, chega a casa, tem de tratar dos filhos, das roupas, da loiça, das refeições, das limpezas e das arrumações. Por vezes, aos fins de semana, a parte acomodada decide ajudar e aspira e depois fecha-se em si próprio(a) e comporta-se como se ainda vivesse em casa dos pais, quando a mãe fazia tudo. Fica alheio(a) a tudo e sem problemas de consciência, sentado(a), enquanto a outra parte vai limpar a casa de banho, faz o almoço, limpa o pó, arruma a cozinha, põe máquina a lavar e a secar, passa toneladas de roupa a ferro. É como se ambos vivessem num barco em que uma das partes é o capitão e o outro é o subalterno, que faz tudo. Se, ao menos, o capitão, de vez em quando, desse o leme ao outro e trocasse os papéis. Se, ao menos ,o capitão agradecesse e se mostrasse grato por tudo o que o outro faz, dizendo-lho todos os dias, mostrando com pequenos gestos que o que faz é significativo e não tomasse as coisas por garantidas, talvez as coisas melhorassem.

O amor assim não pode subsistir porque há uma desigualdade muito grande no relacionamento. Começam algumas discussões, seguem-se os silêncios, por vezes, o rancor começa a cavar o abismo que há-de separar, o que já foi paixão. A parte que mais se esforça para que as coisas resultem, começa a sentir que não é respeitada, amada, sabe que no fundo está a ser ignorada e que ,mais tarde ou mais cedo, um dia, vai cansar-se de lutar e vai desistir… porque deixou de haver um projecto a dois.

Depois não há nada de pior do que uma das partes, queixar-se, ou até mesmo, zangar-se e o outro ficar calado, como se quisesse simplesmente ignorar a cólera do outro. Talvez pense que se ignorar a ira acabará por passar, mas não funciona assim. Os relacionamentos estáveis duram porque o casal fala. Cada um tem o direito de se queixar e de se enervar, de dizer porque está descontente e depois quando as coisas ficam mais calmas, conversarem sobre o que é relamente importante e descartar os exageros. A verdade é que quem mais se enerva é quem mais ama. Quem mais se queixa é quem mais quer que as coisas resultem. Ignorar tudo isso, é ignorar os esforços e o amor do outro.

Quando as pessoas se amam realmente, conseguem ultrapassar os silêncios, os rancores, as complicações, o cansaço, a rotina, o abismo, mas isso requer esforço de ambas as partes, que de vez em quando, se relembrem do que os fez apaixonar, do projecto que querem para o casal, é preciso empenho e deixar o comodismo enterrado numa caixinha no jardim sem mapa para o poder recuperar…

Quem ama realmente sabe que o amor é como um elástico, às vezes, estica-se demasiado e parece que vai rebentar, mas se deixarmos o elástico livre ele voltará ao normal. A sabedoria está em não deixar partir o elástico…

 

Considerandos sobre o amor (75) 07/10/2008

Arquivado em: amor, considerandos sobre o amor — jacky @ 6:42 pm

Porque se gosta tanto de bebés?
Porque olham tudo como se fosse novo mesmo não vendo, porque prestam atenção às nossas palavras mesmo não percebendo, porque não nos julgam, porque não têm ideias preconceitos sobre ninguém mesmo não pensando ainda, porque adoram ser mimados e mimam de volta mesmo não escolhendo ainda família e amigos, porque nos tocam com as suas mãozinhas delicadas e por dentro com o seu amor condicional…

Sara 3 weeks old

Sara, 3 semanas

 

Considerandos sobre o amor (74) 25/06/2008

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 11:14 am

«Se revelares os teus segredos ao vento, não o culpes por os revelar às árvores»

Khalil Gibran

Photo of Stephmel

Segredos… Quem não os tem? Deverá dizer-se tudo ao outro ou guardar algum mistério em passados não revelados? Será legítimo que actos e palavras não segredados criem abismos numa relação? Às vezes, certos  acontecimentos ficam enclausurados no esquecimento do tempo para protegerem o futuro. Às vezes, certas verdades precisam de ser ditas a bem das famílias. O ideal seria termos a serenidade necessária para sabermos o justo equilíbrio entre o falar e o calar…

Que pensas acerca disto?

