Amorizade

Amor + Amizade – Termo de Luandino Vieira

Carta à minha lilucha 03/09/2009

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 2:51 pm

lilucha

Lilucha,

Assim te rebaptizei porque és tão queriducha que soa melhor que Liliana ou Lije.

Sabias que já te conhecia antes de aparecer no flickr? Sim, já tinha visto o quanto eras prendada no blogue da Gotinha, quando lhe enviaste uns presentes para os seus filhotes. Quando te reencontrei no flickr fiquei contente por poder seguir as tuas criações. Fomos nos cruzando aqui e ali até que trocámos mimos em grupos do flickr mas ainda sem termos grande contacto. Depois, quem nos aproximou foi o Rafa. O nosso amor pos esses tolos de quatro patas fez com que começássemos a falar disto e daquilo e fomos construindo essa amizade de forma progressiva e sólida.

Sabias que tens exactamente a idade da minha sobrinha? Ambas nasceram em 1980 e ambas tiraram o mesmo curso. Dizem que santos da casa não fazem milagres e é bem verdade. Cheguei a mostrar algumas das minhas histórias à minha família e pronto… Contigo foi diferente. De repente, ficámos unidas por algo de muito importante: um projecto em comum. Mais que um projecto, é um anseio, uma aspiração, um desejo que há muito quero concretizar mas nunca houve um clique para que tal acontecesse. E assim, sem contar, deste-me o empurrão para realizar esse sonho.

Sabias que temos muito mais em comum do que apenas os nossos peludos amalucados? Temos a empatia, o gosto pela vida e pelas cores, os sapatos rasos abonecados, os caracóis soltos, a criatividade e o amor pelas coisas belas. Além disso, ainda és elegante, tens classe, és inteligente, és linda… Os homens deste mundo andam ceguinhos, ou quê? :D

Lilucha, neste momento, fazes parte integrante da minha vida, mais que uma amiga, mais que uma sobrinha, és a outra metade do meu sonho quase real. Obrigada…

Jacky (03.09.2009)

 

Carta aos meus invejosos de estimação 03/08/2009

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 7:53 pm

Queridos invejosos de estimação,

Aprendi há muitos anos com o meu pai que há quem diga mal de nós e que nos queira mal, mas que isso é bom sinal, quer dizer que existimos e que estamos bem. Fui absorvendo essa filosofia com o tempo e a verdade é que o meu pai é que sabe viver a vida: o caminho é sempre em frente e não vale a pena permanecer em vales de lágrimas. Nem sempre fui capaz de o fazer, houve momentos da minha vida em que fiquei parada em caminhos que pareciam becos sem saída e houve alturas em que me entristeci com a maldicência e o desejar nocivo dos invejosos.

Mas agora não. Podem falar o que quiserem, podem invejar tudo o que quiserem: a vida que pensam que eu levo, as riquezas que imaginam que eu tenho, tudo o que vos apetecer que isso já não me afecta. Podem agir de forma a magoarem-me, podem ignorar-me, podem até empinar o nariz, virarem-me as costas, que não vai adiantar nada. E porquê?

Descobri o elixir da felicidade. Tenho em casa os sorrisos mais lindos do mundo, o sentido de humor mais hilariante, os abraços mais fofinhos do mundo e isso faz com que tudo passe, nada permaneça, a não ser todo esse amor que transborda de mim para eles…

Xauzinho, invejosos, cultivem antes os sorrisos e talvez aprendam que só a energia positiva faz avançar o mundo!

jacky

(03.08.2009)

 

Carta à minha Dina 09/07/2009

Arquivado em: amizade, cartas da jacky — jacky @ 1:02 pm

A minha Dina é um fenómeno da natureza. Se tivesse de encarnar um elemento da natureza seria o fogo: perpétuo vulcão. Se fosse um sentimento, seria a alegria contagiante.

A minha Dina, quando ri, dá gargalhadas que entusiasmam a pessoa mais depressiva do mundo. Quando reconforta alguém, usa palavras divertidas que bem-humoram qualquer um.

A minha Dina é amiga dos animais e os animais sabem-no bem. Tem alma generosa e fiel como os cães, tem temperamente alegre como os pássaros, é independente como os gatos e é luminosa e colorida como um papagaio.

A minha Dina não se deixa influenciar pelas limitações do corpo nem pelas tristezas da alma.

A minha Dina é um fenómeno da Natureza e eu fico feliz por tê-la presente na minha vida!

Obrigada, Dina.

Beijinhos

Jacky

(09.07.2009)

 

Carta à minha Katita 03/06/2009

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 10:03 am

Querida Rita

Escrevo-te esta carta para te dizer o quanto gosto de ti. Sabes que gosto de ti como tu és?

Gosto de ti porque és muito competente e profissional em tudo o que fazes, seja em ser dona de casa, seja em atender o público onde trabalhas, seja em administrar grupos no flickr. Gosto de ti quando estás com o tau e pões toda a gente a mexer. Gosto de ti quando cedes ao teu lado infantil e tirar fotos às tuas Blythe onde quer que te apeteça. Gosto de ti quando não me ligas. Gosto de ti quando me contas as histórias incríveis da tua vida (um dia, ainda dá um livro). Gosto de ti e dos teus caracóis. Gosto de ti e da tua franqueza espantosa. Gosto de ti quando ficas aflita por teres atropleado uma ovelha que saltou dum muro para cima do teu carro. Gosto de ti e da tua forma carinhosa de ser. Gosto de ti como amiga e acho que também gostaria de ti como inimiga. Gosto de ti por tudo isto e muito mais.

Gosto tanto de gostar de ti…

Jacky (03.06.2009)

rita katita

 

Carta aos meus filhos 12/05/2009

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 9:27 am
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mario & sara

Mário e Sara,

Todos os dias, deveria dizer-vos o quanto vos adoro e nem sempre o digo.

