acumulando coisas…

Há um certo prazer na acumulação de coisas à nossa volta. Primeiro, começamos por desejar algo que vimos ou conhecemos (sim porque não se deseja o que se desconhece) e depois queremos ter essa coisa. Por vezes, a satisfação do desejo é imediata; outras vezes, é demorada e parece que ainda é melhor obter-se o que foi difícil. Mais tarde ou mais cedo, acaba por ser mais uma coisa que se tem e já temos a mente noutra coisa qualquer.
Se acabamos por pôr de lado as coisas que desejámos e temos, porque então continuamos com elas? Porque acumulamos coisas? Talvez porque somos a soma de todas as nossas ideias, de todos os sentires, de todas as experiências por que passámos, de conquistas e derrotas, de vitórias e fracassos e essas coisas que permanecem connosco são como que o resultado do que se conseguiu, uma memória de nós.
Não há nada de errado em guardar-se algumas coisas que nos fazem relembrar acontecimentos felizes ou outras experiências que não queremos esquecer. O que não é tão bom é sermos incapazes de nos desprendermos de todas as coisas. Porque coisas a mais é como caos que se instala, confusão para os sentidos. Se algumas forem para o lixo, forem dadas a quem mais precise delas, nenhum bocado de nós nos vai abandonar, não nos vamos desfazer em espuma nem o nosso mundo seguro se vai desmoronar…
Talvez tenha chegado a hora de deixar de TER e começar realmente a SER!
Jacky (12.10.2009)








Comments
froufroubiju says:
Como tens razão! Mas eu, infelizmente sou uma acumuladora. Tento muitas vezes contrariar e também dou muita coisa, mas não o suficiente, creio eu. Há uns mil anos atrás quando acabei o curso, um colega que era uma pessoa muito especial, pediu-me encarecidamente que queimasse a fita de finalista que ele me tinha escrito, apesar de não haver essa tradição em Lisboa. Dizia ele que era preciso praticar o desapego e que as coisas perduravam em nós para além da sua existência física. Nada mais sábio. Nada mais certo.
**
A fita…? Continua por queimar.
Posted 8 days ago.
*jacky*coisasdela* says:
Eu comecei este processo de desprendimento há uns anos e fica a saber que custa imenso… mas sabes tive uma fase da minha vida que pensei se eu morresse hoje, o que ficaria de mim através dos objectos e dos papéis? e vi realmente que a maioria das coisas e dos papéis não diriam nada e até poderiam transmitir ideias erradas e assim começou o processo
froufroubiju says:
Bem eu então se pensar nisso fica de mim que sou desorganizada e maluquinha!
) …….
…. ai puseste-me a pensar!
Lidia Luz Pro User says:
A mudança é sempre bem vinda. Quanto menos carregares maior a leveza do ser.
Um beijo e feliz semana, querida.
dinadomingues says:
eu confesso que tenho dificuldade :O)
até os livros do filhão de capa rija, que de certeza faziam falta a muita gente eu não me consigo desfazer
*jacky*coisasdela* says:
maluquinha em quê?
Resumindo, é isso mesmo, Lídia!
Quando escrevia isto lembrei-me da nossa conversa de Sábado
froufroubiju says:
Olha maluquinha na quantidade de coisas da mesma categoria que possuo, por exemplo!
Diónaea says:
Ai… eu acumulo tanto…
Mas tb tento dar muito… mas tb não sei se suficiente…
É uma coisa que tb já tinha pensado, se bem que não tão a fundo…
*jacky*coisasdela* says:
tens que especificar, se é para os teus trabalhos, é necessário! Eu, por exemplo, tenho livros às toneladas mas eram precisos pois era professora de Línguas, agora já nem tanto…
Eu falo é de coisas que não precisamos, nem nos são úteis e que guardamos na mesma…
O meu sonho, Dânia, era ser capaz de um desprendimento tal que o que eu tivesse de guardar coubesse apenas dentro do meu carro (e é pequeno…) mas ainda não sou capaz…
Por exemplo, perco todos os dias tanto tempo a arrumar coisas, roupas, tralhas etc que vou adiando coisas mais importantes. Quero fazer um album de fotos bem personalizado à minha bonequinha e para ja só consegui ainda seleccionar as fotos, colocar num cd e mandar imprimir… meti tudo à balda num album, mas a parte personalizada continua à espera… se eu morresse hoje, ela não terá nenhuma ideia minha escrita no meio daquelas fotografias todas e seria uma pena, nao é?… o Mário já tem 13 anos, já tem idade para se lembrar de mim, mas a Sara não… Pelo menos, se isso acontecer, contam-lhe histórias de mim?
Diónaea says:
Sim, percebo-te.
Sim, muitas coisas são para trabalhos