 

considerandos sobre o amor (73) 11/01/2008

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 2:07 pm

Nomes carinhosos

Todos os casais, têm nomes carinhosos com que se chamam mutuamente e que entra na esfera da intimidade. Nem todos são capazes de dizê-los em público, pois às vezes são um bocadinho parvos ou demasiado infantis. Há também quem chame o mesmo nome carinhoso a todas as suas conquistas, para não haver enganos, e é tudo corrido a ‘mor. Os casais que investem na relação gostam destas rituais e personalizam os nomes carinhosos, pois fazem parte da história do «nós».

Vamos partilhar estes nomes giros, nossos e de casais que conhecemos e que achamos especialmente divertidos ou originais?

Começo eu: puquinho! (daí a colecção de porquitos aqui em casa)!

Quem vem a seguir?

Tina
Então o meu marido e eu utilizamos o clasico “amor”.
Mas tenho aqui uns vizinhos que são mais imaginativos: ma puce, mon lapin,ma poule,mamour,e o indestronavel minou.
Conhecia um senhor que chamava a sua esposa com muito amor e carinho “minha cafeteira” hehehehe podia ser bem pior.
Gotinha
Eu chamo o mê Goto de pipoca.
Filipa
Eu chamo de Amor, é verdade, sou pouco imaginativa nestas coisas, mas sou tratada por Linda, e por Doce (que é o meu favorito!). Mas também te digo que, desde que me trate bem, pode chamar-me o que quiser, que eu respondo… ;) )

 

 

Considerandos sobre o amor (72) 04/01/2008

Arquivado em: amor, considerandos sobre o amor — jacky @ 10:53 am

Amo-te e os seus significados

Quando dizemos: «Amo-te», será que quer dizer o mesmo para toda a gente? Será que o que eu quero transmitir é o que tu compreendes quando o ouves? E se respondes: «Também te amo», isso significa que sentes exactamente o que eu sinto?

A verdade é que estas duas simples palavras não podem abarcar todo um leque de sentimentos que emergem quando se quer traduzir o amor.

Amo-te pode ter vários significados. Vou deixar aqui alguns exemplos:

Quem é carente quer dizer antes «Ama-me».
Quem é medroso «Não me deixes».
Quem está ferido «Ama-me como os meus pais não me amaram» ou «Ama-me como os anteriores amantes não amaram».
Quem é narcísico «Ama-me para que me ame a mim mesmo/a ainda mais que antes».
Quem quer substituir alguém «Amo-te como deveria ter amado X me deixou ou perdi».

E tantos outros que poderás acrescentar ao teu gosto e segundo a tua experiência. Queres ajudar-me a completar esses significados?

 

Considerandos sobre o amor (71) 03/01/2008

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 7:33 pm

A energia do amor

O amor é a energia mais poderosa do mundo. Por amor, ganhamos asas, corremos mundos, fazemos o impossível, transcendemo-nos… Se isso é verdade, porque haverá então tantas relações falhadas e outras que nem sequer chegam a começar?

O amor com A maiúsculo não existe, aquele amor que se vê nos filmes, em que tudo é perfeito, a música toca sempre que se olham, as nuvens cor-de-rosa pairam à volta e há sempre um futuro indefinido num final em que viveram felizes para sempre. No mundo real, uma relação amorosa cria-se através de dois sentimentos distintos: aquele que eu sinto por ti e o sentimento que tu sentes por mim. A conciliação dos dois é que faz com que o amor se possa construir todos os dias. Não existe uma reciprocidade imediata.

Nos primeiros encontros, a maioria das vezes, o que vemos e sentimos nem sempre corresponde ao que o outro vê e sente. Por vezes, o que se pensa ser amor é apenas atracção e desejo. Outras vezes, parece haver amor mas a verdade é que um ama e o outro sente-se bem por ser amado e deixa-se andar. Muitas vezes, as relações não funcionam porque há um deles que não tem auto-estima. Quem não se ama em si mesmo e às suas qualidades, não é tolerante com os seus defeitos e falhas, não tem capacidade para amar outrem.