Todos os meus gestos, coincidem nesse sentido. Sempre que lavo e passo a vossa roupa, penso em como estas calças te ficam bem, Mário, ou como esse babygrow tornam os teus olhos mais claros, Sara.

Quando, oiço todas essas palavras que inventas e os nomes que crias para os teus amigos, fazes-me rir, Mário. Quando olhas com uma atenção maravilhada, o mundo que te rodeia, Sara, tento limpar a minha mente de preconceitos e ver o mundo com um novo olhar.

Penso no que estarás agora a fazer, Mário. Estás nas aulas e será que estás com atenção à matéria ou às palhaçadas dos teus colegas? E tu, Sara, quando estás a dormir, penso de como serão os teus sonhos, minha filha, suaves como a tua pele de bebé.

Quando te ris, os olhos iluminam-se  e as covinhas do teu rosto dão-te um ar matreiro, Mário. E a Sara, quando se ri, adoro ver as suas gengivas sem dentes, sem vergonhas nem preconceitos.

Quando consigo dar-te algo que desejavas, Mário, e vejo a tua cara iluminada de felicidade, fico toda derretida. E tu, Sara, sinto como carícias os teus dedos nos brinquedos que crio para ti e com os quais tu gostas de brincar.

Mesmo quando criticas a comida que cozinhei para ti, sei que comes com gosto, Mário. E tu, Sara, ainda estás a aprender a comer as tuas papas e sopas, enches-nos de papa na cara, nas mãos e na roupa. Agarras a colher como se fosse o maior desafio da tua vida e eu gosto de fazer parte dele.

Amo-vos mesmo quando não olham para mim, não me sorriem, não me dão sossego, nem me deixam dormir.

Para mim, serão sempre os mais lindos, os mais inteligentes, os mais divertidos e os mais brilhantes porque são meus e parte de mim.

Adoro-vos, Mário & Sara…

Escrito pela mamã jacky a 12/05/2009

 

Carta à minha amiga das linhas e dos bolinhos 05/02/2009

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 5:11 pm

Querida Linhas & Bolinhos

A vida tem-me ensinado que nada acontece por acaso. Certos desgostos acontecem para darmos valor ao amor. Certos fracassos fazem-nos saborear cada conquista nova. Isso para quem pensa apenas em grandes feitos, quando queremos grandes cenas de filmes épicos na nossa existência…

E depois, há aqueles gestos quase invisíveis, os sorrisos que passam despercebidos, aquelas palavras que parecem perder-se nos burburinhos, uma série de pequenos pormenores que julgamos sem importância mas que não o são.

A nossa amizade começou assim. A tua cara laroca encantou-me. Saiu-nos na rifa uma troca no flickr. Adorei a tua habilidade para a costura e tu a minha letra. Foi atracção mútua, penso eu. Trocámos emails e telefones. E um laço saído da internet tornou-se capital para mim. Quando fiquei grávida, mandaste-me fazer as ecografias a um determinado lugar e segui o teu conselho. Quando finalmente, fui ao obstetra ele disse-me que só me aceitaria se tivesse feito as ecos naquele lugar… E assim passei a ser sua paciente. Fiz um parto excelente no hospital com o Dr Rui Viana. Se não nos tivéssemos conhecido, ter-se-iam as coisas desenrolado dessa forma?

Nada acontece por acaso. Pequenos gestos são tão influentes como grandes feitos na vida de alguém. Tu fazes parte das pessoas que hei-de guardar para sempre juntinho do meu coração, porque foste determinante para que a vinda da minha filha Sara ao mundo corresse da melhor forma. E o mais giro é que nem sequer nos encontramos ao vivo e a cores…

Eu acredito nos pequenos gestos, nos sorrisos e nas palavras de todos os dias, por isso tento sempre dar o meu melhor todos os dias, mesmo a quem não conheço. Quem sabe de estes meus pequenos gestos serão, um dia, geradores de grandes feitos?

Obrigada, Claudia, por existires.

Beijinhos

Jacky (05.02.2009)

 

Carta à minha amiga Rosita 13/01/2009

Arquivado em: amizade, cartas da jacky — jacky @ 11:59 am

Rosita,

Sem te conhecer pessoalmente, chamei-te Rosita, como a mana mais nova do Ruca. Achei que te ficava bem. O pouco que conhecia de ti fazia-me lembrar as rositas de Santa Teresinha, que além de serem muito mimosas, têm o perfume que mais me encanta. Muitas vezes, ando a passear na rua e de repente algo me faz levantar o nariz e parar, trazendo-me boas recordações, e quando olho para cima, vejo as rositas de Santa Teresinha a acenarem-me com o seu perfume.

Podias ser uma rosa rara, de coleccionador, porque tens raça. Não fazes nada de especial para isso, nasceu contigo. Há muita gente que anda pelo jet set a tentar por todos os meios ter essa elegância natural que emana de ti, nem sei porque se esforçam, a raça vem de dentro, não é um adorno que se veste por fora.

Por qualquer acaso, foste tu que me descobriste e me mimaste sem me conhecer, assim como as rositas de Santa Teresinha quando ando na rua. O acaso foi feliz. Ficámos amigas…

Hoje é um dia especial, fazes anos. Que sejas mimada por todos aqueles que reconhecem o valor das rositas quando passam por elas na rua. Que o aroma da amorizade perfume todos os teus dias!

Com amorizade

Jacky (13.01.2009)

 

Carta aos meus leitores 03/01/2009

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 10:27 am

Caros leitores

Se eu quisesse escrever apenas para mim, poderia alinhavar umas palavras num bloco ou até modernamente num ficheiro word do meu pc. Mas não, gosto de escrever e de ser lida, por toda a gente mesmo por aqueles que interpretam mal as minhas palavras e até por aqueles que copiam os meus escritos e dizem depois serem seus. É um risco que se corre quando textos são publicados na Internet e não me importo.

