Ele voltava a casa depois de mais um dia de trabalho. Casa… Não sabia bem se podia chamar a esse apartamento quase vazio de casa. Era apenas um lugar de chegada e partida como um aeroporto mas sem a confusão. Costumava sentar-se no sofá e ver televisão até embrutecer, para não pensar, não sentir a ausência de tudo. Vivera muitos anos atormentados com presenças invasoras da sua liberdade e agora que era livre, sentia-se profundamente só.
Entrou no prédio e foi à caixa do correio, só para ver qual era a conta que era para pagar desta vez. Um envelope branco sem remetente nem destinatário chamou-lhe a atenção. Pegou nele, enfiou-o na pasta e esqueceu-se dele. Entrou em casa. Silêncio… Acendeu a televisão. Notícias, sempre as mesmas. Foi ao frigorifíco e fez uma sandes. Não lhe apetecia cozinhar. Comeu-as em frente ao caleidoscópio de imagens do noticiário para aparvalhar a populaça. Mais uma vez, adormeceu sem convicção.
Quando acordou, já passava das 2h. A caminho da cama, tropeçou na pasta e o envelope caiu ao chão. Pousou-o ao lado do colchão que lhe servia de cama. O sono espalhou-se. Deu voltas e mais voltas. Acendeu a luz. Bebeu água. Pegou então no envelope já que não tinha mais nada que fazer…
Era uma carta e dizia assim:
Basta uma palavra tua para acabares com essa solidão. Basta ligares-me hoje até à 1h e amanhã, quando chegares do trabalho, estarei eu à tua espera, com aquela mini-saia que só uso para ti e de que tanto gostas. Estarei com as meias de ligas e aquela camisola decotada que torna o meu peito cativante. Dou-te um beijo, bem quente e tu enrolas os braços no meu corpo como uma cobra à volta da sua presa. Passas-me a mão pelo corpo, na parte da coxa que fica descoberta. Surpreendes-te. Estou sem cuecas e sentes-me…
E mais não digo, deixo a tua imaginação voar pelo meu corpo. Fico à espera até à 1h. Se não ligares, minha vida seguirá outro rumo. Adeus ou até sempre.
Levantou-se de repente e pegou no telemóvel. Já não entrou sequer na caixa do correio. Aquele número era inexistente.
Jacky (03.01.2006)








Talvez não se tenha lembrado daquela vizinha provocante
que nunca o conseguira seduzir. Imaginação não te falta cara amiga. Um beijinho do Raul
Talvez e apenas fosse um achocolhar da sua inércia com a vida.
O fazer-lhe lembrar que ha mais que fiar inerte frente ao televisor… mesmo que não passem de sonhos.
deixa estar novas cuecas virão lol, o mundo está cheio de cuecas …
lol, história muito bem contada, adorei aquela parte “o sono espalhou-se”, e com um final muito mauzinho.lolol.
Excelente!!!! Adorei o final!!! è mesmo para nos lembrar que às vezes as oportunidades estão ao alcance da nossa mão… se não estivermos colados na televisão!!!!!
BJ
pois parece que ele espera a vida deitado…e de preferencia servida num tabuleiro…a vida para ser vivida tem de se agarrar com ambas as maos
É, pois, imaginação não me falta
Escrevi estas histórias há cerca de 1 ou 2 anos e lembrei-me de republicar
Obrigada por comentarem jodoas, yuki, cc, wind, fairygi e eeemaaaaa. Bijufas
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