Acontece então que o medo tudo domina, castra a energia positiva do amor. E os medos do amor são tantos. É preciso abdicar daquele patamar de segurança e arriscar para podermos fruir a energia…

Quem nunca teve medo de amar?

 

Considerandos sobre o amor (70) 05/11/2007

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 10:44 am

A construção da felicidade

Por vezes, a felicidade parece estar tão inacessível. Os dias correm cinzentos, carregados de nuvens problemáticas que assombram o nosso bom humor. Vemos os outros mais sorridentes, mais soltos, mais animados, e nós não. Só vislumbramos pequenos raios de sonhos entre tensões e pesadelos. Pensamos no que se poderia ser a nossa vida se… Sentimo-nos impotentes, cansados e infelizes…

E se tentássemos dar a volta, mesmo que devagarinho? Começar por espantar o cansaço, mexendo-nos mais. Obrigar-nos a sair da apatia e gastarmos energias a deambular na rua, passear o cão, praticar algum desporto. Depois, começar a separar o trigo do joio i.e. repensar os sonhos e ver os que realmente são concretizáveis. Aceitar a realidade e abdicar dos devaneios impossíveis da adolescência. De seguida, vamos parar de comparar a nossa felicidade à dos outros. O que parece nem sempre é. Nem vale a pena pensarmos no que somos e no que temos comparado aos outros porque se ficará sempre a perder. E para finalizar, vamos deixar de nos criticar e de nos censurar. Precisamos de nos elogiar quando fazemos bem as coisas e de celebrar quando obtemos alguma vitória mesmo que seja pequena.

Vamos reaprender a felicidade?

 

Considerandos sobre o amor (69) 03/11/2007

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 6:22 pm

La plume est la langue de l’âme.
Miguel de Cervantès

Pena é uma palavra tão rica em significados. Tantas frases que podem ser inventadas a partir dos sentidos de pena. Tenho pena porque já sei que não me vou lembrar de todos! Haverá pena para tal falta? Pena de quem sofre ao me ler… Valerá a pena tentar? Se o teclado fosse uma pena, os dedos deslizariam ao correr de si mesma!

Mas não é dessas penas sobre as quais vou discorrer, mas sim daquela pena que se usa como objecto erótico, ao de leve sobre a pele nua. Porque só os dedos não chegam e é preciso um prolongamento ainda mais suave, ainda mais subtil, ver arrepios em crescendo sobre a nudez… Uma pena macia como a de uma avestruz ou uma pena mais áspera mas muito vistosa como a do pavão… Preliminares audazes a práticas de que Cervantes falava: A pluma é a língua da alma. Hmmm…  pena… língua… outra palavra tão sugestiva… Às vezes, é tão bom devanear ao correr da pena graças a uma simples palavra ligada a um número deste considerando…

Jacky (03.11.2007)

 

Considerandos sobre o amor (68) 25/10/2007

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 3:00 pm

«Pour ce qui est de l’avenir, il ne s’agit pas de le prévoir, mais de le rendre possible.»
Antoine de Saint-Exupéry

Muitas vezes, sentimo-nos infelizes com o presente por tanto sonharmos o futuro. Parece-nos tão distante na realização e tão próximo no mundo que precede a noite. É tão mais fácil ficarmos a viver nessa zona enevoada, a meio-termo, não se assumir nem uma coisa nem outra.

Muitas vezes, é difícil assegurar o presente porque precisamos de dispensar muita energia, envolvermo-nos demasiado para que o sonho se torne possível. É tão mais fácil entrarmos num cómodo mutismo, ficarmos amuados e recolhidos numa concha do que desculpar, esquecer e dar outra oportunidade no próximo dia a nascer.