Depois há àquelas pessoas que vão criando laços com as minhas palavras porque se revêm nelas, porque as fazem sentir felizes, com esperança, porque simplesmente se ligaram a mim e gostam de cá vir espreitar-me como se visita uma amiga. A Amorizade é um sentimento bom que oscila entre a Amizade e o Amor, que cativa pela sua doçura e amenidade. Penso ter feito muitos «amoramigos» por aqui.

Há também pessoas que ajudei com as minhas palavras, apenas através destes textos, mas também através de troca de emails e de palavras no messenger. Muitas pessoas sentem-se sós neste mundo, incompreendidas, abandonadas por todas e fico feliz quando as minhas palavras as fazem sentir menos tristes e mais acarinhadas.

Algumas pessoas acham que tudo o que escrevo é autobiográfico ou que se refere sempre a pessoas em particular. Outras acham que tenho muita imaginação e que é tudo inventado. Na verdade, as minhas palavras tanto são reais como imaginadas. Já dizia Fernando Pessoa no seu poema: «Autopsicografia», que o poeta é um fingidor porque ao escrever a dor que sente já não é exactamente a mesma coisa o escrever e o sentir e depois o leitor também não sente a dor sentida nem escrita do poeta mas aquela que já sentiu ou pensa ter sentido.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Muitos textos que escrevi falam das minhas experiências, das minhas emoções e dos meus sentimentos, mas outros tantos referem-se a pessoas que crio na minha mente e a quem invento experiências, emoções e sentimentos. Não se deixem enganar quando lêem um blogue, nem tudo o que se escreve é autobiográfico ou está ligado a pessoas que conhecemos. Se assim fosse, todos os policiais teriam de ser escritos por detectives e todos os livros de terror teriam de ser criados por psicopatas…

E agora que falei da escrita em si, quero agradecer-vos estes dias, meses e anos de partilha, todas as vezes que os vossos dedos carregaram no teclado para chegar até a um ecrã de amorizade. É por vocês que arrisco escrever mesmo sabendo que se é copiado, distorcido e até incompreendido, porque vale sempre a pena, nem que seja por uma pessoa apenas a quem a amorizade tornou feliz por uns momentos.

Muito obrigada e que 2009 vos traga muitos momentos felizes de Amorizade minha e vossa!

jacky (03.01.2009)

 

Carta a uma amiga perfeita 02/01/2009

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 1:41 pm

Amiga (pelo menos da minha parte)

Ficámos amigas há algum tempo, talvez por termos gostado da personalidade uma da outra. Gosto de todo o estilo de pessoas, simples e complexas, simpáticas ou tímidas, amáveis ou distantes, e de vez em quando, há pessoas que se destacam das outras por parecerem muito melhores que a maioria.

És sem dúvida uma dessas pessoas que se destaca pela inteligência, pela cultura muito acima da média, pelo civismo e tantas outras qualidades que seria inútil referir agora. Não há nada que não saibas, não há nada que te escape, tens opinião sobre absolutamente tudo. Não há dúvidas que admiro todas estas tuas qualidades.

A verdade é que não há pessoas perfeitas. O teu reverso da medalha é que tanta informação e tanta inteligência também não te tornam mais feliz. O mundo e as pessoas fazem-te infeliz porque não obedecem a uma realidade que esculpiste a régua e a esquadro, milimetricamente perfeita. Crias expectativas acerca das pessoas que não correspondem porque não são simplesmente como tu. Ficas à espera que reajam como tu queres e quando não o fazem, esfrias até arranjar maneira de cortar com elas. Chegas inclusive a criar confusões e conflitos por onde passas porque exiges aos outros que encaixem na tua realidade perfeita e, evidentemente, a maioria não cabe dentro.

Connosco foi assim. Criaste muitas expectativas comigo, quiseste que eu fosse como um alter-ego, mas não deu. Sou muito diferente de ti, muito menos informada, menos culta, menos controlada. Não duvido que sejas muito melhor que eu na maioria das coisas. Sou o que sou e venho de onde venho. Sou uma filha de emigrantes que viveu num bairro social muitos anos e que teve uma educação pública generalista e não tenho vergonha nenhuma de o assumir. Ver como as pessoas carenciadas vivem tornou-me muito mais tolerante relativamente ao mundo e às pessoas. Tive amigos que se meteram na droga, amigas que engravidaram aos 16 anos, amigos da minha idade que já morreram há anos por se meterem em rixas ou por doenças graves, convivi com pessoas que dizem palavrões palavra sim palavra não e todas essas pessoas contribuíram a mulher que sou hoje.

O mundo não é perfeito. As pessoas sentem-se cada vez mais infelizes e sós. As pessoas têm os seus imensos defeitos devido a infâncias complicadas e por causa de todos os problemas por que passam. Se tivesses convivido com essas pessoas, talvez fosses mais tolerante com as imperfeições de todos nós. E mais ainda, talvez fosses mais feliz se fosses capaz de viver cada dia que passa sem regra nem esquadro, sem rede nem expectativas. Viver acreditando na esperança de cada novo dia…

Sei que não vais ler esta carta porque cortaste comigo ainda hoje não sei bem porquê. Fiquei com pena, pois sei que tu és quem mais sofre. Um dia, talvez te lembres de mim e se quiseres voltar a conviver comigo, é só dizeres…

Que o próximo ano te dê muitos dias novos de esperança…

jacky (02.01.2009)

Foto daqui

 

Carta à minha amiga Pediatra com P 14/10/2008

Arquivado em: amizade, cartas da jacky — jacky @ 8:51 pm

Se começasse esta carta por Querida Maria do Carmo, seria bastante estranho, porque quem te conhece bem, te trata por Carmito. É um diminutivo que te fica bem porque és assim mesmo: miudinha e mimosa. Também ficaria bem começar com Dra. Carmo porque és assim mesmo: a Dra da Família.

