Eram duas mulheres, separadas por vários quilómetros, que passavam sempre o Natal da mesma forma. Não tinham nascido no mesmo ano nem tinham tido os mesmos amigos. Tinham sempre vivido longe uma da outra, mas estavam próximas pelos hábitos em muitas coisas, como se os planos da realidade fossem paralelos e nunca se cruzassem e os planos do oníricos perpendiculares entre si.
Ambas eram mães e ambas tinham sido filhas e sobrinhas e primas de mulheres fortes que já não eram deste mundo, ou talvez fossem, no mundo dos seus diálogos alternativos. Todos os Natais, elas chegavam para conversar. Falavam sobre o bacalhau que se podia comprar e de outros manjares como o Bolo-Rei e o Pão-de-Ló. Discutiam as relações familiares e de quem estaria presente. Se haveria presentes no sapatinho do Menino Jesus. Viviam assim naquele plano alternativo que as tornava saudosas e ausentes.
A Ceia acabada, olhavam em frente e viam que afinal já lá não estavam. Apenas ficavam as filhas e nem todas… Para quê acordar deste sonho, destas companhias que faziam parte delas? Então, levantavam-se da mesa e procuravam na televisão os rostos de outrora que já não se reencontravam… Desencantadas, iam deitar-se cedo e abandonavam assim as filhas na Ceia de Natal. As filhas já tinham desistido de chegar através destas nebulosidades.
No fundo, não há solidão mais triste que aquela que só encontra conforto em diálogos alternativos com pessoas já mortas…








Parece ser um belissimo livro
Olá Jacky,
Gostei destes teus diálogos, porque o Natal tem, como quase tudo na vida, duas faces: o verso e o reverso. E os diálogos alternativos que escreves considero-os como o reverso do que normalmente se lê nesta época. Parabéns!
Mas, fica-me a impressão que o último parágrafo traduz algo de pessoal. Certo ou não?
Beijinho
Excelente post! É só o que me sai.
Sim, estas duas mulheres fazem parte do livro da minha vida i.e. conheço-as bem e inspirei-me nelas para escrever esta história.
Um beijinho
podes escrever um diálogo alternativo, um poema, o que tu quiseres, tens é de espreitar o desafio que te lancei.
Poemas?
Pronto ok, vou tentar mas não prometo para ja
O Natal já foi durante a infancia, uma época bonita com alegria e cor. Agora nada me diz, posso estar rodeada de muita gente nessa noite/dia mas a solidão estará bem presente em mim.
Beijinho Jacky
O natal continua a ser uma altura especial para mim…
Bom Natal para ti, Jacky!
A minha mensagem muito especial…
Esta mensagem não é para aqueles de quem me lembrei, mas para aqueles que pretendo NUNCA esquecer! Um NATAL cheio de PAZ e muita SAÚDE!
Boas Festas e um abraço muito especial.
José Gomes
Zita, Filipa e Zé, Um Natal muito docinho para vocês e obrigada por estarem presentes