Muitas vezes, o sonho não se concretiza porque o esforço de nos voltarmos para ele é maior do que aquilo que imaginávamos quando o quisemos viver…

 

Considerandos sobre o amor (67) 23/09/2007

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 11:14 am

A Geometria dos Afectos

Se os afectos tivessem forma, nunca seriam quadrados. Nos cantos dos quadrados, não devem ficar afectos arrumados. Os cantos são lugares sombrios que guardam afectos que não se conseguem assumir ou que perdemos e não queremos libertar.

Se os afectos tivessem forma, nunca seriam triangulares. Nos bicos dos triângulos, não devem ficar afectos espetados. São como lâminas que ainda ferem, afectos que doem, afectos que causam sofrimento e muita tristeza.

Se os afectos tivessem forma, seriam circulares. Os afectos que preenchem o ser humano são redondos, são energias circulares que provocam reacções em cadeia, elos de um gigantesco colar de amorizade que me ligam a ti, que te ligam a mim, que nos ligam a todos e todos um a um.

Os meus afectos são circulares e os teus de que forma são?

 

Considerandos sobre o amor (66) 29/05/2007

Arquivado em: considerandos sobre o amor, jacky — jacky @ 8:08 pm

A construção dos afectos

Fred Slavin

O amor é como um puzzle. Todos os dias colocam-se peças no grande puzzle que são os afectos. Há dias em que encontramos peças que encaixam na perfeição. E há dias em que descobrimos que houve um engano, que há peças desirmanadas que não encaixam em lado nenhum. Ficamos a pensar que talvez o puzzle onde vivemos os últimos anos não é a paisagem onde queremos ficar o resto da nossa vida, que temos de mudar de puzzle porque aquelas peças que pareciam perdidas são exactamente aquelas que são a chave para a nossa felicidade. Urge a mudança e sabemos que não podemos adiar para sempre…

Este blogue chegou ao fim. A minha escrita também. Preciso de mudar de puzzle e de pele. Fui muito feliz neste lugar, nas minhas e nas vossas palavras. Obrigada por tudo. Até sempre…

Jacky (29.05.2007)

PS. Cumprindo com o que prometi, o amorizade não será apagado. Ficam os jogos, as trocas de ideias, os dias maus e os dias bons, as cartas que vos escrevi, os devaneios e os aparvalhanços, as músicas e os testes, as minhas e as vossas palavras, enquanto a Internet durar.

PS2. (18.06.2007) Como tem havido muitos comentários com palavras menos próprias relativas à minha pessoa e a este blogue, a partir de hoje, os comentários encontram-se em moderação. Peço desculpa a todos os meus amoramigos pelo sucedido, mas estou cansada de insultos…

 

Considerandos sobre o amor (65) 19/04/2007

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 4:55 pm

A narrativa da amorizade

Quando era pequenina e vinha passar férias a Portugal, ficava sempre na minha Tatá. Tatá é o nome carinhoso em Francês para tia e esta é uma tia muito especial: é minha tia-avó materna. Íamos à praia todos os dias, para o Molhe, onde a Tatá tinha barraca. Ao fim de tarde, o Tonton ia lá ter. Depois voltávamos todos juntos, jantávamos e eu fazia uma corrida com o Tonton para ver quem comia a sopa mais depressa. Eu ganhava sempre. Na verdade, ele deixava-me ganhar. Gostava de saltar os quintais que ficavam por trás das casas, ali na Constituição, e ir até à casa da Mina brincar. Brincava com as formigas que saíam por uma frincha. Dava-lhes água para não terem tanto calor. Mal sabia, na altura, que as afogava com tanto zelo. Não gostava de laranjas, por isso, a Tatá dava-me tanjas e eu toda contente comia as laranjas todas sem pestanejar. Ia ao cabeleireiro e, quando chegava a parte de pintar as unhas, eu também queria, mas de vermelho! Na altura, também adorava sapatos vermelhos. Ela lá me convencia a pintar de rosa e, outras vezes, a minha teimosia levava a melhor…