Não sei bem há quantos anos nos conhecemos, já são alguns. Ao longo destes anos de convívio, devo dizer que quanto mais te conheço, mais gosto de ti, o que infelizmente nem sempre acontece com laços que se criam em idade adulta. Gostamos da pessoa de imediato, mas com o tempo começamos a descobrir certas facetas irritantes ou simplesmente que não se enquadram nos nossos valores e os laços desfazem-se. Não é este o caso.

Temos algo em comum que, por vezes, é uma desvantagem que é o parecermos bem mais novas do que realmente somos. Devido ao nosso aspecto juvenil, as pessoas nem sempre nos levam a sério. Falo por mim… As pessoas tratam-me por tu, minha filha, ou dizem coisas do género: – Ainda és muito nova para… ou – Ainda tens de aprender muito para… Cheguei inclusive a ser confundida com os meus alunos nos corredores da escola e uma funcionária até me barrou o acesso ao corredor dos professores. Pelo menos, tu, sempre pensam duas vezes quando te vêem de estetoscópio ao pescoço e de bata branca! É uma vantagem porque ambas somos boas naquilo que fazemos e nas coisas em que nos empenhamos, o que é um trunfo quando nos subestimam em assuntos importantes.

És a médica do meu filho há vários anos (depois de ter tido outros dois, com os quais não funcionámos bem) e também não tenho vergonha nenhuma de dizer que és a minha própria pediatra, embora já seja grandinha. Tenho umas alergias, asma, mas doenças raramente tenho. Por isso, quando tenho, telefono-te, vou ter contigo e costumas ser tu a minha melhor conselheira. Embora eu nem sempre seja uma paciente fácil, porque parece que estou sempre a contra-argumentar o que me dizem, faço sempre tudo o que tu dizes porque sei que és a melhor. Além de teres o teu consultório, tens experiência que poucos pediatras e até médicos podem gabar-se de ter: foste a melhor aluna de medicina da Universidade do Porto, além de ser a melhor noutros anos e em várias disciplinas, andaste nas ambulâncias a tratar de recém-nascidos, fizeste urgências, foste a congressos, deste palestras sobre inúmeros temas, ganhaste mais de uma dúzia de prémios, até aprendeste a dar injecções para o caso de ser preciso, ou seja, fazes mesmo aquilo que gostas e tens vocação! És uma médica dedidcada aos seus pacientes, sempre atenta, disponível, preocupada quando estão doentes, interessada pela sua vida e bem-estar. As tuas crianças não são nomes escritos numa ficha de papel, são pessoas que conheces por dentro e por fora porque és médica de alma e coração.

Quem ler esta carta vai pensar que exagero porque somos amigas, mas não estou a exagerar, que o digam as mães que te ligam a meio da noite quando os filhos estão doentes, que confirmem os pais que sabem que estás disponível para ir ao consultório a horas tardias e até de ir ao hospital sem ser na tua hora só para poderes consultar os teus meninos.

Quanto a sermos amigas, não tenho dúvidas nenhumas que vai ser difícil encontrar outra amiga como tu, uma pessoa tão dedicada, que abdicou do seu fim de semana e de estar com a família, para vir assistir ao meu parto, numa cidade que não é sua, num hospital onde desconhece todos os colegas. Que maior prova de amizade poderia eu receber do que ter-te ao meu lado nessas horas tão dolorosas e ter-te presente à nascença da minha filha para me dares a certeza que seria bem auscultada e cuidada? Porque sabes que tenho tendência para neurotizar a ansiedade e que só ficaria descansada quando a visses?

Sabes Carmito, por muitos anos que viva e mesmo que te enchesse de prendas nos próxmos 50 anos, nunca poderei retribuir o que fizeste por mim e pelos meus filhos, porque não há dinheiro que pague dedicação, amizade, compaixão, compreensão com a minha forma de estar peculiar. Só posso prometer que vou fazer um grande esforço para não te responder: – Eu sei, a cada conselho que me dês. Sei que pareço contestária, mas fui sempre assim, estou melhor, mas ainda não me corrigi totalmente. Na verdade tudo o que dizes, para mim é lei! E também sei que centenas de pais também te obedeceram e seguiram cegamente tudo o que disseste porque és realmente das melhores médicas do país como também um dos melhores seres humanos que conhecemos!

Carmito, obrigada por seres quem és e obrigada à Providência por ter feito cruzar o teu caminho com o meu.

Um abraço apertadinho

jacky

Dados úteis onde podem encontrar a Dra Maria do Carmo Teixeira:

Clínica Médica e Pediátrica Dra Carmo Teixeira

Rua de S. Gens, 3940

4460-219 Custóias – Matosinhos

Tel: 22 953 62 69 – Tlm: 96 371 81 01

Email: drcarmoteixeira@netcabo.pt

 

Carta ao meu obstetra 23/09/2008

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 4:55 pm
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Dr. Rui

Desde que nasceu a Sara há cerca de uma semana, que as palavras bailam cá dentro, palavras que precisam de ser partilhadas…

A nossa relação médico-paciente não começou da melhor forma, pois devido a motivos vários a minha gravidez foi vigiada apenas à distância, uma distância de 300 km, pois mudei-me há pouco para a capital e fiquei sem referências nenhumas, sentindo-me desenraizada de vinte e seis anos de relações familiares, amigos e contactos vários, incluindo os meus médicos. Sou famosa por ser respondona mas também por ser amorizade, uma pessoa que valoriza os laços afectivos. A minha ginecologista-obstetra do Porto, a Dra. Isabel Terroso, é uma médica excepcional e era difícil para mim ter de prescindir dela. Fui fazendo os exames aconselhada pela minha amiga Carmo, (para quem terei de escrever uma carta em breve…) e pelas minhas amigas virtuais do flickr. E foi esse cenário que encontrou quando fui à primeira consulta… Claro que levei um raspanete seu (e merecido) parecia que era irresponsável e que não iria cumprir aquilo que me pedisse para fazer. Mesmo assim deu-me o benefício da dúvida e ainda bem! Conforme ia fazendo os exames necessários e mostrando que afinal não éramos irresponsáveis, a nossa relação começou a melhorar. Sentia-me segura e confiante e a gravidez começou a correr melhor.