Mesmo muita tralha
Mas outras nem por isso
Eu acumulo conchas, pedras e mais pedras. Onde quer que vá tenho de trazer coisas, flores, postais, fotos, bilhetes de viagens, ementas, e etc
Olha temos de combinar um cafézinho para debater este assunto, pq essa tua ideia de album e notinhas e ideias eu tb tive
E algumas até já pus em prática.
Mas tb queria fazer mto mais, especialmente de algumas alturas da nossa vida. Umas pelo mal que passou e outras pelos bons motivos. mas para tudo deve haver memória e apesar dos maus momentos eu sempre tirei fotos e queria mesmo acabar de fazer esse “álbunsmix” de histórias, ideias e pensamentos…
Não tenho ainda crianças, nem sei se virei a ter, mas compreendo-te perfeitamente…
E livros… tenho pancada… mas já não leio o que lia… nem paciência tenho… nem tempo!
E tenho muitos onde nunca li sequer uma linha…
Lije® Pro User says:
Eu guardo e estimo mas também dou e reciclo.
*jacky*coisasdela* says:
pois temos de tomar um cafezinho
parece que andamos pelas mesmas bandas
Lilucha, a questão está centrada no equilíbrio, mas em geral temos muito mais do que devemos!
TChuva says:
Pois temos…
Passei uns dias a acampar, no meio de uma Serra linda, com uma paisagem maravilhosa, há cerca de 3 anos.
Comigo tinha o básico dos básicos para campismo.
Ao regressar à cidade, dei por mim a estranhar o código da porta da rua, o botão do elevador e o próprio elevador, a olhar com um grande ponto de interrogação para a mobília de quarto, a mesa da sala e muito mais coisas.
Pensei, desorientada, para que queria tudo aquilo, em que contribuía para a minha felicidade e em segundos respondi a mim mesma: NADA!
Mas esse acampamento foi com um Mestre Japonês, comida macrobiótica e um espírito muito bom. Os dias passaram, (quase) caiu em esquecimento e lá estou eu a guardar, a guardar, a guardar.
Tenho momentos em que me consigo desfazer de um bom pedaço de coisas, mas depois… volto ao mesmo! Uma estupidez, sem dúvida.
Sempre disse e defendo que somos o que somos e não o que temos, por isso não só não posso concordar mais contigo, como… vou ter de fazer uma barrela séria cá em casa.
Fim de semana, espera por mim!!
TChuva says:
Ainda vais coleccionar pandas?! ;OP
*jacky*coisasdela* says:
Compreendo perfeitamente o que dizes, Teresa, eu também já fiz campismo durante muitos anos e adorava
)
Aqui em casa é difícil deitar TUDO fora porque tirando eu, são todos muito apegados às suas coisas, principalmente o meu filho Mário. Ele é terrível, gosta de todas as suas coisas e o quarto dele é o maior para poder acolher toda a sua tralha.
A minha cara-metade ainda guarda roupa que nem lhe serve e que nunca mais vai vestir, está a ser difícil convencê-lo a dar essas coisas para ficar com espaço no armário.
Sim vou coleccionar pandas mas de forma equilibrada. Não vou comprar tudo o que tenha pandas, só mesmo os muito giros! (mas que tiveste piada, tiveste
TChuva says:
:OD
Sweet Collection Pro User says:
Há uns anos tive um problema de saúde grave ( controlado por agora) e, desses dias para a frente tudo mudou : “o essencial é invisivel para os olhos” (Saint Exupery em O Principesinho)
E, depois mudei várias vezes de casa e, então estou sempre a tentar reduzir tudo ao essencial. Vem alguèm cá a casa que gosta muito de uma determinada coisa que não considero essencial ? Dou. Quero um dia ser capaz de poder viver numa casa mais pequena, só com o essencial <3
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BlueCris says:
Hoje vim aqui dar uma voltinha e deparei-me com um problema que também é meu: desprender-me das coisas. Então, lembrei-me de um conto que me contavam e que se adequa perfeitamente:
Conta-se que, no século passado, um turista americano foi à cidade do Catmandu, no Nepal. Seu objetivo era visitar um famoso monge. O turista ficou surpreendido ao ver que o monge morava num quarto simples, cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma mesa e um banco.
- Onde estão os seus móveis? -perguntou o turista.
E o monge, bem depressa, retorquiu:
- Onde estão os seus?
- Os meus? – Mas eu estou aqui de passagem!
- Eu também! – disse o monge- A vida na Terra é somente uma passagem. No entanto, vivemos como se fossemos ficar aqui eternamente…
Por acaso, eu não preciso de TER, mas se tiver, guardo
Posted 6 days ago.
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*jacky*coisasdela* says:
As doenças às vezes fazem-nos criar uma percepção diferente do mundo, e gostei dessa tua maneira de estar Teresa!
Cris, já tivemos esta conversa muitas vezes, não já? Isto é um processo moroso e tu tens uma casa grande com sótão e eu também não
Posted 6 days ago.