Ontem, fomos arrastados (eu, a ponto azul, a Patrícia e o perdido na funda, ainda à procura dos pais) pela FairyGi para um lançamento de livro de um jovem poeta da blogosfera. Não sei se sabem mas eu ainda sou do tempo em que os lançamentos de livros se faziam em galerias de arte ou em livrarias conhecidas, mas esta foi num bar de Matosinhos chamado Bláblá.
Quase a chegar ao bar, fui informada que afinal não era só um lançamento de livro, mas de 20 livros de autores da editora corpus. Imaginei logo livros a voar por tudo quanto era sítio. O pessoal de caneta na mão a desviar-se de livros mais grossos quando estava a pedir autógrafos. Tivemos logo de pagar 5€ à entrada (sem direito a bebida), não fosse a gente pirar-se pelas traseiras ou directamente na ambulância do INEM por ter tido um traumatismo craniano derivado de um lançamento de um dicionário. Depois de entrar para o bar propriamente dito, fui logo envolvida por uma nuvem de fumo e de uma certa cacofonia de fundo, óptima para se poder distinguir e ouvir os autores no nevoeiro…
Começámos então à procura do João. Foi melhor do que fazer escalada! Ora com licença, passa por esta frinchinha. Ora dá licença, tenta furar mais este mar de gente. Descobrimos que nas mesinhas escondidas pela multidão havia um papel que dizia: reservado ao autor tal. Estacianámos finalmente junto a uma mesa de bilhar 3 em 1 e fiquei a servir de bengaleiro aos casacos da Gi e da Prima (que não é Vera) que foram desbravar terreno à procura do João. Vinte minutos mais tarde, mais um pouco de cotovelo-crashing e lá conseguimos mais tarde descobrir a mesa do João, que estava a ser dividida por mais 3 autores que nem sabiam quem ele era. Porreiro…
Num dos bares, que servia de livraria improvisada, perguntámos pelo poeta. Agora não podiam ajudar, mas quando houvesse o lançamento do cd ajudariam a procurar. A cantora lança o cd cantando umas músicas e a nossa ajuda fica alegremente no palco a tirar fotos. Porreiro…
Continuei a servir de bengaleiro enquanto pensava que, quando fosse grande e mudasse de casa, iria comprar uma mesa de bilhar 3 em 1 como aquela. É que além de servir de mesa de apoio para copos e possíveis jantares festivos, também era sofá onde estavam vários casais sentados à conversa ou simplesmente a namorar. Parece que também se jogava bilhar quando os rabos saíam do lugar… Olhando em redor, via-se toda a gente interessadíssima pelos lançamentos em série: uma senhora dormia encostada ao marido e a grande maioria estava agarrada aos telemóveis a mandar e a receber sms.
A Gi quis comprar o livro do João, mas não havia MB. E lá tive eu que servir de bengaleiro bancário e emprestar dinheiro. Bastante útil vender-se livro e esperar-se que toda a gente tenha ido primeiro ao banco mais próximo para comprar livros de poesia e afins, aumenta imenso as vendas! Mais uma volta desesperada à procura do João! À procura do Nemo ou find Wally são brincadeiras de criança à beira duma busca desesperada de João em bláblá.
Quando estávamos quase a ir embora ao som do casuso, encontrámos o João à porta e finalmente a Gi teve direito ao seu autógrafo. Ai João, se tu soubesses desta aventura ter-lhe-ias escrito um poema com 5 páginas!…
E pronto, fiquei com saudades do tempo em que se lançavam livros em lugares iluminados onde se reconhecia, via e ouvia o autor, mas isso sou eu que estou a ficar cota…