Porquê escrever-lhe esta carta? Poderia dizer-lhe que lhe estou infinitamente grata pela forma como me tratou nas consultas e no parto (porque é verdade) mas não é esse o motivo pelo qual precisava de escrever esta carta. As palavras que quero fixar aqui na tela são palavras de admiração.

O que significa admirar? É encontrar em alguém qualidades, atributos e/ou comportamentos que achamos superiores a nós mesmos e à maioria das pessoas.

Uma das qualidades que eu mais admiro em alguém e está a cair em desuso, é a compaixão, que é ser-se compreensivo e mostrar empatia pelo sofrimento alheio. Penso que é uma qualidade que deveria ser inata em todos os médicos, mas sabemos bem que não é assim… Felizmente para mim e para todas as mulheres que tem acompanhado, desde que se formou, que mostra ser compassivo. Ser-se ginecologista-obstetra não deve ser uma especialidade fácil, principalmente quando se trabalha num bloco de partos, urgências após urgências. Durante a gravidez, tirando algum mal-estar e alguns problemas invulgares, tudo corre bem. Contudo, durante o parto, qualquer mulher está no seu pior: transpirada, gemendo ou gritando de dor, esforçando todo o corpo a algo de violento e brutal, chorando de desespero, entrando até numa certa inconsciência ou até estado traumático, agarrando-se ao que se pode, metendo as mãos onde não deve, reclamando e suplicando para que aquela dor simplesmente acabe. Ver dezenas de mulheres todos os dias neste estado pode tornar os médicos, os enfermeiros e os auxiliares indiferentes ou até mesmo impacientes perante a dor. Porém, não é o seu caso. Foi sempre educado, paciente, preocupado, generoso, atento, prestável, respondendo sempre aos meus sms ao longo da gravidez e excepcionalmente compassivo durante o parto. Embora não parecesse, pois nem sempre consegui colaborar ao que me era pedido, tentei dar o meu melhor porque me senti segura e compreendida, porque sabia que também ia dar o seu melhor para trazer ao mundo a minha filha e é isso que lhe queria dizer nesta carta, queria agradecer-lhe a sua dedicação a mim e a todas as mulheres que foram, são e serão suas pacientes.

Pronto. Isto não é nenhuma despedida. É apenas uma carta e já sabe, vá contando com os meus sms aparvalhados e comigo daqui a umas semanas na CintraMédica.

Um beijinho

Jacqueline Lima

Links úteis onde encontrar o Dr. Rui Viana

CintraMédica

Cuf Descobertas

Hospital São Francisco Xavier

 

Carta a quem me faz falta 01/07/2008

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 11:47 am

Já que não estás mais neste mundo para ouvir as palavras que ficaram presas no meu coração, deixa-me escrevê-las para libertar as frases e as histórias que já não te poderei contar, como quem apanhou beijinhos à beira-mar toda a sua vida e as devolve agora ao mar…

Sabes o quanto me fazes falta? Eras o peso que fazia equilibrar a balança dos meus dias difíceis. Eras a cafeína que dava energia às minhas horas lentas. Eras o açúcar que dava sabor ao bolo da minha vida.

Agora que já não estás aqui para temperar as minhas emoções e sentimentos, sinto-me vazia e não consigo preencher essa solidão que me submerge, quando acordo todas as manhãs sabendo que não voltarei a ver-te, cheirar-te, sentir-te…

Sei que os outros não compreendem porque não supero a tua ausência, mas como explicar-lhes? Como fazer sentir no coração dos outros aquilo que só o meu abrange? Não sei quanto tempo se vai arrastar o tempo atrás desta saudade que não consigo superar. Por isso, escrevo-te esta carta, porque mesmo não existente, és a única que entenderá…

Sabes, fazes-me falta…

( jacky, 01.07.2008 )

 

Carta a um amigo cego-surdo-mudo 05/12/2007

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 8:14 pm

Amigo

Sei que não vais ler esta carta porque estás cego para tudo o que ela te impede de ver. Sei que não a vais ouvir porque, mesmo que ela te fosse lida, não a quererias escutar. Sei que por ventura se chegasse a ti, não responderias porque ela te enfeitiçou a vontade e as palavras.

Amigo

Sei que não estás em ti, que o que dizes não vem lá do fundo. Sei que o que não dizes foi silenciado pela apatia em que te marinaram. Sei que te sentes infeliz por não te reconheceres a ti próprio.

Amigo

Sei que vives num dilema, que escolhes o mal menor em vez do bem melhor. Sei que pensas ter feito a melhor escolha protegendo o elo mais fraco da cadeia dos teus afectos.

Amigo

Sei que te estás a afastar de quem te quer bem por achares que há quem te queira mais. Sei que entraste num processo que pensas não ter retorno. Sei que a falta de certos afectos te deixam desvairado embora digas que não.

Amigo

Um dia, vais acordar desse pesadelo e vais ter de recomeçar a tua vida, mais uma vez. Um dia, vai-te custar abrir os olhos e ver, destapar os ouvidos e escutar, abrir a boca e deixar sair as palavras acorrentadas. Um dia, vais pensar que ninguém estará do teu lado, mas estás enganado. Quem gosta de ti, só está à espera que despertes de novo para a vida. Quem gosta de ti, está preparado para recolar os bocados, recolher as cinzas, esquecer o que já lá vai.

Amigo

Quando chegar esse dia, cá estarei, aquela que pensas ser a mais improvável das tuas amigas…

Acorda!