O momento mais feliz do dia era quando me ia deitar. Se estivesse lá a Tia Isilda, ensinava-me o Pai Nosso em Português e lá adormecíamos as duas. Se não estivesse, a Tatá sentava-se na minha cama e contava-me uma história. Às vezes, inventava e, no dia seguinte, pedia-lhe a mesma. A Tatá já não se lembrava e eu dizia: – Ó Tatá, ontem, não me contaste assim! A minha história favorita era de longe a da Carochinha, que se punha à janela, depois de encontrar uma moeda a varrer a cozinha, e ouvia aqueles animais todos a gritarem muito alto. Coitado do João Ratão, morto, no panelão…

Mais tarde, já morava no Porto e fiquei a estudar no Carolina Michaelis que é perto da casa da Tatá. Uma vez por semana, ia lá almoçar mas já não fazia corridas com o Tonton. Às vezes, ligava-lhe antes de ir almoçar e dizia: – Ó Tatá, posso levar uma amiga minha para almoçar? – E ela dizia sempre que sim.

A Tatá teve sempre tempo e paciência para mim. Teceu a minha infância de palavras e de personagens maravilhosas. Os meus pais não tinham tempo para isso. A Tatá não teve filhos, mas é como se fosse a avó que não tive…

A Tatá tem agora 86 anos e está muito doente no hospital. Tenho ido lá quase todos os dias vê-la, dizer-lhe que gosto dela, porque, daqui a uns dias, quando ela partir, também partirá essa parte da minha infância, tecida de palavras, que foi muito feliz…

 

Considerandos sobre o amor (64) 15/04/2007

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 11:40 pm

A tecnologia e a sedução… 

Estive a rever este video dos Hot Chocolate e fiquei a pensar que os conceitos vão mudando ao longo dos tempos. O que era sexy no tempo dos filmes a preto e branco ainda o será nos de hoje? Não se terá passado do 8 para o 80? Do proibido para o despudor total? Deixou-se de se ter privacidade. Qualquer um de nós pode ser fotografado e filmado sem o saber em momentos menos bons e pior ainda podem alterar as fotos e os filmes sem termos qualquer controlo sobre isso… Quase ficámos sem tempo e espaço para a intimidade. É quase como se o excesso de liberdade reflectisse um voltar à ditadura em que todos eram espiados sem saber bem por quem. Não gosto deste caminho que a tecnologia está a traçar para o Homem Novo. Tenho um certo receio que se perca a espontaneidade que é um dos ingredientes principais da amorizade…

O que é sexy para ti?

 

Considerandos sobre o amor (63) 19/03/2007

Arquivado em: considerandos sobre o amor — jacky @ 11:03 pm

Os pequenos gestos

Charles-Schulz

Quantas pessoas se podem dar ao luxo de dizerem que são íntimos de heróis? De pessoas destinadas a grandes feitos? De pessoas que ganharam prémios valiosos? De pessoas que são famosos em todo o mundo? Muito poucos! E seremos menos felizes por isso? O que nos liga aos outros afinal? Não serão os pequenos gestos? Aquelas pequenas coisas que as pessoas fazem todos os dias e que mostram que estão presentes na nossa vida?

No meu prédio, mora muita gente, mas quase todos os dias me lembro de um vizinho que faleceu de repente de um ataque do coração. Não falava com ele mais do que falava com outros. Não era especialmente bonito nem era um orador nato. Não se destacava dos outros pelo tamanho nem pela força. Porém, todos os dias, recolhia as publicidades que as pessoas não levavam para casa, que simplesmente remetiam por cima das caixas do correio por comodismo, e levava-as para o papelão. Quase todos os dias, lembro-me do meu vizinho quando vejo as publicidades caídas das caixas do correio. Lembro-me dele, por causa dum pequeno gesto, embora não tenha dado os sentimentos à família quando faleceu nem de ter ido ao velório, porque não estava no Porto naqueles dias.

Benditos os pequenos gestos que não deixam cair no esquecimento aqueles que estimamos… E tu, que pequenos gestos recordas com saudade?