Jacky (05.12.2007)

 

Carta a um amigo Natalfóbico 12/12/2006

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 6:00 pm

Amigo,

Dizes de ti mesmo que és um anti-conformista e que detestas qualquer tipo de festas em que haja obrigatoriedade de se fazer coisas. Dizes que o Natal é um disparate porque as pessoas compram coisas para dar a quem gostam e não gostam, que gastam o que têm e o que não têm, e que até são capazes de passar dificuldades o resto do ano para enfardar à bruta durante as festas de Natal e Ano Novo. Dizes que não estás para estar presente no dia do encontro familiar ou dos jantares de natal instituidos em que todos fingem por uns momentos que se dão todos bem e que nunca quiserem tramar-se nas costas, nem se mentiram, nem nunca te trataram como um idiota. Dizes que não estás para ouvir música sentimentalóide de Natal, num mundo que finge a Paz por uns dias quando o que querem é todos dominar o mundo. Dizes que não estás para gastar um dinheirão numa só noite em roupas compradas apenas para aquele momento e quase a asfixiar no meio de multidões que pretendem divertirem-se e excederem-se naquela noite para uma abstinência de todo um ano.

O que dizes é bem verdade. Não deveria haver dias obrigatórios de se dar prendas, de se ouvir músicas pacíficas, de se estar em convívios forçados e de se pretender ser aquilo que não se é. Também é verdade que as pessoas se excedem e que se endividam escusadamente quando não deviam. O ideal era que as pessoas se dessem bem todo o ano e que não tivessem de agir de forma contrária à sua natureza para agradar aos outros, mesmo quando não merecem. Mas a viver em sociedade tem o seu preço e as coisas não funcionam assim…

Às vezes, fico a pensar de como te deves sentir só, profundamente só, quando olhas à tua volta e vês toda a gente serena e bem humorada, a comprar coisas e a contactar com pessoas que gostam e a serem contactadas por muita gente. Toda essa afectividade que gira à volta do Natal faz-te sentir ainda mais excluido neste mundo moderno tão despersonalizado.

Às vezes, quando te vejo alheado de tudo, fico a pensar se não estarás a recordar os Natais da tua infância em que as luzes do pinheiro piscavam mais brilhantes, rodeado daqueles risos e palavras de entes queridos que já se foram porque simplesmente já faleceram ou porque a vida os levou para longe. Mas será que era assim mesmo como te recordas? É que em criança, não questionamos as coisas nem reparamos nos olhos tristes dos outros porque estamos concentrados à volta dos presentes e da alegria de estar com a família reunida…

Às vezes, quando te vejo assim fechado sobre ti mesmo, fico a pensar que não gostas é de mudanças, que não queres simplesmente quebrar certas barreiras que construiste à tua volta para não sofrer, que é mais fácil assim, não deixar ninguém entrar, ficar preso ao passado, não criar laços novos no presente…

Amigo independente, porque não fazes algo diferente este ano? Uma viagem? Uma reunião com outros que se sentem igual a ti (e são muitos, acredita!)? Um mimar-te, um jantarzinho especial só para ti, com o filme que queres muito ver ou o livro que queres muito ler? E abre-te, assim devagarinho, vais ver que não dói assim tanto, que há sempre alguém por perto que quer entrar e está à porta…

Um abraço de amorizade

jacky (12.12.2006)

 

Carta a uma amiga esponja afectiva 10/11/2006

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 1:28 pm

Amiga,

 

Escrevo-te esta carta para te falar de ti, do que tenho vindo a observar dos teus comportamentos que te fazem infeliz. Passas os dias, a submeter-te às ordens dos outros sem nunca protestares, a cumprires com os teus deveres sem nunca exigires os teus direitos, a estar ao serviço dos outros esperando que reconheçam o teu valor.

 

Nos amores, perpetuas essa necessidade de reconhecimento, despersonalizando-te. Fazes o vazio à tua volta para viver apenas para ele, para o satisfazer em tudo. Chegas inclusive a renegar as tuas desilusões para que ele esteja sempre bem. Pensas que o amor e o respeito dele são a cura para esse mal-estar que sentes.

 

Sei que te sentes angustiada e ansiosa, que tens tendência para criar demasiadas expectativas relativamente às pessoas que achas importantes e também às outras que te rodeiam no dia a dia. No fundo, tens pavor à rejeição e ao abandono. Gostar de alguém, querer estar com ele, sentir-se plena com o seu olhar pousado em si, é saudável, não se pode é concentrar todo o esforço e todos os pensamentos à volta de uma ou duas pessoas, como se o «eu» fosse o deserto e elas o oásis.

 

Essa dependência que crias à volta de certas pessoas faz-te sofrer e faz com que os outros se sintam desconfortáveis contigo, porque começas a controlá-los para verificar se ainda gostam de ti: o que dizem, o que não dizem, onde andam e com quem andam, se dão mais atenção a este e a aquele do que a ti. Se telefonam e não adivinham o que queres, fazes senti-los culpados. Se não telefonam porque, no fundo, já sabem que vão ser recriminados nos silêncios, sentes-te infeliz. Como te dás em demasias, achas natural que haja retribuição dos outros.

 

Infelizmente, vivemos num mundo cada vez mais narcísico onde as pessoas vivem em constante competição. Cada vez menos, há espírito de grupo e por isso o normal é que nem reparem na pessoa fantástica que tu és.

 

Quanto ao amor, é realmente a cura para essa mágoa que carregas desde pequena, para essa falta de cuidados e de atenção na infância, para as carências que têm vindo a aumentar na tua vida, mas o amor por ti mesma! Na verdade, não precisas da aprovação e do respeito de ninguém para seres feliz. Precisas é de gostar de ti e de te assumir como pessoa querida e bem formada que tu és. Não há cavaleiros andantes que nos salvam do marasmo da depressão. Ninguém é perfeito. Vai haver sempre crises nas relações, dias em que não há pachorra, momentos em que se prefere estar sozinho do que com os outros, isso não quer dizer que o amor e a amizade tenham acabado.

 

Já reparaste que o amor atrai o amor? As pessoas que gostam de si mesmas e que se sentem bem fisicamente e espiritualmente atraem pessoas como um íman. Mas os pedintes do amor atraem principalmente a compaixão e a pena. É isso que queres para o teu futuro? deixa lá as esponjas no fundo do mar…

 

Ficares fechada em casa com medo de te envolveres com alguém, com medo de repetir de novo o mesmo padrão de comportamento, não te serve de nada. A rejeição e o fracasso fazem parte da vida. Não vivas na clausura. Apaixona-te pela vida, por passatempos, por actividades. Quem se apaixona pela vida, apaixona os outros e tu tens todas as potencialidades para gerares paixões…

 

Jacky (10.11.2006)

 

Carta a uma amiga que acredita no Destino 06/11/2006

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 5:02 pm

Amiga,

Acreditas que a tua vida está escrita no grande livro do Destino, que tudo está traçado: passado, presente e futuro e ficas assim à espera que a tua vida se cumpra como está determinado.

Acreditas que aquele homem que já foi teu e que o Destino quis apartar de ti, que o mesmo Destino o há-de trazer de volta. E ele vem vindo. Dá-te migalhas do seu tempo e contentas-te assim porque o que será será…

Amiga, achas mesmo que isso é suficiente? Que o Destino existe? Não achas que o que ele tem para te dar daqui a uns anos já não te irá contentar? O teu interior anda tão pobre que não mereças um Homem com H, que tenha disponibilidade efectiva e afectiva para ti?

O Destino existe sim: vários destinos a todo o momento que se apresentam a ti. A todo o momento, o Destino é uma encruzilhada com vários caminhos e tu é que escolhes qual o rumo a seguir. Claro, que podes ir na corrente, seguir o caminho por onde todos vão, ou deixares-te levar por onde os outros querem que tu vás. E mesmo assim, não fazer nada é uma escolha.

Amiga, gosto de ti e fico triste de te ver assim, parada nesse beco sem saída. Vira-te e volta para trás. Caminha até ao próximo cruzamento e escolhe…

 

Jacky (06.11.2006)

 

only you ca choose

 

Carta a todos os cornudos (especialmente aos estorricados) 08/09/2006

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 2:32 am

Sei que não fica bem escrever uma carta aos traídos e de chamá-los cornudos. Sei que não é aceitável vê-los sem ser como uns coitadinhos e não é isso que eu pretendo com esta carta. Sei que devia continuar a escrever considerandos sobre o amor porque é disso que trata a amorizade, mas hoje não!

Quando penso em traição, lembro-me sempre duma anedota (talvez nem tão divertida assim) sobre os tipos de cornudos:

1. Há o corno manso, que é aquele que não se importa, que se calhar até gosta de o ser e por isso não sofre. Não sente ciúme nem posse nem tem medo de perder aquele(a) que diz amar. Se calhar, até lucra em fechar os olhos: tem casa, tem jóias, tem estabilidade, tem uma vida que parece perfeita e isso é o que mais importa. Há muitos mais cornos mansos do que se imagina porque coniventes com a situação e porque ficam camuflados na vegetação familiar.

2. Há o corno furioso, que é aquele que é corno e enfurece-se com isso. É aquele que enche páginas dos jornais a escândalos, que pratica crimes passionais em nome do amor, que faz cenas, que insulta, que fere, que denuncia os factos a todos, que se vinga e que mata. É aquele que prepara a vingança, servida a frio, que se atira para o chão e se rasga todo, que corta o pirilau ao tipo ou atira ácido à cara dela para que mais ninguém possa ter proveito. É o cornudo que se ama mais a si próprio e ao seu próprio orgulho do que alguma vez amou o outro…

3. Finalmente, há o corno estorricado. É aquele que ama, que confia no outro de tal forma que era capaz de pôr as mãos no fogo pela fidelidade do outro e fica bastante estorricado! Esse é o que provoca duas reacções distintas nas pessoas: ou ficam com «peninha» ou então gozam chamando-o de coitadinho porque não reagiu à furioso, porque não teve tomates para reagir, porque é um papalvo a confiar assim tão ingenuamente…

Tanto uma reacção como a outra são disparatadas. Na verdade, a respeitar um corno que seja, é o corno estorricado que mais admiro. É alguém que é apanhado desprevenido, que pensa conhecer bem a pessoa que ama e afinal se engana. É aquele que vivia tranquilo e viu o seu mundo desmoronar-se. É aquele que deprime quando perde o afecto do outro. E mais, é aquele que fica profundamente magoado com a mentira e com a falta de honestidade. Não se amavam? Não foram sempre amigos? Não falavam sobre tudo? Então porquê? Porquê essa traição? Porque não falaram antes que isso acontecesse? Porquê chegar a esse ponto de não retorno em que a relação já não pode ser reconstruída?

Pior que saber que o outro deseja outro corpo, é saber que seguiu a solução mais fácil. Em vez de conversarem e tentarem colmatar as falhas, apagar as frustrações, escolhem o caminho da infidelidade, a placa que diz The end, sem sequer dar ao outro uma hipótese de escolha nessa decisão. É tão mais fácil ser-se apanhado em flagrante numa cama qualquer com outro corpo, do que assumir que também se falha numa relação, que simplesmente se deixou de amar com o tempo, as discussões, a falta de compreensão e de carinho. É tão mais inebriante fazer sexo no carro num parque de estacionamento com o outro corpo do que voltar para casa para o que ainda ama e continua a cuidar das coisas para que tudo esteja bem, mas que está com problemas, deprimido, em baixo de forma, ou até doente. É tão mais fácil sair assim duma relação, à bruta, porque assim já não precisa de tentar recolar os pedaços dum amor despedaçado.

Na verdade, quem devia ser chamado de coitadinho é aquele que trai, porque não tem tomates, porque se trai uma vez, poderá voltar a trair o corpo do parque de estacionamento por outro num sítio ainda mais excitante. Quem mostra ser digno de respeito, é o traído que, depois do marasmo de ver o seu futuro cair por terra, volta a reerguer-se. É aquele que poderá seguir em frente, de cabeça erguida porque foi o que mais amou. É aquele que sai mais forte depois do sofrimento, que saberá depois valorizar o que é essencial, que estará mais atento aos sinais, que saberá relacionar-se de novo com alguém de forma sadia.

Por isso, cornudos estorricados recentes, não fiquem aí com vontade de morrer, não vale a pena querer amar alguém que não vos quer! Rastejar não serve de nada, tentar mudar para recolar os bocados também não. Não se culpabilizem por não terem sido cegos. Como o povo português costuma dizer: Deus cose direito por linhas tortas! Aceitem a dor como um cheque em branco para felicidade a dobrar no futuro. Só se dá valor ao que se tem, quando um dia já se perdeu tudo…

Cornudos estorricados de todo o mundo, deixo-vos esta carta com muita amorizade e agora não percam mais tempo a chorar pelas queimaduras, a pele tem uma capacidade de renovação que muito vos irá espantar. Sigam em frente, longe das lareiras!

Jacky (08.09.2006)

 

Carta a uma amiga com uns quilos a mais… 05/09/2006

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 12:06 am

Amiga,

Que se passa contigo? Parece que os quilos que pensas ter a mais no teu corpo são impedimento para a tua felicidade e para o pleno desabrochar da tua personalidade! Não achas que te estás a deixar influenciar em demasia pela publicidade e pelos modelos esqueléticos da moda de hoje?

O que é que é mais agradável para o olhar: uma estátua grega de mulher com barriguinha e curvas redondas ou uma modelo trinca-espinhas, talvez até, anoréctica? O que é que atrai mais um sorriso luminoso num lindo rosto ou um corpo supostamente perfeito, retocado no photoshop?

Amiga, achas mesmo que os homens preferem essas mamalhudas de silicone ou esses lábios injectados de silicone a um corpo de mulher genuíno? Achas que alguém que te ame de verdade está apenas concentrado nas pequenas imperfeições que fazem parte da tua história corporal? Mais! Não achas que se por acaso te exigisse cabelos sempre impecáveis, rosto sem olheiras nem rugas, nariz de fada e corpo de boneca Barbie também não poderia exigir o mesmo de volta mas em corpo de Ken?

Já te olhaste bem ao espelho, amiga? Consegues ver o que está para além dele: essa tua personalidade brilhante, os teus olhos vivazes, o teu sorriso luminoso, o teu sentido de humor, a tua inteligência e a tua sensibilidade? E se ele não vê isso, perguntas tu? Ora, se ele não é capaz de enxergar além do espelho é porque não te merece.

Já reparaste que não é através do olhar dele que te tornarás mais bonita? Tens que ser mais tolerante contigo mesma, aceitar esse corpo que é teu e aprender a amar essa alma que é tua, porque sim, apenas, porque sim!

Amiga, eu acho-te muito bonita. Não deixes que um qualquer te menospreze e te encha de um vazio que é só dele por causa dumas imperfeições e de uns quilos a mais. Há outros homens que não precisarão nunca de óculos com lentes de redução para te ver como tu és: linda!

Um beijinho de amorizade!

 

Carta a uma amiga solitária 14/08/2006

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 2:35 pm

Querida amiga,

Sei o que é estar a viver na mais profunda das solidões: estar rodeada de pessoas e ninguém nos compreender; estar no maior desconforto sentada no sofá mais fôfo; estar a passar férias na cinzentice em dias solarengos. Também sei que tu sabes que sentir-se só é um estado de alma, que aquela pessoa em particular que te faz falta não preenche esse vazio, embora tenhas a tentação de pensar que sim…

Há momentos na vida em que entramos em crise existencial, em que precisamos de ficar enrolados como caracol na sua carapaça para resolver amarguras e tristezas passadas. Há momentos em que é necessário parar para compreendermos o nosso próprio valor e começarmos finalmente a gostarmos de nós mesmos e não vivermos à espera da aprovação incondicional daquela pessoa. Há momentos em que temos de reflectir sobre essa ansiedade que nos mói o corpo e a alma, de onde vem e porque persiste em perseguir-nos…

Amiga, volta atrás no tempo, desenterra o que for preciso, volta a abrir as cicatrizes mal fechadas, chafurda na lama e depois, quando tiveres chorado todas essas dores passadas, renasce das cinzas tal como uma fénix!

Amiga, se precisares de mim, já sabes…

Um abraço de amorizade

Jacky

 

Carta a uma (futura) amiga 19/05/2006

Arquivado em: cartas da jacky — jacky @ 4:29 pm

Amiga (futura)

Sabes, nem sempre a vida corre como queremos. Às vezes, temos de tomar decisões importantes para sermos felizes, mas temos medo da mudança. Às vezes, queremos mudar, mas temos medo de sermos incompreendidos. Às vezes, queremos voltar para o mar e deixamos que nos amarrem ao cais. Nem sempre quem está no porto, sabe qual é a melhor rota para chegarmos ao destino. Só tu é que sabes!

Uma das coisas que aprendi durante estes anos, é que não se consegue agradar a gregos e a troianos. Também aprendi que há pessoas da nossa envolvência que nunca estão satisfeitas connosco (talvez consigo mesmas, principalmente) por mais que nos esforcemos…

Até pode ser que a rota que escolheste te faça andar à deriva por uns tempos. Até pode ser que todos abandonem o barco menos tu. Até pode ser que percas o mapa, a bússola e o leme, mas por favor não fiques parada nesse cais à espera duma aprovação que não chegará jamais. Segue em frente! Um dia, vais olhar o horizonte e vais gostar do que irás ver…

Um beijinho de amorizade :)

Jacky (19.05.2006)